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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

guerra em andamento

Rússia ataca Ucrânia e desencadeia maré vermelha nas bolsas; petróleo e metais preciosos disparam

Bolsas asiáticas fecham em forte queda, europeias abrem no vermelho e criptomoedas desabam depois de ataques

Ricardo Gozzi
24 de fevereiro de 2022
6:29 - atualizado às 8:34
Rússia mantém tropas na fronteira da Ucrânia e bolsas reagem hoje

As bolsas asiáticas fecharam em queda generalizada e os mercados de ações da Europa abriram no vermelho em reação aos primeiros bombardeios da Rússia contra a Ucrânia, ocorridos durante a madrugada.

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A bolsa de Tóquio recuou 1,8%, enquanto a de Hong Kong cedeu 3,2%. Na Europa, as bolsa de Londres, Frankfurt e Paris caíam entre 2% e 3% por volta das 6h25. Em Wall Street, os índices futuros sinalizavam abertura em forte queda em Nova York.

No mercado de criptomoedas, o bitcoin (BTC) chegou a cair 8%, US$ 34.778, o nível mais baixo de 2022. Já o ethereum (ETH) desabou cerca de 10%, a US$ 2.375, nível mais baixo em quase um mês.

Em alta mesmo somente os contratos futuros de petróleo e metais preciosos. O barril do Brent subia mais de 6%, oscilando em torno de US$ 100, enquanto a onça-troy de ouro se aproximava dos US$ 2 mil.

Quem deve se beneficiar dessa disparada é o setor de petróleo da bolsa, em especial a Petrobras (PETR4), que registrou lucro recorde no balanço divulgado ontem (23).

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Invasão em ‘grande escala’

Iniciadas cerca de duas horas antes do amanhecer desta quinta-feira, hora local, explosões foram sentidas e ouvidas nos arredores de Kiev, Odessa, Kharkiv e Mariupol.

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Ainda não havia informações disponíveis sobre danos e vítimas dos ataques, mas Dmytro Kuleba, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, afirmou que uma “invasão em grande escala” de seu país estava em andamento.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que a operação militar era necessária para proteger civis no leste da Ucrânia.

No início da semana, Putin reconheceu a independência das repúblicas autônomas de Donetsk e Luhansk, ambas com grande identificação étnica e cultural com a Rússia.

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Troca de acusações

Putin acusa os Estados Unidos e seus aliados de ignorarem a exigência russa de impedir o acesso da Ucrânia à Otan e de oferecer garantias de segurança a Moscou em meio à expansão da aliança militar.

O presidente Joe Biden denunciou o ataque como “não provocado e injustificado”.

Múltiplas explosões eram ouvidas em diferentes partes da Ucrânia, contrariando a alegação inicial de que os ataques se concentrariam no leste do território do país.

Kiev sob lei marcial

Em Kiev, autoridades locais impuseram lei marcial e ordenaram que somente trabalhadores de serviços essenciais tinham autorização para circular pela cidade.

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Retaliações

O presidente americano Joe Biden conversou na madrugada com o seu homólogo da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Biden condenou o ataque e informou que deve se reunir com líderes do G7, EUA e aliados para impor “severas sanções à Rússia”. 

A primeira leva de medidas restritivas contra a Rússia por parte dos Estados Unidos foi considerada “leve” pelos analistas, uma espécie de aviso prévio. Agora, os investidores e analistas devem acompanhar os desdobramentos do conflito.

De qualquer modo, tentar prever os desdobramentos é impossível.

Na melhor das hipóteses, Putin estabelecerá uma conexão terrestre entre o Rostov e a Crimeia pelo leste da Ucrânia, garantindo contiguidade territorial e controle sobre uma área onde os laços étnicos e culturais com a população local são um fato. Na pior, estamos diante dos primeiros movimentos de uma guerra em grande escala.

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O mais provável, porém, é que a situação se assente em um algum lugar no meio de caminho.

De volta ao Brasil

Além de acompanhar o avanço da Rússia sobre a Ucrânia, o investidor local ainda precisa ficar atento às propostas de redução no preço dos combustíveis que tramitam no Congresso Nacional

O Senado decidiu adiar a votação do pacote de projetos para 8 de março, ou seja, daqui a cerca de duas semanas. Entre as propostas está uma mudança na cobrança do ICMS, uma das principais fontes de renda dos estados e motivo de embates entre o presidente da República Jair Bolsonaro e os governadores.

Aliás, vale destacar que não é só de notícia nebulosa que o noticiário econômico está vivendo. Contamos abaixo, no nosso perfil do Instagram, o que tem levado o dólar a cair 10% neste ano e voltar a ser negociado abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde junho de 2021.

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Confira abaixo e aproveite para nos seguir no Instagram (basta clicar aqui). Por lá damos insights de investimentos, oportunidades de compra de ações apontadas por analistas parceiros, alertas de riscos, análises de mercado, apurações exclusivas, dicas de carreira e empreendedorismo e muito mais:

Disputa por impostos

Os governadores articulam no Senado para barrar essa proposta. Um dos motivos para o adiamento da sessão, aliás, foi justamente a falta de acordo para aprovação das medidas.

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Vale lembrar que a renúncia fiscal sem compensação prévia é proibida pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Somado a isso, no histórico brasileiro, um controle de preços dos combustíveis já se provou pouco eficiente, tendo em vista que a redução artificial desses valores gera efeito de “represamento” na inflação. 

Agenda do dia

  • IBGE: PNAD Contínua divulga taxa de desemprego do trimestre até dezembro (9h)
  • Estados Unidos: Índice de preços ao consumidor (PCE, em inglês) no terceiro trimestre (10h30)
  • Tesouro Nacional: Resultado primário até janeiro (14h30)

Balanços do dia

Antes da abertura:

  • Ambev (Brasil)
  • Moderna (EUA)

Após o fechamento:

  • Vale (Brasil)

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