Congresso aprova Orçamento de 2021 com “festa de emendas” e que arrisca teto de gastos
Lei orçamentária prevê mais verbas para emendas parlamentares e militares e corte nas despesas obrigatórias de Previdência Social

Após uma negociação entre o governo e partidos da oposição, o Congresso aprovou o Orçamento para 2021 nesta quinta-feira (25), com mais verbas para emendas parlamentares (dinheiro que deputados e senadores destinam às suas bases eleitorais) bancarem obras, concentração de recursos para investimentos no Ministério da Defesa e reajustes para militares.
Pela Constituição, o projeto deveria ter sido aprovado em dezembro, mas um impasse político na instalação da Comissão Mista de Orçamento (CMO) e a pandemia de covid-19 afetaram os trabalhos.
Para destravar a votação, o Executivo se comprometeu com a esquerda em fazer reajustes posteriores, por meio de abertura de créditos extraordinários, para recompor cortes em áreas como saúde, educação e no Censo a ser realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Coube ao líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), costurar o acordo. "Façamos na próxima semana ou no primeiro momento, uma reunião para estudarmos a tempo, uma discussão breve sobre composição do orçamento das universidades, na área da saúde, assuntos que são primordiais", disse Gomes no plenário do Congresso. "A gente quer fazer esse compromisso de público", acrescentou.
O líder do PCdoB, deputado Renildo Calheiros (PE) propôs que os presidentes da Câmara e do Senado participem das negociações com o governo para que os recursos sejam repassados por meio de projetos de abertura de crédito orçamentário (PLNs).
Leia Também
Apesar do acordo, os partidos orientaram contra a aprovação do Orçamento, mas deixaram de obstruir a votação, com exceção do PSOL e do Novo. Entre a esquerda, o PDT foi o único a favor da aprovação.
Festa das emendas
Com o cobertor curto, o Congresso fez uma série de manobras para construir a redação final e atender pressões por emendas parlamentares. O senador Márcio Bittar, cancelou R$ 26,46 bilhões em despesas do seu parecer.
A tesourada maior foi feita nas despesas obrigatórias de Previdência Social, no valor de R$ 13,5 bilhões. A medida é uma manobra contábil para cumprir o acordo de aumento das emendas negociado durante a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do auxílio emergencial há duas semanas, como antecipou o Estadão.
Com a manobra contábil, o Congresso consolidou uma articulação para assumir o controle de quase R$ 46 bilhões em recursos do Orçamento federal deste ano.
O volume de emendas parlamentares, indicadas por deputados e senadores para seus redutos eleitorais, é uma pressão contra o governo do presidente Jair Bolsonaro. O clima de "festa das emendas", conforme classificado pelos próprios congressistas, vai, na prática, estourar o teto de gasto e exigir um bloqueio do Orçamento para garantir o seu cumprimento em 2021.
Só de emendas colocadas diretamente pelo relator serão R$ 26 bilhões. Esses recursos serão negociados entre parlamentares e ministério do governo.
O volume adicional de emendas foi negociado com parlamentares do Centrão, historicamente mais ativos na elaboração do orçamento federal. O volume inicial de R$ 3 bilhões em emendas de relator, proposto no início da semana, havia frustrado os congressistas.
"Eu quero agradecer a recomposição daquilo que nós já tínhamos, para não prejudicar o andamento das obras em Santa Catarina", afirmou o senador Jorginho Mello (PL-SC), agradecendo pela inclusão de recursos para rodovias no Estado.
Com um volume de emendas parlamentares chegando a R$ 46 bilhões, o teto de gastos não poderá ser cumprido neste ano. A saída para o governo é estabelecer bloqueios orçamentários para cumprir a limitação fiscal.
"Esse orçamento que será votado hoje está furando o teto", discursou o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), criticando a manobra. A flexibilização na regra foi defendida publicamente ao longo do dia.
"Precisamos enfrentar as dificuldades de crescimento do País que a Emenda Constitucional (do teto) está impondo não só na saúde, mas também na infraestrutura e logística", afirmou a deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC).
O relator defendeu a prerrogativa do Congresso de cortar as despesas com benefícios previdenciários, alegando que o Ministério da Economia foi procurado, mas não apontou de onde tirar dinheiro para turbinar as emendas. Na equipe econômica, o argumento é que não havia espaço para flexibilização.
"Eu fui procurado por senadores e deputados e não vi um pedido do qual eu me envergonhasse. Só deputados e senadores pedindo para não parar uma obra, uma obra de uma barragem, de uma água, de coisas que me honram muito", disse Bittar.
Reajuste polêmico aos militares
Outro alvo de críticas foi o orçamento destinado ao Ministério da Defesa. Conforme o Estadão/Broadcast revelou, o orçamento para os militares superou R$ 8 bilhões e representa um quinto (22%) do total para o governo federal neste ano, enquanto o do Ministério da Saúde ficou em R$ 2 bilhões.
Só para aquisição de aeronaves de caça, são garantidos R$ 1,6 bilhão. Para construção de submarinos, R$ 1,3 bilhão.
"Minha gente, nós estamos guerreando contra quem? Eu pergunto a vocês: submarino e aviões de caça vão combater o coronavírus? Então, não dá para entender que prioridades são essas. Como aumentamos o orçamento da defesa e diminuímos o orçamento da educação e diminuímos também o orçamento da saúde, que é vital para todos nós?" questionou o deputado Bira do Pindaré (PSB-MA).
"Esse Orçamento é de uma austeridade fiscal seletiva, de massacre para os pobres e benesses para a cúpula", criticou a líder do PSOL na Câmara, Fernanda Melchionna (PSOL-RS).
Os militares também são a única categoria que deve ser contemplada este ano com reajuste, o que deve consumir outros R$ 7,1 bilhões dos cofres públicos, enquanto todo o restante do funcionalismo está com o salário congelado até dezembro.
"O Congresso Nacional age como puxadinho do Palácio do Planalto e se submete de maneira humilhante, dando aumento para os militares enquanto congelamos, com razão, o salário do funcionalismo público. O congelamento tinha que ser para todos", afirmou o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP).
"Os trabalhadores mais pobres deste país vão receber um calote por conta dessa festa, dessa feira que está sendo distribuída", afirmou a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP).
* Com informações da Estadão Conteúdo
Conteúdo Empiricus
Resultado do 1º turno fez esta carteira subir em média 11% em um único dia, mas novas ‘pernadas’ podem acontecer em breve; confira os ativos
7 de outubro de 2026 - 12:00ELEIÇÕES 2026
Garotinho desiste de recurso, e Douglas Ruas (PL) pode ser eleito governador do RJ sem segundo turno
5 de outubro de 2026 - 16:22ELEIÇÕES 2026
Lula enfrentou seu “último jogo” nas urnas — e perdeu no legado, diz Walter Maciel, CEO da AZ Quest
4 de outubro de 2026 - 22:14EXPECTATIVA
Ibovespa a 200 mil pontos? Flávio Bolsonaro à frente e força da direita nas urnas animam mercado para segunda-feira (5)
4 de outubro de 2026 - 22:08ELEIÇÕES 2026
Com eleições de 2026, PL, partido de Flávio Bolsonaro, passa a ter um terço das cadeiras no Senado. Quem são os novos senadores?
4 de outubro de 2026 - 22:05ELEIÇÕES 2026
Eleições contradizem pesquisas eleitorais e Flávio dispara para 84% no Polymarket após votos acima do esperado
4 de outubro de 2026 - 21:17RESULTADO HISTÓRICO
Eleições 2026: Distrito Federal é a primeira Unidade da Federação a ter três mulheres no Senado
4 de outubro de 2026 - 19:58ELEIÇÕES 2026
Flávio à frente ou empatado com Lula no 1º turno pode encerrar a eleição, diz José Dezene
4 de outubro de 2026 - 19:11ELEIÇÕES 2026
Após fechamento de embaixadas, Polícia Federal inicia apuração sobre possível intervenção externa na eleições
4 de outubro de 2026 - 17:27ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Tarcísio de Freitas, do Republicanos, é reeleito governador de São Paulo no primeiro turno; veja o resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Cleitinho Azevedo (Republicanos) é eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno; veja o resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00RESULTADO DAS URNAS
Eleições 2026: Elmano de Freitas, do PT, derrota Ciro Gomes no primeiro turno e conquista reeleição no Ceará; veja o resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Douglas Ruas e Eduardo Paes vão ao segundo turno pelo governo do Rio de Janeiro; veja o resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Sergio Moro, do PL, é eleito governador do Paraná no primeiro turno; veja o resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Flávio Bolsonaro sai na frente, lidera 1º turno com 47% e puxa Lula para o 2º turno
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Dr. Daniel (Podemos) é eleito governador do Pará no 1º turno; veja o resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Raquel Lyra (PSD) é reeleita governadora de Pernambuco no primeiro turno; veja resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Jerônimo Rodrigues (PT) é reeleito governador da Bahia no primeiro turno; veja o resultado
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: Jorginho Mello (PL) é reeleito governador de Santa Catarina no 1º turno; veja o resultado da disputa
4 de outubro de 2026 - 17:00ELEIÇÕES 2026