Na Saraiva (SLED3 e SLED4), uma medida para aliviar a pressão da CVM — mas que não tira a corda do pescoço
A Saraiva (SLED3 e SLED4) quer fazer um grupamento de ações na proporção de 35 para 1, saindo da casa dos centavos — mas perdendo liquidez

A Saraiva (SLED3/SLED4) tem mil problemas no radar. Seu plano de recuperação judicial não avança, seus credores estão com pouca paciência, seu programa de venda de ativos não encontra interessados. Mas, em meio ao furacão, pelo menos uma das dores de cabeça está sendo resolvida: o conselho de administração da empresa aprovou o grupamento de suas ações, na proporção de 35 para 1, em resposta às pressões que a CVM vinha exercendo.
O órgão regulador do mercado acionário estava de olho na Saraiva desde agosto, e por um bom motivo: o regulamento da CVM estabelece que as companhias devem manter seus papéis acima da linha de R$ 1,00 — uma norma que vinha sendo descumprida há tempos.
Mais precisamente, desde agosto, a última vez que as ações ON da Saraiva (SLED3) estiveram na casa dos reais, e não dos centavos. A bronca da CVM chegou em setembro: via ofício, o regulador cobrou medidas para elevar o preço dos papéis.

E por que a CVM não admite que as ações custem menos de R$ 1,00? Bem, é uma medida para afastar movimentos de especulação da bolsa. Pense num ativo que custa, digamos, R$ 0,10: um aumento de apenas um centavo em sua cotação implica numa alta de 10%; portanto, quanto mais barato o papel, maiores são as oscilações em termos percentuais — uma questão matemática.
Nesse sentido, a Saraiva quer fazer o grupamento na proporção de 35 para 1. Atualmente, são 23,5 milhões de ações ON (SLED3) cotadas a R$ 0,62 e 39,9 milhões de papéis PN (SLED4) valendo R$ 0,32 cada. Portanto, caso a operação seja aprovada, o desenho será o seguinte:
- 671,8 mil ações ON (SLED3), a R$ 21,70;
- 1,14 milhão de ações PN (SLED4), a R$ 11,20.
O grupamento ainda precisa ser aprovado em assembleia de acionistas; caso receba sinal verde, ao menos um dos problemas da Saraiva será solucionado — ainda que traga outro: a queda muito intensa na liquidez dos papéis, que já são pouco negociados na bolsa.
Leia Também
Saraiva (SLED3 e SLED4): recuperação travada
A Saraiva deu entrada no processo de recuperação judicial em novembro de 2018, afetada fortemente pela queda nas vendas de livros — a baixa na receita, combinada nos custos elevados de manutenção das inúmeras livrarias de grande porte, mergulhou a empresa em dívidas de quase R$ 700 milhões.
Passados quase três anos desde o início do processo, a situação não está muito melhor. Por mais que a companhia tenha fechado inúmeras unidades de sua rede de livrarias, ela não tem conseguido gerar caixa para quitar os compromissos com os credores.
O programa de venda de ativos — que inclui as operações online e uma série de pontos de lojas — não teve sucesso; sem liquidez, alguns credores estão questionando o plano de recuperação da companhia; um eventual pedido de falência da Saraiva já é ventilado no mercado.
A companhia chegou a protocolar uma nova versão do plano de recuperação judicial em setembro, de modo a contemplar novas medidas para geração de caixa que não passem pela venda de ativos. Essa nova versão, no entanto, ainda precisa ser aprovada; até lá, as determinações do plano original seguem valendo.
BALANÇO
Lucro do Bradesco (BBDC4) sobe 14% no 3T26, a R$ 7,1 bilhões; calotes podem frear a virada?
22 de outubro de 2026 - 18:07NEGÓCIO EM ANDAMENTO
CSN (CSNA3): Agora vai? Venda da CSN Cimentos deve sair nas próximas 2 semanas, mas sem exclusividade, diz jornal
22 de outubro de 2026 - 17:58O QUE PESOU NO 3T26?
A conta chegou para a WEG (WEGE3): custos e tarifas dos EUA pressionam margens; veja o que diz a empresa
22 de outubro de 2026 - 17:18ALTA DE 22% EM DÓLAR
Petrobras (PETR4) supera gigantes globais e emplaca a maior valorização do setor em outubro. Além do petróleo, o que está por trás?
22 de outubro de 2026 - 16:42O QUE DIZEM OS ANALISTAS?
JBS (JBSS32): balanço do 3T26 deve ser fraco, mas bancos veem espaço para alta de até 41% nas ações
22 de outubro de 2026 - 14:22PÉ NO FREIO
Viagem tranquila da Motiva (MOTV3) ficou para trás: Citi corta recomendação para neutra e sobe preço-alvo; ação cai 2%
22 de outubro de 2026 - 13:31BEM RECEBIDO
Sinistralidade sobe, mas lucro fala mais alto: por que o balanço da Bradsaúde (SAUD3) agradou o mercado
22 de outubro de 2026 - 13:03NOVO CAPÍTULO
Outra reestruturação no radar? Credores pedem Chapter 11 involuntário de subsidiária da Braskem (BRKM5) nos EUA
22 de outubro de 2026 - 12:29IA CHINESA
IPO vem aí? DeepSeek capta US$ 15 bilhões em nova rodada de financiamento antes de abrir capital em Xangai
22 de outubro de 2026 - 12:00REESTRUTURAÇÃO
Raízen (RAIZ4) tenta ganhar fôlego com aumento de capital de até R$ 3,5 bilhões; veja o que muda para acionistas
21 de outubro de 2026 - 20:42BALANÇO DO 3T26
Bradsaúde (SAUD3): lucro sobe 14,4% e dividendos chegam a R$ 1 bilhão, mas ‘dor de cabeça’ volta a atacar
21 de outubro de 2026 - 18:34TEM MAIS POR VIR
A festa ainda não acabou: B3 (B3SA3) pode subir mais 27% e pagar bons dividendos, diz Santander
21 de outubro de 2026 - 16:23VISÃO DE GESTORES
“Parece que não pode ver um real sobrando”: por que acordo com o Einstein reacende dúvidas sobre uso do caixa da Ânima (ANIM3)
21 de outubro de 2026 - 14:45BALANÇO DECEPCIONOU?
WEG (WEGE3) cai mais de 7% com balanço pressionado por dólar e tarifas; exagero ou sinal de alerta?
21 de outubro de 2026 - 14:19FORA DO AR
Bons resultados da Netflix (NFLX) vêm de ‘ajuste de última hora’, e futuro preocupa, diz analista; veja os números
21 de outubro de 2026 - 14:07OPORTUNIDADE OU ARMADILHA
O pior já passou? Bradsaúde (SAUD3) encara custos maiores e lucro pressionado no 3T26. É hora de fugir ou comprar?
21 de outubro de 2026 - 11:13PRÉVIA DO BALANÇO
Bradesco (BBDC4) chega ao balanço com quase R$ 10 bilhões a mais no caixa, mas ainda precisa convencer que a virada veio para ficar
21 de outubro de 2026 - 6:13DE OLHO NA SELIC
Vamos (VAMO3) já subiu 106% no ano com a ajuda do trade eleitoral. Ainda há espaço para ganhar mais?
20 de outubro de 2026 - 18:45PÁGINA VIRADA
Americanas (AMER3) vira a página da recuperação judicial, mira nova fase e dispara 25% na B3; o que esperar da varejista?
20 de outubro de 2026 - 17:23NEGÓCIO DA CHINA?