CVC consegue se reerguer em 2020, mas pandemia continuará tentando derrubar a empresa
Operadora de turismo chega em posição melhor no quarto trimestre, mas retomada ainda é uma incógnita considerando a situação da covid-19

No final do ano passado, o CEO da CVC (CVCB3) foi categórico, em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro, ao afirmar que a empresa de turismo “passou pela crise e está vivíssima”.
Maior operadora de turismo do país, ela foi uma das empresas mais prejudicadas pela pandemia de covid-19, que derrubou sua receita em base anual. Fora isso, ela teve que lidar com as consequências de um escândalo envolvendo erros na contabilidade, resultado de falhas em controles internos, que tiveram um impacto de R$ 362 milhões.
Diante destas duas situações, a continuidade operacional da CVC chegou a ser colocada em xeque em 2020. Mas os resultados de 2020 mostram que ela está conseguindo se reerguer, ainda que a situação seja frágil, fechando um ano com melhoras no lado operacional e na parte financeira.
A dúvida que fica é como será este primeiro trimestre, diante da escalada no número de infectados por covid-19 e as medidas restritivas adotadas pelos governos municipais e estaduais.
[captacao]
Melhora operacional trimestral, mas ainda ruim na anual
O balanço da CVC, divulgado na sexta-feira (26) à noite, mostra que a companhia viu uma retomada dos negócios no Brasil a partir do terceiro trimestre, principalmente impulsionada pelo turismo de lazer doméstico brasileiro.
Leia Também
Vai sair do papel? CSN (CSNA3) dá passo decisivo para venda de negócio de cimentos por R$ 12,7 bilhões
O turismo internacional, segundo ela, está voltando mais lentamente em função de restrições importantes para entrada de estrangeiros em diversos países e redução significativa dos eventos, conferências e outras atividades de negócios.
Olhando só para o Brasil, de onde veio a maior parte dos resultados, as reservas confirmadas cresceram 78,5% em relação ao terceiro trimestre, mas recuaram 61,3% na comparação com o quarto trimestre de 2019, para R$ 1,5 bilhão. No acumulado do ano de 2020, as reservas s caíram 66%, a R$ 5,2 bilhões.
Durante os últimos três meses do ano passado, a CVC embarcou aproximadamente 2 milhões de passageiros ante aproximadamente 3,3 milhões no mesmo período de 2019, o que representa uma evolução em relação aos números do segundo e terceiro trimestres – 322 mil e 845 mil passageiros, respectivamente.
“Adicionalmente ao aumento do número de passageiros na comparação do quarto trimestre versus terceiro trimestre, é importante destacar os aumentos sucessivos no ticket médio, atingindo R$ 748 no quarto trimestre, contra R$ 675 no terceiro trimestre, ainda abaixo de períodos anteriores (primeiro trimestre de 2019 a primeiro trimestre de 2020) que apresentaram média por volta de R$ 1.255, devido, principalmente, ao aumento expressivo de viagens nacionais no mix de vendas”, diz trecho do balanço.
Com isto, a receita líquida caiu 44% no quarto trimestre, em relação ao mesmo período de 2019, para R$ 162,8 milhões. Em 2020, ela recuou 67%, para R$ 517,3 milhões.
Ebitda negativo
A CVC embarcou no ano passado num processo de contenção de despesas, para lidar com as consequências da pandemia. No quarto trimestre, ela reduziu as despesas com marketing em 64,7% e os custos do cartão de crédito em 60,3%.
No entanto, ela viu um impacto com os itens não recorrentes, especialmente com despesas relacionadas à covid-19, com um impacto total de R$ 61,8 milhões no resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês).
A CVC também registrou um aumento de 53,6% na provisão para créditos de liquidação duvidosa (PCLD), para R$ 32,4 milhões, por conta do atual cenário econômico.
“Além disso, antecipamos no primeiro trimestre de 2020 o provisionamento do impacto da covid-19 em função da expectativa futura da ordem de R$ 40,9 milhões sobre o total da carteira própria”, diz trecho do balanço.
A combinação de queda de receita e despesas estáveis resultou num Ebitda ajustado negativo de R$ 171,7 milhões, ante o saldo negativo de R$ 53,2 milhões do mesmo período de 2019. A margem piorou entre um trimestre e o outro, de -18,3% para -105,5%. No acumulado de 2020, o Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 413,2 milhões, versus o lucro de R$ 496,4 milhões.
Olhando para a última linha do balanço, CVC encerrou o quarto trimestre com lucro líquido de R$ 392,5 milhões, revertendo o prejuízo do mesmo intervalo do ano anterior, segundo a demonstração seguindo as regras contábeis e considerando a reapresentação dos resultados de 2019, para considerar as consequências dos erros contábeis.
Já no acumulado de 2020, o prejuízo alcançou R$ 1,2 bilhão, muito acima da perda de R$ 2 milhões de 2019.
Melhora no perfil financeiro
Além dos ajustes no lado operacional, a CVC buscou se fortalecer financeiramente. Entre as medidas tomadas pela administração estão o lançamento de um processo de capitalização, cuja primeira fase foi encerrada em setembro e totalizou R$ 301,7 milhões, com a integralização de 100% do total proposto.
Houve ainda a repactuação de dívidas bancárias, além dos efeitos da ajuda do governo federal que sancionou uma lei em agosto desobrigando empresas do setor de turismo e de cultura de reembolsar os valores pagos pelo consumidor por produtos, desde que assegurem a remarcação dos serviços ou disponibilizem crédito para uso ou abatimento na compra de outros produtos.
Com tudo isso, mais as medidas do lado operacional, a CVC fechou 2020 com geração de caixa operacional de R$ 848,6 milhões em comparação a uma geração de caixa de R$ 260,7 milhões em igual período de 2019.
Os saldos da dívida líquida no quarto trimestre de 2020 e de 2019 pro forma eram de R$ 728,3 milhões e R$ 1,7 bilhão, respectivamente.
RESULTADOS DO 3T26
Microsoft (MSFT) mostra que é possível crescer com IA gastando menos e com balanço sólido; veja números
29 de outubro de 2026 - 11:53CILADA NA BOLSA?
E agora, Nubank? Itaú BBA corta preço-alvo e alerta: o pior ainda pode estar por vir
29 de outubro de 2026 - 11:22NA MIRA DO BC
Mais uma liquidação: Banco Central tira do ar empresa que operava nos bastidores do Pix após encontrar “graves violações”
29 de outubro de 2026 - 9:34AQUECIMENTO PARA O BALANÇO
Vale (VALE3): lucro deve cair quase 50% no 3T26 com inimigo persistente roubando a cena. O que esperar do balanço de hoje?
29 de outubro de 2026 - 6:30RENEGOCIAÇÃO
Raízen (RAIZ4) consegue desconto de R$ 8,5 bilhões em dívidas tributárias; veja quanto a empresa terá de pagar
28 de outubro de 2026 - 18:26PERDEU O ENCANTO?
Itaú BBA deixa de recomendar compra de Bradesco (BBDC4), e ação cai forte; o que levou o bancão a perder o brilho?
28 de outubro de 2026 - 16:27O DILEMA DO BANCÃO
“O preço a pagar” para reduzir riscos: CEO do Santander revela plano para atingir ROE acima de 20%
28 de outubro de 2026 - 14:32BALANÇO AGRADOU
Caneta emagrecedora e dívida menor: os dois motores que fazem da Hypera (HYPE3) uma das poucas altas do Ibovespa hoje
28 de outubro de 2026 - 13:31REAÇÃO AO RESULTADO
Santander (SANB11) afunda mais de 5% após resultado fraco, mas analistas revelam ‘trunfo’ que pode salvar as ações da queda
28 de outubro de 2026 - 11:54OS BASTIDORES DA OPERAÇÃO
Por dentro da Shopee: 150 mil tipos de produtos, muitas mãos e uma corrida para fazer cada pedido chegar à sua casa
28 de outubro de 2026 - 10:46BALANÇO
Santander Brasil (SANB11) frustra no 3T26: lucro tomba 28% e ROE cai a 11,9%; veja os destaques do balanço
28 de outubro de 2026 - 6:16POTENCIAL DE ALTA
Maré favorável? Citi inicia cobertura da OceanPact (OPCT3) e vê espaço para alta de 48%
27 de outubro de 2026 - 17:06PRÉVIA DO BALANÇO
Lucro menor, calotes no radar e recuperação adiada: o que esperar do balanço do Santander Brasil (SANB11) no 3T26
27 de outubro de 2026 - 13:28FACA AFIADA
Citi manda vender Banco do Brasil (BBAS3) após eleições; veja o que colocar no lugar
27 de outubro de 2026 - 13:09SD ENTREVISTA
Agência com cara de hotel? A aposta do Bradesco (BBDC4) para atrair clientes endinheirados
27 de outubro de 2026 - 12:03APOSTA NO LUXO
Massagem, hotéis Fasano e descontos: a nova cartada do Itaú (ITUB4) e da JHSF (JHSF3) para conquistar os clientes ricos
27 de outubro de 2026 - 8:33VAI DE BOLSA
Após SpaceX (SPCX), Anthropic quer entrar no grupo do ‘IPO do trilhão’ com documento enviado à SEC
26 de outubro de 2026 - 14:45AQUISIÇÃO BILIONÁRIA
Itaú (ITUB4) desembolsa R$ 2,925 bilhões para comprar NeoSpace e fortalecer operação de inteligência artificial
26 de outubro de 2026 - 9:12AGORA VAI?
Oncoclínicas (ONCO3) avança em reestruturação e apresenta novo plano para renegociar R$ 5,7 bilhões em dívidas
23 de outubro de 2026 - 19:43MAIS UM RECORDE