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Em carta de demissão, Hélio Magalhães diz que tomou a decisão diante do descaso do presidente com o banco, outras estatais e seus administradores

O Banco do Brasil (BBAS3) confirmou na quinta-feira (1º) à noite que o presidente do conselho de administração, Hélio Magalhães, e o conselheiro independente, José Guimarães Monforte, renunciaram aos cargos no colegiado.
Ambos fazem parte de um grupo de conselheiros descontentes com a maneira como o presidente Jair Bolsonaro realizou a troca do comando do banco. Bolsonaro escolheu Fausto Ribeiro para o lugar de André Brandão, com quem teve atritos por conta do programa de reestruturação que estava sendo tocado pelo então presidente do Banco do Brasil, que incluía demissões e fechamento de agências.
Em sua carta de demissão, obtida pelo site "G1", Magalhães disse que tomou a decisão diante “descaso com que o acionista majoritário [governo federal] vem tratando” o Banco do Brasil e “outras importantes estatais de capital aberto e seus principais administradores”.
Os conselheiros independentes do Banco do Brasil vinham expressando contrariedade à interferência de Bolsonaro desde que começaram a surgir as primeiras informações de que ele queria demitir Brandão.
Na quarta-feira (31), durante reunião extraordinária do conselho de administração, Magalhães e Monforte, junto com Luiz Serafim Spinola Santos e Paulo Roberto Evangelista de Lima consignaram uma manifestação contrária à troca na ata da reunião.
Eles reconheceram a competência do presidente da República em trocar o presidente do banco, mas afirmaram que “existem legislação e interpretações mais avançadas para o tema, cuja aplicação, em não sendo possível no caso concreto, deve, contudo, ser perseguida pelos guardiões das boas práticas de governança corporativa”.
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Para eles, o Banco do Brasil é uma instituição bicentenária e não se constrói uma história secular “sem uma governança sólida e muito menos sem a liderança de profissionais experientes, capazes, inovadores, dinâmicos, inspiradores, corajosos e estratégicos”.
Os conselheiros destacaram ainda que a meritocracia é um “valor intrínseco” do banco, refletida nos documentos que tratam da política de indicação e sucessão dos líderes, e que Ribeiro “não percorreu ainda todas as etapas de funções gerenciais” em seus 33 anos de carreira no Banco do Brasil.
A indicação do novo presidente do Banco do Brasil também foi criticada por membros do Comitê de Pessoas, Remuneração e Elegibilidade (Corem), que aprovou na quarta-feira a indicação de Ribeiro.
Em manifestação em separado de seus votos, os membros do comitê Cibele Castro, Luiz Serafim Spinola Santos e Paulo Roberto Evangelista de Lima alertam que "a atuação deste Comitê, no particular, não deveria ser o de exclusivamente verificar a conformidade do processo, o atendimento aos requisitos legais 'objetivos' e a ausência de vedações, mas também o de apreciar 'requisitos subjetivos'".
* Com informações da Estadão Conteúdo
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