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Desde o começo do ano, o bitcoin registra queda de mais de 50% e as ações da Microstrategy também recuam 52%
As tardes do fim de semana sempre foram preenchidas por programas de auditório, mas um ícone que ficou marcado na cabeça dos brasileiros foi o “Você Troca?”. Frases como “você trocaria um carro zero por um sanduíche?” eram ditas pelo apresentador com certa frequência. Mas quem parece estar na cabine hoje é Michal Saylor, ex-CEO da Microstrategy.
Na última sexta-feira (09), em um documento enviado à SEC, a CVM americana, a empresa de softwares firmou um acordo para vender o equivalente a US$ 500 milhões de ações ordinárias da companhia.
Ainda de acordo com o comunicado, a Microstrategy pretende usar os recursos para ampliar sua posição em bitcoin (BTC).
Naquele fatídico banco com fones de ouvido, o convidado da vez só tinha como pista o movimento da boca dos convidados. O “sim” ou “não” era inaudível, não importando a força do grito da plateia.
No caso da troca, Saylor ainda tem disponíveis alguns números da empresa e da maior criptomoeda do mundo.
O anúncio da sexta-feira fez os papéis MSTR darem um salto de mais de 12% durante o pregão. Ao mesmo tempo, o BTC também avançou mais de 10% naquele mesmo dia.
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Desde o começo do ano, o bitcoin registra queda de mais de 50% e as ações da Microstrategy também recuam 52%. O desempenho de ambas está intimamente conectado.
Além de criptomoedas e empresas de tecnologia terem comportamentos semelhantes frente ao cenário macroeconômico que se desenha, a Microstrategy também é a empresa com maior exposição ao bitcoin do mundo.
São cerca de 129,699 BTC em caixa no valor de aproximadamente US$ 2,899 bilhões. Essa grande exposição à maior criptomoeda do mundo também acarretou alguns problemas para Saylor — e uma perda milionária para a Microstrategy.
Os dois bancos coordenadores da venda das ações serão o Cowen and Company e BTIG, instituições conhecidas por lidarem com ações de empresas ligadas à criptomoedas.
Desde agosto deste ano, o bilionário deixou a presidência da Microstrategy e passou a integrar o conselho de administração da empresa para focar em estratégias envolvendo BTC. Portanto, o anúncio não é exatamente uma surpresa.
Mas o futuro de Saylor permanece incerto. O bilionário é acusado de sonegação de cerca de US$ 25 milhões em impostos distritais.Segundo o procurador-geral de Columbia, Saylor não nunca pagou imposto de renda no estado em que supostamente morava há dez anos. E fica a pergunta: ele trocará sua liberdade por alguns bitcoins?
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