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Tudo indica que o aperto monetário terminou e a taxa Selic deve permanecer em 13,75% ao ano até o meio de 2023, mas o Copom não pretende relaxar

‘Sempre alerta’ é o slogan mais conhecido do movimento escoteiro. E poderia ser também a nova palavra de ordem do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).
O Copom divulgou hoje a ata de sua última reunião reforçando o tom mais duro do comunicado sobre a decisão.
Na semana passada, o Copom interrompeu o ciclo de aperto monetário iniciado em março do ano passado. No intervalo de um ano e meio, a taxa Selic foi elevada de 2,00% para 13,75% ao ano.
A paralisação do aperto foi lida como o fim do ciclo de alta. Mas a decisão não foi unânime. Dois diretores votaram pela continuidade do aperto monetário.
Na ata, publicada na manhã desta terça-feira, o Copom deu bastante visibilidade aos argumentos dos autores dos votos divergentes.
Ao mesmo tempo, o comitê reforçou que vai avaliar se a estratégia de manutenção da taxa Selic por um período "suficientemente prolongado" garantirá a convergência da inflação em direção às metas.
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“O Copom encerra o ciclo e agora aguarda os efeitos do aperto monetário”, explicou Roberto Padovani, economista chefe do banco BV.
Afinal, as ações de política monetária demoram a fazer efeito. No ciclo paralisado em setembro, a inflação começou a desacelerar mais de um ano depois do início do aperto.
Na avaliação de Padovani, o aperto monetário terminou e a taxa Selic deve permanecer em 13,75% ao ano até junho do ano que vem. Só então o Copom deve desencadear um ciclo de alívio monetário.
De qualquer modo, o Copom enfatizou que segue “vigilante” e reafirmou que “irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”.
A ata do Copom foi divulgada às 8h. Uma hora depois, a prévia da inflação oficial trouxe uma boa notícia. Ou pelo menos em parte.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou queda de 0,37% em setembro na comparação mensal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em agosto, o IPCA-15 já havia recuado 0,73%. Com o dado anunciado hoje, o IPCA-15 acumula alta de 7,96% em 12 meses.
O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, de -0,20% na comparação mensal e +8,14% em base anual.
Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, declarou-se surpreso com o resultado.
De qualquer modo, a deflação sinalizada pelo IPCA-15 em setembro não deve ter impacto sobre a inflação acumulada ao fim de 2022.
“A surpresa baixista na extração da tendência não foi tão expressiva”, disse ele. “Grande parte dos desvios foi observada em itens que não fazem parte de todos os núcleos”, afirmou Sanchez.
“Enquanto a inflação acumulada em 12 meses do headline cedeu de 9,6% para 8,0%, a média dos núcleos cedeu de 10,5% para 10,2%.”
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