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Como construir uma carteira vencedora em meio à inflação e à alta dos juros?

De acordo com o co-CIO gestora Bridgewater, Greg Jensen, a maioria dos portfólios não está preparada para um cenário inflacionário; a carteira de um investidor de longo prazo não pode ser um mero ato de fé

22 de abril de 2022
11:18 - atualizado às 13:16
Imagem ilustrativa mostra guarda-chuva protegendo uma pilha de moedas, representando a inflação
Imagem: Shutterstock

A obra “O Auto da Compadecida”, do brilhante Ariano Suassuna, é um marco do teatro brasileiro. Composta por três atos, a peça mistura a cultura nordestina com a tradição religiosa católica, entrelaçadas com o humor crítico típico de seu autor.

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Na história, a gaita de João Grilo, abençoada pelo “padim” padre Cícero, é capaz de ressuscitar os mortos. A promessa de “cura de ferimento de rifle” é atrelada ao som do instrumento musical, capaz de trazer de volta à esfera terrena a alma do corpo inerte.

O instrumento é, portanto, poderoso o suficiente para trazer à normalidade o sujeito que não é mais capaz de se ajudar.

A travessia espiritual

Além da ressurreição, o indivíduo ainda recebe a oportunidade de se encontrar com o santo milagreiro que abençoou o instrumento ao passar para o plano espiritual. 

Este é o real motivo do interesse do cangaceiro Severino no instrumento: fazer uma travessia espiritual segura, encontrar-se com o “padim” padre Cícero e garantir a volta à normalidade.

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Atos de fé e a economia atual

Para se submeter a tal experiência, é necessário que alguém dê um tiro e que outro toque a gaita. São necessários, portanto, pelo menos dois atos de fé.

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O primeiro, claro, no potencial sobrenatural do instrumento. O segundo, na habilidade musical e garantia do remanescente terrestre de tocar a bendita gaita. Arranjar alguém para dar o tiro não costuma ser o problema. Já tocar gaita...

Apesar de escrito em 1955, o auto dialoga com nossa atualidade, inclusive econômica.

Ao passo que a inflação permanece elevada em diversas economias, intensificam-se as discussões sobre como os bancos centrais tocarão as políticas econômicas daqui para a frente.

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A inflação e a pandemia

É possível dividirmos essa problemática em três atos.

No primeiro, durante o pico da pandemia de Covid-19, impôs-se um freio muito forte na demanda de bens e, principalmente, serviços. Entretanto, também houve uma redução da oferta de diversos insumos. 

Ficou claro que a pandemia era altamente deflacionária, e a dúvida era se as autoridades seriam capazes de gerar liquidez suficiente aos mercados e se garantiriam que o dinheiro chegasse às pessoas em meio a uma economia praticamente paralisada.

Commodities e bens finais

No segundo ato, aproximadamente dois anos depois, pode-se dizer que os efeitos do coronavírus são deflacionários para uma série de insumos (matérias-primas) devido à política restritiva do governo chinês em relação ao número de novos casos da doença. 

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Por outro lado, são bastante inflacionários para bens finais, por agravar gargalos de produção em meio a um excesso de liquidez no bolso das famílias.

A escalada da inflação e a alta dos juros

A dúvida hoje é se, em um contexto geopolítico bastante desafiador devido ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia, haverá também habilidade das autoridades em tocar os instrumentos em mão para retornarmos à normalização dos preços sem uma recessão da atividade global.

Nos EUA, o presidente do Fed, Jerome Powell, reconheceu ontem durante evento do FMI que uma alta dos juros de 50 pontos-base na próxima reunião é possível, em linha com o que o mercado vem precificando há algum tempo. 

O mercado também precifica uma convergência da inflação de volta para um patamar próximo a 2,5% por lá, apesar da taxa de desemprego nas mínimas históricas e dos juros ainda longe do neutro.

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Neste caso, também é preciso acreditar que os instrumentos monetários são poderosos o suficiente para trazer-nos de volta à normalidade das últimas décadas.

Um portfólio robusto para suportar o cenário de inflação

No terceiro ato, que vem logo em seguida, a real preocupação deveria ser a construção de um portfólio suficientemente robusto para suportar “tiros de rifle” ou inaptidões musicais.

De acordo com o co-CIO da renomada gestora Bridgewater, Greg Jensen, a maioria dos portfólios não está preparada para um cenário inflacionário em que a trajetória dos juros precificada hoje seja insuficiente para a conversão dos índices inflacionários de volta às suas metas.

Isso porque, nesse ambiente, a descorrelação histórica entre as classes de ações e de bonds é praticamente perdida — ou seja, ações e títulos de renda fixa caem juntos, potencializando as perdas do investidor. 

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Além disso, os ativos que devem performar bem nesse cenário inflacionário atual, como as commodities, são pouco encontrados nas carteiras dos investidores.

O sucesso da carteira em ativos alternativos a longo prazo

O portfólio de um investidor de longo prazo, contudo, não pode ser um mero ato de fé. É necessário um constante estudo sobre a fragilidade e a suscetibilidade de nossas convicções.

Por isso, nós da equipe Os Melhores Fundos de Investimento montamos uma carteira com posições estruturais e táticas em ativos alternativos, como commodities, private equity, hedge funds e criptoativos, além dos melhores fundos de ações e renda fixa do Brasil e do mundo: o FoF Melhores Fundos Blend, da Vitreo. Nela investimos grande parte dos nossos recursos pessoais.

A verdade é que não existem instrumentos milagrosos no processo de investimento, mas é possível ter um portfólio afinado com seu perfil de investimento e seus propósitos de longo prazo.

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A única garantia é que haverá tiro, resta saber quem realmente toca gaita.

Um abraço,
Laís

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