A disciplina da seleção relativa: descubra como escolher a melhor tese para os seus investimentos
Nenhum investimento é bom ou ruim isoladamente; ele é apenas melhor (ou pior) que a opção que você tem para alocar aquele capital

“Você prefere estar certo ou ganhar dinheiro?” Essa é uma das perguntas retóricas de que mais gosto no mundo dos investimentos, porque ela coloca em foco o interesse principal de um investidor (ou investidora), que é o de multiplicar seu patrimônio.
Justamente por causa desse interesse, a vontade de vender certos ativos se torna quase diária em um bear market.
Você tomou a decisão lá atrás de comprar aquela ação, ou aquele título, para ver seu preço ser corroído pelo pessimismo do mercado.
Esses dias me peguei sonhando com o dinheiro da boleta de venda caindo na minha conta.
Considerações antes de vender
Antes de vender, contudo, devemos considerar o que motiva nossa decisão.
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Porque só o fato de o preço estar caindo (ou mesmo subindo) não diz muito sobre a qualidade daquele investimento.
A depender dos fundamentos, a queda pode ser uma oportunidade de compra.
Ou, por outro lado, pode ser que o fundamento tenha piorado, acendendo um alerta de venda. De toda forma, a variação de preço, por si só, não nos diz nada.
Como descobrir qual é o caso?
Se, com o desenrolar dos fatos, a tese de investimento em determinado ativo tem menor probabilidade de estar certa, você de fato precisa rever sua exposição nele.
Uma tese comprada que está desmoronando (não por conta do preço, mas dos pontos da tese) é um sinal de venda.
Mesmo que você reconheça uma perda, é melhor vender logo, antes que os demais participantes de mercado também percebam a falha. Acredite, essa virada de chave acontece rápido.
Lembre-se do caso da Stone, cuja nascente plataforma de crédito era a menina dos olhos dos acionistas, até a empresa mostrar que ainda não sabia controlar a inadimplência. De lá para cá, a cotação da empresa se dividiu por sete.
Três possibilidades
Se, por outro lado, os fatos derem à tese uma maior probabilidade de estar certa, talvez seja a hora de aumentar a exposição, aproveitando-se de um preço mais atrativo.
Há, ainda, uma terceira possibilidade: a de a tese estar intacta; nem mais certa, nem mais errada. Neste caso, o melhor a fazer é nada.
Suponhamos, então, que seja o caso de vender. A tese de fato estava errada, não aconteceu o que você esperava. Então, ainda antes de vender, você deve se perguntar: onde vou colocar o capital proveniente da venda?
Seleção relativa
Gosto bastante de uma definição de investimentos em particular. Ela é de Sidney Cottle, editor do clássico “Security Analysis”, e diz que “investir é a disciplina da seleção relativa”.
Nenhum investimento é bom ou ruim isoladamente; ele é apenas melhor (ou pior) que a opção que você tem para alocar aquele capital. A seleção relativa coloca na conta o custo de oportunidade do nosso capital.
Então, ao vender o ativo, há algum outro em cuja tese você tenha mais convicção? Ou é melhor colocar os recursos levantados em caixa (no nosso caso, Tesouro Selic)?
O desenrolar das teses
Lembremos que o custo de oportunidade do nosso capital, considerando o investimento livre de risco brasileiro, está na casa dos dois dígitos anuais.
Qualquer coisa em que você decida investir agora deve superar a expectativa de render 11% ao ano. É esse o nosso exercício mental diário para a Carteira Empiricus.
Importante dizer, também, que nós somos da escola fundamentalista e, por isso, temos a paciência de esperar o desenrolar das teses.
O olho deve estar mais na competição das teses pelo nosso capital, por mais que os frutos disso, por vezes, demorem. O importante é multiplicar o capital no longo prazo. Com a disciplina da seleção relativa.
Um abraço,
Larissa
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