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O Comitê ressalta que essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação
O Banco Central (BC) voltou a indicar nesta quinta-feira, 24, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que deve promover novo aumento de 0,75 ponto porcentual da Selic (a taxa básica de juros) em agosto. Atualmente, a Selic está em 4,25% ao ano.
"Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização monetária com outro ajuste da mesma magnitude (0,75ponto)", registrou o RTI.
"Contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários. O Comitê ressalta que essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação."
Estas avaliações já constaram no comunicado da semana passada - quando o Copom elevou a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 4,25% ao ano - e também na ata da reunião, publicada na última terça-feira, 22. A visão do Copom para o encontro do mês de agosto, no entanto, marca uma mudança em relação ao que vinha sendo comunicado até então.
O Banco Central manteve sua estimativa de inflação para 2021 no cenário básico, que utiliza juros conforme o Relatório de Mercado Focus e câmbio atualizado de acordo com a Paridade do Poder de Compra (PPC).
Segundo o Relatório Trimestral de Inflação, este cenário indica um IPCA de 5,8% para este ano. O porcentual é o mesmo que constou na ata e no comunicado do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom).
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Para 2022, o cenário básico indica que o IPCA ficará em 3,5%, também igual à ata e ao comunicado. A projeção para o IPCA de 2023, pelo cenário básico, é de 3,3%.
Para 2021, a meta de inflação perseguida pelo BC é de 3,75%, com margem de 1,5 (taxa de 2,25% a 5,25%). Para 2022, a meta é de 3,50%, com margem de 1,5 (taxa de 2,00 a 5,00%). No caso de 2023, a meta é de 3,25%, com margem de 1,5 (taxa de 1,75% a 4,75).
O RTI também traz projeções de inflação de curto prazo, que abarcam os meses de junho, julho e agosto de 2021. A previsão do BC para o IPCA para junho é de alta de 0,62%. Já a projeção para julho é de aumento de 0,39% e, para agosto, de 0,26%.
Nos últimos meses, o BC vem destacando que, a despeito do aumento das vendas de commodities para países como China e Estados Unidos, o Brasil não passou por um processo de valorização de sua moeda - o que era de se esperar. Apenas mais recentemente o dólar perdeu valor ante o real.
A possibilidade de reversão na alta dos preços das commodities é um dos fatores de risco no cenário básico do Copom para a política monetária. Conforme a instituição, este cenário possui fatores de risco em ambas as direções.
Além do risco desinflacionário, representado pela reversão nos aumentos das commodities, existe o risco inflacionário. "Novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal podem elevar os prêmios de risco do País", registrou o BC no RTI
A probabilidade de a inflação de 2021 ficar acima do teto da meta, de 5,25%, está em 74%. O cálculo tem como base a Selic variando conforme o Relatório de Mercado Focus e o câmbio atualizado com base na Paridade do Poder de Compra (PPC). Já a probabilidade de a inflação ficar abaixo do piso da meta em 2021, de 2,25%, é de 0%.
A expectativa para a economia no próximo ano passou de alta de 3,6% para elevação de 4,6%.
Entre os componentes do PIB para 2021, o BC alterou de expansão de 2,0% para 2,5% a projeção para a agropecuária. No caso da indústria, a estimativa passou de elevação de 6,4% para 6,6% e, para o setor de serviços, de aumento de 2,8% para 3,8%.
Do lado da demanda, o BC alterou a estimativa do consumo das famílias de crescimento de 3,5% para 4,0%. No caso do consumo do governo, o porcentual projetado foi de elevação de 1,2% para 0,4%.
O documento agora divulgado indica ainda que a projeção de 2021 para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - indicador que mede o volume de investimento produtivo na economia - foi de alta de 5,1% para 8,1%. Todas as estimativas anteriores constavam do RTI divulgado em março.
A projeção para o resultado em transações correntes do País foi de superávit de US$ 2 bilhões para US$ 3 bilhões. A estimativa anterior constou no RTI de março.
Já a projeção para o Investimento Direto no País (IDP) neste ano foi mantida em US$ 60,0 bilhões.
A instituição alterou sua projeção para o saldo total de crédito este ano de alta de 8,0% para elevação de 11,1%.
Dentro do crédito total, a projeção do saldo de operações com pessoas físicas passou de alta de 11,5% para elevação de 13,5%. No caso das empresas, a expectativa foi de alta de 3,4% para 8,0%.
Já a projeção para o saldo de crédito livre - aquele que não utiliza recursos da poupança ou do BNDES - passou de alta de 11,1% para elevação de 13,5%. Dentro do crédito livre, a projeção para o crédito às pessoas físicas foi de alta de 12,0% para alta de 14,0%. No caso das pessoas jurídicas, passou de elevação de 10,0% para avanço de 13,0%.
A projeção do BC para o saldo de crédito direcionado, que utiliza recursos da poupança e do BNDES, passou de +3,7% para +7,7%. Dentro do crédito direcionado, a projeção do saldo para as pessoas físicas foi de alta de 11,0% para avanço de 13,0%. No caso das pessoas jurídicas, a projeção passou baixa de 7,0% para estabilidade em 0,0%.
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