Com preço no piso da faixa indicativa, Raízen movimenta R$ 6,9 bilhões no IPO; veja o que vem a seguir para esta ação
Ação da produtora de açúcar e álcool e dona dos postos Shell é precificada a R$ 7,40 e começará a ser negociada no próximo dia 5

O IPO mais badalado do ano até agora finalmente teve todos os seus termos definidos. As ações da Raízen, produtora de açúcar e álcool e distribuidora de combustíveis, foram precificadas a R$ 7,40, no piso da faixa sugerida, que ia até R$ 9,60.
Assim, a joint venture entre Cosan e Shell e dona dos postos de combustíveis da marca movimentará R$ 6,9 bilhões na sua abertura de capital, com a venda do lote principal de 810.811.000 ações e do lote suplementar de 121.621.650 ações. Isso significa que a Raízen chegará à bolsa avaliada em R$ 74,4 bilhões.
A oferta chama a atenção não só pelo tamanho, mas também por se tratar de uma empresa que vem investindo - e deseja investir ainda mais - em energias renováveis e pouco poluentes, o que torna a ação atrativa para investidores estrangeiros, notadamente aqueles que investem de olho nas boas práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
O preço da ação, no entanto, vinha sendo considerado alto por alguns analistas e gestores de fundo. Sendo assim, o fato de ter saído no piso da faixa indicativa é uma boa notícia para quem entrou no IPO ou deseja comprar o papel na bolsa nos primeiros dias de negociação.
Como eu mostrei nesta outra matéria, tanto Raízen quanto a sua holding Cosan são empresas muito bem vistas pelo mercado. Segundo gestores e analistas que estudaram a oferta, tanto a entrada no IPO quanto a compra de ações da Cosan poderiam ser interessantes no momento.
Uma dessas analistas, Larissa Quaresma, da Empiricus, inclusive gravou um vídeo para o Seu Dinheiro, falando sobre as suas perspectivas para Raízen e a projeção de que a ação possa subir até 50% a partir do IPO. Assista a seguir, e aproveite para se inscrever no nosso canal de YouTube:
Leia Também
A oferta pública inicial da Raízen é 100% primária, o que significa que todos os recursos irão para o caixa da companhia. A empresa deseja investir em basicamente três frentes:
- Construção de novas plantas para expandir a produção de renováveis e a capacidade de comercialização da companhia (80% dos recursos captados);
- Investimentos em eficiência e produtividade nos parques de Bioenergia da companhia, para o crescimento da produção de açúcar e álcool (5% dos recursos captados);
- E investimentos em infraestrutura de armazenagem e logística para suportar o crescimento de volume comercializado de renováveis e açúcar (15% dos recursos captados).
O IPO teve como coordenador-líder o BTG Pactual e como demais coordenadores os bancos Citigroup, Bank of America, Credit Suisse, Bradesco BBI, J.P. Morgan, Santander, XP Investimentos, HSBC, Safra e Scotiabank.
As ações estreiam no pregão da B3 no próximo dia 5 (quinta-feira), sob o código RAIZ4.
Quem é a Raízen?
A Raízen foi constituída em 2011 como uma joint venture entre a Cosan, holding brasileira com atuação nos setores de energia, açúcar e etanol e logística, e a petroleira anglo-holandesa Shell.
A companhia atua em basicamente duas grandes áreas: produção de açúcar e etanol, tanto para consumo interno em combustíveis, como para uso na indústria e exportação; e distribuição de combustíveis no varejo, por meio dos postos com a bandeira Shell.
A parte de distribuição é uma linha de negócio mais tradicional, em que ocorre a venda também de combustíveis fósseis.
A porção do negócio realmente voltada para a sustentabilidade e que chama atenção no IPO é a parte de açúcar e álcool, onde a Raízen atua desde o plantio da cana até a comercialização, inclusive aproveitando seus próprios resíduos como insumos para outros produtos.
A empresa se diz líder mundial na produção de biocombustíveis, o que inclui etanol de primeira e segunda geração, este último sendo produzido a partir do bagaço da cana de açúcar. Também produz biogás, energia renovável de cogeração do bagaço da cana, entre outros produtos.
A Raízen tem capacidade de moagem de 73 milhões de toneladas de cana, e no exercício social encerrado em 31 de março de 2021, processou 62 milhões de toneladas, produzindo 2,5 bilhões de litros de etanol (maior produção de etanol de cana do mundo) e gerando 2,0 TWh de eletricidade a partir do processo de cogeração da biomassa, o suficiente para abastecer uma cidade como o Rio de Janeiro por um ano.
Segundo o prospecto do IPO, a Raízen é a maior empresa de etanol de cana e o maior produtor de açúcar do mundo, com mais de 11,7 bilhões de litros de álcool comercializados e uma produção de açúcar de 4,3 milhões de toneladas no exercício social encerrado em 31 de março de 2021.
A receita operacional líquida da companhia, no período, totalizou R$ 114,6 bilhões, o que a posiciona entre as cinco maiores empresas do Brasil em faturamento. No mesmo exercício, seu lucro líquido totalizou R$ 1,5 bilhão, e o Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 6,6 bilhões.
Como a reforma tributária pode afetar os seus investimentos? O que muda? Confira as respostas no vídeo abaixo:
Por que a Raízen está fazendo IPO
Apesar de o negócio de distribuição responder hoje por cerca de 80% da receita da Raízen, o objetivo do IPO é captar recursos para investir principalmente nos negócios de açúcar e combustíveis renováveis.
É isso que chama a atenção dos investidores que priorizam as pautas ESG, notadamente os estrangeiros: não tanto o que já gera resultado para a Raízen hoje, mas o que pode vir a gerar no futuro.
O grande destaque dos planos da companhia é o tal do etanol de segunda geração, produzido a partir do bagaço da cana de açúcar, e não do melaço, como o de primeira geração.
Além de não concorrer com a produção de alimentos, por ser feito a partir de resíduos, esse tipo de combustível consegue ser menos poluente do que o próprio etanol de primeira geração.
Segundo a Raízen, seu etanol de primeira geração produz quase cinco vezes menos emissões de CO2 que a gasolina nos Estados Unidos, enquanto as emissões do etanol de segunda geração são quase sete vezes menores.
O etanol de segunda geração também é mais caro no mercado internacional, apresentando um prêmio de 70% em relação ao de primeira geração. Basicamente, grandes empresas que utilizam o álcool na sua cadeia produtiva estão dispostas a pagar um preço maior pela pegada de carbono menor.
Hoje, a Raízen tem apenas uma planta de produção de etanol de segunda geração, a maior do mundo em escala comercial, segundo a empresa. Mas seu plano é ter 20 plantas dessas em 2031, chegando a 25 no longo prazo, além de licenciar sua tecnologia de produção do etanol de segunda geração para outros países.
A companhia diz ser capaz de aumentar sua produção de etanol em até 50% utilizando a mesma área de cultivo. Com a biomassa que produz hoje, pode atingir uma produção de 2 bilhões de litros, o que, segundo a empresa, “demonstra o expressivo potencial de crescimento desse produto”.
Outro destaque é a produção de biogás, também feita a partir de resíduos da cana. O produto pode ser utilizado para geração de energia elétrica e até para substituir o diesel em veículos pesados.
A Raízen também diz ser possível produzir 50% mais energia elétrica com a mesma área plantada a partir do desenvolvimento do biogás. A ideia da companhia é atingir 39 plantas operacionais até 2031 e até 64 no longo prazo.
Governança e composição acionária
Shell e Cosan são detentoras de fatias iguais da Raízen e assim permanecerão após o IPO. Hoje, cada uma é dona de 50% das ações ordinárias e preferenciais da joint venture.
Após a emissão das novas ações PN, suas participações no capital da empresa cairão para 45,92% para cada uma (44,64% se forem colocados os lotes adicional e suplementar). Ou seja, as ações em circulação representarão apenas 8,17% do capital social (10,72% se forem colocados os lotes adicional e suplementar).
A ação da Raízen será listada no Nível 2 de governança da B3, o mais elevado depois do Novo Mercado. A única diferença entre os dois, inclusive, é o fato de que o Nível 2 permite a existência de ações preferenciais, aquelas que em geral não têm direito a voto, enquanto o Novo Mercado só permite a existência de ações ordinárias, com direito a voto.
Mesmo assim, no Nível 2 as ações preferenciais têm garantido o seu direito de tag along de 100% do preço pago pelas ações ordinárias do controlador no caso de venda do controle da empresa, além de darem direito a voto em situações críticas, como a aprovação de fusões e aquisições e contratos entre o acionista controlador e a companhia, sempre que essas decisões estiverem sujeitas a aprovação em assembleia de acionistas.
No vídeo a seguir, eu falo mais sobre as características do Novo Mercado e os demais níveis de governança da B3. Assista:
BOM HUMOR NA BOLSA
Às vésperas das eleições, só 8 ações do Ibovespa caíram na semana. Hapvida (HAPV3) e outras 6 têm alta de dois dígitos
3 de outubro de 2026 - 11:45MAIS OTIMISMO COM O PAPEL
Bank of America vê potencial de alta de 64% para a JBS (JBSS32) e calcula a renda extra para o investidor
2 de outubro de 2026 - 19:32TOUROS E URSOS #290
Ibovespa a 200 mil pontos? Gestor diz o que pode acontecer com seus investimentos se Lula ou Flávio vencerem
2 de outubro de 2026 - 18:30FECHAMENTO DOS MERCADOS
No último pregão antes das eleições, Ibovespa dispara, chega nos 192 mil pontos e sobe 2,63%
2 de outubro de 2026 - 17:36POR QUE É TÃO IMPORTANTE?
Mais petróleo na Margem Equatorial: Petrobras (PETR4) anuncia nova descoberta e confirma boa qualidade do óleo encontrado em agosto
2 de outubro de 2026 - 10:50Conteúdo BTG Pactual
Fundo multimercado que já rendeu CDI + 4,36% desde sua criação segue na ‘contramão’ das tendências; conheça
1 de outubro de 2026 - 14:00PODCAST TOUROS E URSOS
Eleições podem levar o Ibovespa acima de 200 mil pontos? A visão de Rodrigo Glatt, sócio da gestora GTI
1 de outubro de 2026 - 11:32BALANÇO DO MÊS
Tesouro Direto dispara em setembro com retorno de mais de 5% — mas outro investimento toma a dianteira e fica no topo do ranking
30 de setembro de 2026 - 19:16FECHAMENTO DOS MERCADOS
O vento a favor que fez o Ibovespa decolar 4 mil pontos, inverter o sinal e fechar setembro no azul
30 de setembro de 2026 - 17:49MESMO QUE 'DÊ RUIM'
Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral
30 de setembro de 2026 - 13:05TAG SUMMIT
Não tem tempo ruim para a infraestrutura: as empresas preferidas da Perfin para atravessar crises e juros altos
29 de setembro de 2026 - 17:53PRÊMIO DE RISCO
Dólar a R$ 4,80? As pistas que as últimas eleições na América Latina dão para o desempenho do real
28 de setembro de 2026 - 18:45VISÃO DO GESTOR
“Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”: onde a Inter Asset está vendo pechinchas na bolsa brasileira
27 de setembro de 2026 - 12:01INTER INVEST SUMMIT
Ações “órfãs” na bolsa, juros altos e uma armadilha no crédito: onde investir em 2027, segundo especialistas
26 de setembro de 2026 - 18:08RALI NA B3
Ibovespa a 207 mil pontos? Especialista do Inter diz o que pode destravar a bolsa brasileira após as eleições
25 de setembro de 2026 - 16:40ALÉM DA BOLSA
Os fundos imobiliários cetipados vieram para ficar? Entenda por que eles estão em alta e o que você precisa saber antes de investir
25 de setembro de 2026 - 15:54SETOR DE AUTOPEÇAS
JP Morgan pisa no freio e rebaixa Frasle (FRAS3) para venda. Analistas preferem outras 3 ações que podem saltar até 69%
25 de setembro de 2026 - 13:18MAIS AQUISIÇÕES
TRXF11 enche o carrinho de novo e paga R$ 2,83 bilhões, mas FII cai na bolsa; veja o que entra no portfólio
24 de setembro de 2026 - 13:02O OUTRO LADO DA MOEDA
R$ 4,50 ou R$ 5,80? O gatilho que vai definir o preço do dólar depois das eleições
23 de setembro de 2026 - 18:33RADAR DE FIIS