Retomada dos investimentos só é possível com aprovação da capitalização, diz CEO da Eletrobras
Com a capitalização, Rodrigo Limp, novo CEO da companhia, vê espaço para que a Eletrobras invista R$ 200 bilhões até 2035

Com a Medida Provisória que abre caminho para a privatização da Eletrobras aprovada na Câmara e aguardando a decisão do Senado, as atenções do mercado se voltaram para a participação do CEO recém-empossado da companhia, Rodrigo Limp, em seu primeiro evento externo.
Após a renúncia de Wilson Ferreira Junior, antigo comandante da companhia, Limp assumiu o cargo com desafios grandes a serem enfrentados em um curto período de tempo: convencer o mercado de que a privatização segue nos planos, afastar os temores de interferência do governo no comando da estatal e garantir que os avanços feitos na gestão da empresa nos últimos anos seguirão. Até agora, Limp, que tem a confiança do mercado, está se saindo bem.
Em evento organizado pelo BTG Pactual e ao lado do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Ecônomico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, e do CEO da CCR, Marco Caduro, Limp exaltou os avanços da gestão anterior e defendeu a pauta de capitalização da Eletrobras no Senado e também de privatizações em outros setores fundamentais para a obtenção de melhores serviços pela população e retomada da economia, já que o setor de infraestrutura é essencial para este movimento.
Segundo o comandante da estatal, para reforçar o modelo de concessões e avançar com outros projetos de geração de energia e transmissão, a Eletrobras teria que elevar a sua capacidade de investimento para cerca de R$ 365 bilhões em 10 anos.
Para isso, a empresa deve ser capaz de aumentar o valor destinado aos investimentos. Durante a reestruturação promovida por Ferreira Jr., que reverteu um prejuízo de R$ 35 bilhões apresentado pela estatal, a redução de investimentos foi drástica mas essencial para a companhia reduzir o índice Dívida Líquida/EBITDA de 7 vezes para 1,4 vezes.
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Durante sua fala em defesa da capitalização, Limp também apontou outros benefícios da aprovação da pauta: a Eletrobras pode se tornar uma empresa mais competitiva e mais moderna sem as amarras burocráticas que prendem as estatais. A companhia já traça o seu plano estratégico até 2035 e trabalha com os dois cenários.
Caso a capitalização ocorra, a estatal deve investir cerca de R$ 200 bilhões - uma média de R$ 13 bilhões por ano. Agora, se a pauta não andar, o esperado é que menos da metade desse valor seja executado.
Esses investimentos devem servir para "preparar a empresa para o novo ambiente do setor elétrico, que passa por uma modernização e transformação". Os leilões, que foram deixados de lado durante o período mais intenso da reestruturação dos últimos anos também devem ser retomados, mas, segundo Limp, tudo será feito "mantendo a premissa de disciplina financeira" na busca de oportunidades atrativas e rentáveis para a companhia. No horizonte de longo prazo, a Usina Nuclear Angra 3 é colocada como um "projeto desafiador" mas também prioritário.
Limp vê o cenário atual dentro das condições adequadas para o avanço das reformas e está otimista não só com o avanço da capitalização da empresa que comanda, mas também com o andamento das obras de privatização e concessão no geral.
O capitão do navio
O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, destacou que falta "braço" para o governo conseguir tocar a quantidade de projetos potenciais no setor e que estamos em um ciclo longo "a perder de vista" para o investimento em infraestrutura e que o Brasil tem uma enorme gama de ativos no setor para ser explorado. Além disso, Montezano destacou que a combinação de disciplina fiscal, com juros controlados, a agenda de reformas regulatórias e uma boa qualidade dos projetos em execução é um diferencial do país.
O executivo também reforçou que a instituição seguirá na venda de suas participações acionárias para realocar o capital em atividades que gerem desenvolvimento.
"Estamos fazendo os desinvestimentos com parcimônia e cautela", declarou. Apesar disso, o presidente do BNDS lembrou que, desde que assumiu o comando, em julho de 2019, o banco já vendeu R$ 65 bilhões em ações.
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