Em carta, acionistas da Vale pedem apoio a candidatos alternativos ao conselho
Grupo defende que mineradora precisa de uma guinada urgente em sua cultura corporativa

Após ficar no centro das duas maiores tragédias ambientais da história, a Vale precisa de uma guinada urgente em sua cultura corporativa, e a lista de candidatos proposta pela companhia para compor o conselho de administração no período 2021-2023 não seria capaz de implementar a mudança no ritmo e intensidade necessários.
O recado foi passado em carta aberta aos acionistas pelo grupo de investidores responsável por lançar quatro nomes alternativos ao colegiado da mineradora, dentre os quais o atual presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco.
O documento foi publicado no portal da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), que representa investidores institucionais com mais de R$ 700 bilhões de ativos sob gestão no País. Assinam a carta Argucia, Dust Fundo de Investimento, Geração Futuro, Sparta, Tempo Capital, VIC DTVM e Victor Adler, todos acionistas de longa data da Vale.
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O grupo afirma ter o respaldo de outros importantes acionistas locais e estrangeiros da companhia e pede aos demais investidores que apoiem seu pedido de voto múltiplo. A ideia é fazer um pedido público de procuração para facilitar a votação na Assembleia-Geral Ordinária (AGO) de 30 de abril.
As gestoras e fundos signatários destacam pontos que consideram problemáticos na lista elaborada pela Vale e justificam outras indicações. Um deles diz respeito à independência de nomes até recentemente vinculados ao acordo de acionistas da mineradora, extinto em novembro.
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Também apontam que ela não promove a necessária renovação do board, sobretudo em relação aos nomes que já participavam do conselho de administração na época das tragédias com as barragens de Mariana e Brumadinho.
A carta menciona ainda a polêmica proposta da companhia de adoção do voto negativo nas eleições para o board: "o conselho atual - sob orientação do Comitê de Nomeação - propôs substancial reforma estatutária que foi objeto de forte reação de acionistas, recebeu recomendação negativa das principais proxy advisors e foi declarada ilegal pela área técnica da CVM".
Os acionistas afirmam que, como ocorre em mercados mais desenvolvidos, as lideranças envolvidas no episódio deveriam renunciar ou abster-se de concorrer ao conselho novamente.
Além de Castello Branco, foram indicados mais três nomes: o já conselheiro independente da Vale, Marcelo Gasparino - que se opôs em ata à lista de candidatos da Vale -, o ex-presidente da Amec e conselheiro do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, Mauro Rodrigues da Cunha, e a CEO da Lacoste no Brasil, Rachel de Oliveira Maia.
Na visão dos investidores, os nomes são independentes - tanto do ponto de vista formal como material - e agregam ao conselho conhecimento da indústria, da companhia, de governança, auditoria, compliance, gestão de crises, experiência de alta administração de companhias, do ambiente jurídico e regulatório, de tecnologia, de diversidade e de sustentabilidade.
A Vale divulgou esta semana uma lista com a indicação de candidatos para o próximo mandato do conselho de administração. São 12 membros, oito deles classificados como independentes. Dos indicados, apenas cinco são estreantes, enquanto os demais já atuam no quadro da mineradora.
São eles: José Luciano Penido (no conselho desde 2019), Fernando Buso (desde 2015), Clinton Dines (novo membro), Eduardo Rodrigues (desde maio de 2019), Elaine Doward-King (novo membro), José Maurício Coelho (presidente da Previ, no conselho desde 2019), Ken Yasuhara (novo), Maria Fernanda Teixeira (novo), Murilo Passos (desde dezembro de 2019), Ollie Oliveira (novo), Roger Downey (desde dezembro de 2019) e Sandra Guerra (desde outubro de 2017). Penido e Buso são indicados para ocupar, respectivamente, a presidência e a vice-presidência do conselho.
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