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Bolsonaro ganha uma carta importante na disputa pela reeleição com PIB acima do esperado no segundo trimestre, mas Lula também tem o que mostrar na economia
“É a economia, estúpido!” Nos últimos dias, a campanha à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) resgatou a conhecida máxima de James Carville, consultor político de Bill Clinton. E o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre indica que a estratégia de colocar a economia na vitrine foi correta.
O crescimento de 1,2% do PIB no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano veio acima da expectativa do mercado financeiro, que esperava um avanço de 0,9%. Assim, Bolsonaro ganha uma carta importante na disputa, que pode aparecer na propaganda eleitoral ainda nesta quinta-feira.
A melhora do PIB no segundo trimestre veio de todos os lados, o que também tira de Lula e dos demais adversários o argumento de que um único setor foi o responsável pelo resultado.
O PIB da indústria cresceu 2,2% e o do setor de serviços subiu 1,3% em relação ao primeiro trimestre. O agro desta vez veio mais fraco, mas ainda assim avançou 0,5% no trimestre — apesar da queda de 2,5% na comparação anual.
O dado também confirmou a tal recuperação em "V" tão alardeada pelo ministro Paulo Guedes, ainda que o ritmo não seja de encher os olhos. Agora, a economia está 3% acima do patamar pré-pandemia, de acordo com os dados do IBGE.
Os adversários podem argumentar que as medidas do governo para estimular a economia foram eleitoreiras e não são sustentáveis. Mas os dados do PIB mostram que elas funcionaram, nem que seja para garantir boas notícias para Bolsonaro na reta decisiva da campanha.
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De acordo com o IBGE, a liberação do saque emergencial do FGTS e a antecipação do 13º de aposentados e pensionistas do INSS ajudaram a impulsionar o consumo das famílias. O indicador cresceu 2,6% no segundo trimestre, maior alta desde o quatro trimestre de 2020.
Os efeitos dessas medidas deveriam começar a se dissipar no segundo semestre. Mas o pacote mais recente, que incluiu isenções fiscais e o aumento do Auxílio Brasil para R$ 600, deve manter o palanque econômico para Bolsonaro.
Desta forma, o resultado melhor que o esperado no segundo trimestre e o efeito imediato das medidas de estímulo devem levar a uma onda de revisão das projeções do PIB deste ano.
Aliás, o Goldman Sachs atualizou a estimativa de crescimento da economia de 2,2% para 2,9% em 2022 logo após a divulgação do resultado. Já o Santander manteve a expectativa de 1,9% para o PIB, mas avaliou que o resultado aumentou a possibilidade de o número surpreender para cima.
O bom momento da economia em tempos de eleição não ajuda muito a oposição, representada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas caso queira trazer o PIB para o debate eleitoral, o petista tem pelo menos dois trunfos na manga.
O primeiro vem de a economia ainda se encontrar abaixo do patamar do início de 2014, ainda na gestão de Dilma Rousseff. Ou seja, Bolsonaro não conseguiu se livrar da maldição do "pibinho", ainda que o desempenho do governo tenha sido prejudicado pela pandemia.
Apesar de os números do PIB confirmarem a recuperação da economia, o presidente ainda precisa lidar com outros números incômodos. O principal deles é a inflação, que acaba corroendo boa parte da percepção de melhora dos indicadores pela população.
Por fim, Lula também se sai melhor que Bolsonaro na comparação sobre o ritmo da economia na reta final do mandato. Em 2010, último ano da gestão do ex-presidente, o PIB cresceu 7,5%. Essa taxa que garantiu ao petista não apenas deixar o governo com altos índices de popularidade como eleger a sucessora.
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