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Santander abre a fila dos balanços nesta quarta-feira. Bradesco e Itaú Unibanco saem na semana seguinte e o Banco do Brasil fecha o bloco no dia 14. Saiba o que esperar
Na corrida dos lucros bilionários, os grandes bancos brasileiros começam a divulgar os resultados do quarto trimestre e de 2021 a partir desta semana. O Santander Brasil (SANB11) abre a fila nesta quarta-feira (2); Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4) saem na semana seguinte e o Banco do Brasil (BBAS3) fecha o bloco no dia 14.
Depois de uma rara queda nos lucros com os efeitos da pandemia da covid-19, os bancos voltaram à rotina de resultados em alta em 2021. Por isso, a expectativa do mercado para os balanços que começam a sair amanhã é bem positiva.
Mas os investidores ficarão de olho não só nos números superlativos como também na mensagem que os bancões vão mandar para os resultados deste ano.
Depois de ficarem fora do radar nos últimos anos, as ações de Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander voltaram a chamar a atenção do mercado. Não por acaso, os papéis do setor financeiro lideram as altas da bolsa neste início de ano.
As razões para o "renascimento" dos bancos passam por uma tendência global: a perspectiva de alta das taxas de juros. O Federal Reserve (Fed) deve iniciar o ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos a partir de março.
A alta das taxas acaba tirando a atratividade de ações de empresas de crescimento, como as de tecnologia. Por outro lado, beneficia aquelas que entregam resultados e dividendos no presente, como é o caso dos bancos tradicionais.
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Os juros mais altos também contribuem para melhorar as margens das instituições financeiras. Aqui no Brasil, os resultados de Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil já devem mostrar os efeitos da Selic, que começou em março do ano passado.
As ações dos bancos também sofreram nos últimos anos diante da ameaça das fintechs, como são conhecidas as novas empresas de tecnologia financeira.
O rápido crescimento das concorrentes, com serviços gratuitos e em muitos casos de melhor qualidade, levou uma parte do mercado a se questionar sobre o futuro dos bancões.
Essa percepção, porém, vem mudando. A competição ainda incomoda, mas os investidores já não enxergam mais as fintechs como o "bicho-papão" de antes.
Entre os sinais dessa mudança de visão estão o tombo das ações das empresas de meios de pagamento Stone e PagSeguro e o desempenho fraco do Nubank após a estreia em grande estilo na bolsa de Nova York.
Eu falo mais sobre essa virada na visão dos investidores no vídeo abaixo:
Dito tudo isso, o que esperar da competição particular entre os bancões? Saiba a seguir o que esperar para os resultados de Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil.
Se os resultados dos bancos pudessem ser comparados a uma corrida de revezamento, podemos dizer que Sérgio Rial pegou o bastão na última posição ao assumir a posição de CEO do Santander Brasil, no início de 2016.
Sob o comando de Rial, a unidade local do banco espanhol foi ultrapassando um a um os adversários até assumir a liderança em rentabilidade, posição que historicamente pertencia ao Itaú.
O banco alcançou índices de retorno sobre o patrimônio (ROE, na sigla em inglês) acima de 20% nos últimos cinco trimestres — um feito e tanto se compararmos com a Selic no patamar de um dígito.
O balanço do quarto trimestre será o último do executivo, que agora passou o bastão para Mario Leão. O desafio do novo CEO do Santander é provar que existe vida no banco após Rial.
Para o UBS BB, o Santander deve manter a liderança em rentabilidade em 2021, mas os números do quarto trimestre não devem empolgar.
“Esperamos queda de 4% no lucro na comparação trimestral, com uma combinação de menores resultados de tesouraria e alíquota maior de imposto”, escreveram os analistas, em relatório.
O pequeno avanço projetado para o lucro do Bradesco no quarto trimestre de 2021 não conta toda a história sobre o que o mercado espera para os resultados.
Vale destacar que a base de comparação é forte: o balanço dos últimos três meses de 2020 superou de longe as expectativas do analistas.
Caso as projeções dos analistas se confirmem, o Bradesco pode ainda superar o lucro do Itaú no quarto trimestre. Trata-se de um feito e tanto se lembrarmos que o rival histórico é maior.
“As ações do Bradesco negociam com desconto de 12% sobre os concorrentes privados, com um maior retorno sobre os ativos”, afirmam os analistas do Goldman Sachs, que têm recomendação de compra para BBDC4.
O Itaú pode até registrar um lucro menor que o Bradesco no quarto trimestre de 2021. Mas quem quiser enxergar o copo meio cheio pode argumentar que o maior banco privado brasileiro deverá crescer bem mais que o concorrente na comparação anual.
Para os analistas do Credit Suisse, o Itaú é quem mais se beneficia do ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic). Ou seja, o banco pode ter um cenário ainda melhor à frente. Nada mal para quem chegou a perder a posição de banco mais valioso da América Latina para o Nubank.
De todos os grandes bancos, o Itaú é sem dúvida é o que mais tem se movimentado não só para se defender como também para partir ao ataque na disputa contra as fintechs.
Um ano depois de decidir vender a participação na XP, o banco anunciou em janeiro a compra do controle da Ideal Corretora por R$ 650 milhões, de olho nos investidores que não são clientes do banco.
As ações do Banco do Brasil são negociadas historicamente com desconto em relação aos concorrentes privados. E não sem razão. Afinal, o banco opera com uma rentabilidade menor e ainda sofre com as constantes ameaças de intervenção do governo.
Mas tudo tem um preço. Nas contas do Goldman Sachs, as ações do Banco do Brasil são negociadas hoje perto dos menores níveis históricos e com um desconto de 48% em relação a Santander, Itaú e Bradesco.
Além de barato, o BB deve manter um bom nível de lucratividade ao longo deste ano, o que deve garantir um pagamento de dividendos gordo. O banco já anunciou que pretende distribuir 40% do lucro de 2022 aos acionistas.
Embora a expectativa para o balanço seja positiva, as ações do Banco do Brasil devem seguir à mercê do noticiário político ao longo do ano. O que pode ser uma oportunidade para quem acredita em uma condução mais técnica da instituição pela equipe do presidente que assumir em janeiro de 2023. Ou um risco caso o contrário venha a acontecer.
*Fontes das projeções: Bloomberg e Credit Suisse
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