Esquenta dos mercados: Bolsas do exterior sobem após dados positivos e Ibovespa deve destoar com cenário doméstico focado no risco fiscal mais uma vez
Além disso, a variante ômicron permanece no radar dos investidores internacionais, com maiores informações sobre infecções e letalidade

A bolsa brasileira começou o ano com o pé esquerdo e se distanciou da festa de início de 2022 dos índices internacionais. Os ruídos motivados pelo cenário doméstico com a desoneração da folha de pagamento e revisão para pior da inflação e PIB do Brasil fizeram o Ibovespa encerrar a sessão em queda de 0,86%, aos 103.922 pontos.
As perspectivas domésticas ruins contribuíram para a possibilidade de uma fuga de capital do país, pressionando o câmbio e levando o dólar à vista a encerrar a sessão em alta de 1,56%, a R$ 5,6627.
O exterior permanece otimista com a divulgação de diversos dados de atividade econômica de países como Reino Unido, China e a perspectiva de um bom número dos Estados Unidos. A variante ômicron da covid-19 segue como uma preocupação, apesar dos dados mistos sobre infecções e eficácia das vacinas.
Confira o que deve movimentar a bolsa hoje.
Covid-19: variante ômicron
O mundo vê um número crescente de infecções pela covid-19 por causa da nova variante ômicron do coronavírus. Mesmo com o avanço da vacinação, a nova cepa consegue ultrapassar a barreira de imunização no organismo.
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Os Estados Unidos encabeçaram um avanço dos casos, com um aumento de 238% nas novas infecções nos últimos 14 dias. Além disso, quadros de contaminação por coronavírus e influenza — o vírus da gripe — já são registrados em todo o mundo e são chamados de “fluorona”.
Por outro lado, nem todas as notícias são negativas. Novos estudos confirmam que a ômicron é realmente menos letal do que as demais variantes da covid-19, apesar de mais transmissível. A resposta imunológica da população vacinada também foi melhor do que da parcela não vacinada.
Em entrevista à Bloomberg, Monica Gandhi, imunologista da Universidade da Califórnia, afirmou que a humanidade irá aprender a conviver com o vírus e que a nova variante possa dar um fim à pandemia como conhecemos hoje.
Desoneração em cheque
A medida que prorroga por dois anos a desoneração da folha de pagamento para 17 setores econômicos, considerados os que mais geram vagas de empregos no país, pode ir para o judiciário.
De acordo com informações do jornal O Estado de São Paulo, técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) acreditam que a União deve compensar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pela desoneração da folha de pagamento dos 17 setores.
Os servidores afirmam que a revisão do cálculo do teto de gastos abre um espaço artificial nas contas públicas e a renúncia fiscal pode chegar a R$ 9,08 bilhões.
O que diz a MP
O alívio tributário está em vigor desde 2011 e beneficia as empresas ao diminuir encargos trabalhistas. Pela desoneração da folha, as empresas beneficiadas recolhem alíquotas de 1% a 4,5% sobre o faturamento, em vez de 20% sobre a folha de salários.
A sanção ficou travada porque a equipe econômica cobrou a exigência de compensação, com aumento de outros impostos, pela redução da tributação para as empresas desses setores. A compensação está prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), e o Orçamento de 2022 foi aprovado sem levar em conta o impacto da desoneração.
Lá fora
A semana começou com os investidores à espera dos dados de emprego dos Estados Unidos. A bola da vez desta terça-feira é o relatório Jolts de emprego.
Ainda nos Estados Unidos, os investidores esperam o índice do gerente de compras (PMI, em inglês) industrial do país em dezembro. O indicador mostra se uma atividade está em expansão (acima de 50 pontos) ou retração (abaixo de 50 pontos).
Na noite da última segunda-feira (03), o PMI industrial da China avançou de 49,9 para 50,9, indicando uma expansão das atividades. Já o mesmo indicador do Reino Unido caiu menos do que o esperado, a 57,9 em dezembro.
Bolsas pelo mundo
Os principais índices asiáticos encerraram o pregão desta terça-feira majoritariamente em alta, após o PMI chinês indicar uma expansão da atividade industrial do país, o que impulsionou os negócios na região.
De maneira semelhante, as bolsas europeias abriram a sessão em alta, mantendo o tom positivo do primeiro pregão do ano após dados positivos do varejo alemão.
Por fim, os futuros de Nova York apontam para uma abertura em alta antes da divulgação do relatório de empregos Jolts e do PMI industrial de dezembro.
Agenda do dia
- FGV: IPC-S Capitais de dezembro e de 2021 (8h)
- Estados Unidos: PMI industrial de dezembro (12h)
- Estados Unidos: Relatório Jolts de emprego de novembro (12h)
- Estados Unidos: Leitura final do PMI industrial global de dezembro (13h)
- Opep+: Reunião ministerial e do comitê conjunto de acompanhamento ministerial (sem horário)
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