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Com certa recuperação comedida da realidade internacional nesta manhã, notamos um possível acompanhamento brasileiro, paralelamente aos novos desdobramentos políticos domésticos
Bom dia, pessoal. Lá fora, os mercados asiáticos tentaram se recuperar nesta terça-feira, mas não em um movimento uníssono, uma vez que alguns investidores ainda estão preocupados com a recessão global, a inflação e o processo de aperto monetário, fatores que provocaram grande sentimento de aversão ao risco no pregão de ontem, por exemplo.
Alguns nomes relevantes, porém, como o mercado chinês, chamaram a atenção, com ativos em alta diante das expectativas de mais medidas de estímulo do governo.
Os mercados europeus e os futuros americanos também procuram se recuperar nesta manhã, ao menos por enquanto, o que poderia abrir espaço para otimismo internacional e euforia com as commodities — ontem, o barril de petróleo caiu bem, assim como tem feito nos últimos dias, buscando precificar uma recessão global.
Uma recuperação dos ativos e uma alta das commodities podem fazer bem para os ativos locais — em NY, sobem as ADRs brasileiras relevantes, como Petrobras e Vale.
A ver...
Os ativos locais, que em algumas janelas de 2022 conseguiram se desvencilhar da realidade internacional, acabaram embalados ontem pelo pessimismo generalizado que tomou conta dos investidores globais.
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Nesta manhã, na qual se verifica certa recuperação comedida, também notamos um possível acompanhamento brasileiro, ao menos por enquanto, paralelamente aos novos desdobramentos políticos domésticos.
Na noite de segunda-feira (26), uma nova pesquisa do Ipec reforçou a chance de uma eventual vitória de Lula no primeiro turno.
O mercado tem ignorado as pesquisas e não deve ser diferente agora. Contudo, fica no ar uma dúvida real sobre a validade das pesquisas, que estão apresentando resultados bem distintos entre si.
Uma vitória no primeiro turno, feito só conquistado por FHC até hoje, poderia esquentar o clima local.
O índice Dow Jones Industrial Average entrou em “bear market” ontem, caindo mais de 20% em relação ao recorde registrado no início de janeiro.
Paralelamente, o S&P 500 caiu para seu nível mais baixo desde dezembro de 2020, enquanto o Nasdaq caiu mais de 6% em uma semana e acumula queda de 30% no ano.
Os três índices caíram por cinco dias consecutivos, flertando com uma recuperação modesta hoje.
A expectativa coletiva dos investidores para a volatilidade daqui para frente saltou, com o VIX, ou o índice do medo, subindo quase 8% para seu maior patamar desde junho (mais de 30 pontos).
Nos juros, os yields dos títulos americanos continuaram a subir. O rendimento de 2 anos já alcança 4,32% e o de 10 anos encosta nos 3,88%.
O processo, porém, não parou por aqui e pode flertar com mais correções no futuro, até mesmo porque a temporada de resultados do terceiro trimestre deverá marcar o início das revisões mais agressivas para as projeções dos lucros corporativos, o que também altera os valuations.
Na agenda, sobre a atividade americana, vale conferir o índice de confiança do consumidor para setembro e o relatório de bens duráveis de agosto.
Como temos falado, os mercados financeiros já se mostraram bastante descontentes com o novo governo britânico em menos de um mês.
Até mesmo o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, alertou que a incerteza inspirada no Reino Unido flerta com uma recessão global, em grande parte por conta da fraqueza da libra esterlina (cai mais de 20% em 12 meses), que deveria mudar o nome para "peso britânico".
Apesar de esboçar uma certa recuperação depois da mínima recente em US$ 1,035, a situação ainda é preocupante, em especial por conta da turbulência política (troca de chefe de governo, falecimento do chefe de estado e apresentação de plano econômico duvidoso).
Notadamente, outras moedas fortes também estão apresentando desempenho ruim, como o euro e o iene, mas a que mais chamou a atenção foi a libra.
A questão da dívida britânica começa a preocupar, uma vez que os yields dos títulos de 2 anos do Reino Unido subiram mais de 1% em dois dias.
Ao mesmo tempo, os produtos hipotecários do Reino Unido estão sendo retirados em antecipação a taxas de juros mais altas (muitas hipotecas devem reajustar suas taxas dentro de dois anos, arriscando um custo de vida mais alto). A situação é delicada.
Não é só o Reino Unido que apresenta problemas, mas boa parte da Europa. Ontem, tivemos mais um dia de queda para o índice STOXX Europe 600, que alcançou seu valor mais baixo desde 2020 (no ano, a queda em dólares é de mais de 30%).
A guerra na Ucrânia, a crise energética, a inflação e o aperto monetário criam clima de medo.
Na tentativa de recuperação de hoje, ainda que modesta (pode mudar a depender do ritmo do dia), os investidores digerem alguns dados de crédito apresentados mais cedo, enquanto aguardam as falas de autoridades monetárias, inclusive Christine Lagarde, a presidente do BCE (comentários sobre câmbio podem ser interessantes).
Não é apenas o mercado imobiliário chinês e britânico que está passando por dificuldades. Nos EUA, as rodas de debates já discutem uma recessão no mercado imobiliário americano.
Desde julho, já se verificam sinais de forte desaceleração, com o nível de casas existentes vendidas alcançando o patamar mais baixo desde 2015, enquanto as casas novas flertam com o pior ritmo em seis anos.
As taxas de hipoteca em rápido aumento são em grande parte as culpadas. Vale notar que taxas historicamente baixas em 2020 e 2021 ajudaram as vendas anuais a atingir níveis nunca vistos em mais de uma década.
Agora, após o aumento deste ano na taxa de hipoteca de 30 anos, os possíveis compradores que poderiam ter comprado uma casa com as taxas do ano passado recuaram.
Em outras palavras, a política monetária mais rígida do Federal Reserve e os custos de construção persistentemente elevados estão provocando uma recessão imobiliária nos EUA.
Dessa forma, os declínios na demanda devem persistir de maneira significativa por algum tempo. Considerando que a participação da habitação no PIB dos EUA foi de 16,6% no segundo trimestre, faz sentido o receio de desaceleração mais generalizada.
Hoje, o mercado digere os dados de vendas de casas novas para agosto, devendo trazer um aprofundamento deste quadro negativo.
Todos temem uma crise imobiliária nos EUA desde 2008, mas saibam que a situação atual, ainda que problemática, não é nem de longe tão ruim como foi no passado. Ainda assim, a recessão se aproxima.
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