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O ouro mantém o brilho e ganha destaque como investimento

A valorização do ouro desde que passou a ser livremente negociado nos EUA, a partir de 1970 até hoje, foi de 5.300%, enquanto a bolsa americana subiu 2.500% além dos dividendos

16 de abril de 2021
5:39 - atualizado às 14:41
lingote de ouro
Imagem: Shutterstock

O ouro sempre encantou o homem. Ele começou a ser usado em joias e artefatos no Leste Europeu há mais de 6 mil anos, em 4000 a.C.

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Em 1500 a.C, por ser um elemento raro de se encontrar na natureza, porém de fácil maleabilidade e transporte, começou a ser utilizado como moeda pelo Império Egípcio, o “Shekel”, e rapidamente passou a ser adotada pelo Oriente Médio e Europa.

Por ser a primeira moeda reconhecida amplamente, proporcionou o crescimento exponencial da comercialização de produtos e, com isso, o desenvolvimento das civilizações. 

Já na história recente, durante a Primeira Guerra Mundial, sob pressão para financiar os gastos bélicos, os bancos centrais passaram a imprimir papel moeda sem lastro do ouro.

Nas décadas seguintes, com o rápido desenvolvimento da sua economia, os Estados Unidos passaram a se destacar como nova potência no comercio global, com isso, os países foram substituindo o ouro pelo dólar nas negociações internacionais.

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Um aspecto importante com o fim do uso do ouro como lastro para as moedas foi o surgimento de altas taxas de inflação, que devastaram algumas economias.

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Sem o lastro, embora a impressão de papel moeda possa impulsionar a economia, quando feita de forma descontrolada e em excesso ela provoca pressão inflacionária. Temos um bom exemplo disso no Brasil na década de 1980.

Mais rentável que a bolsa

Como investimento para proteção de altas taxas de inflação e de desvalorizações de moedas, o ouro continuou a ser amplamente usado entre investidores e alguns bancos centrais que também procuram alternativas ao dólar.

Por exemplo: a valorização do ouro desde que passou a ser livremente negociado nos EUA, a partir de 1970 até hoje, foi de 5.300%, enquanto a bolsa americana valorizou 2.500% além dos dividendos.

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Investidores especialistas indicam, inclusive, que o que ocorreu nas últimas décadas não foi apenas uma valorização da bolsa americana, mas também uma desvalorização do dólar e uma valorização dos ativos reais, tais como empresas, terrenos e do próprio ouro.

Ouro x bitcoin

Por fim, considero válida uma breve comparação entre o ouro e as moedas digitais como, por exemplo, o bitcoin. A criptomoeda é uma brilhante invenção com muitos méritos e deve aumentar sua influência como investimento e no comércio mundial. Contudo, estudos iniciais indicam que não deve ser considerado como um componente anticíclico na carteira.

Pelo contrário, o bom desempenho do bitcoin, até o momento, está mais relacionado às valorizações das startups de tecnologia do Silicon Valley, sem qualquer correlação anticíclica com macroeconomia ou geopolítica, conforme mencionado.

Em síntese, ao longo das últimas décadas o ouro deixou de ser lastro para as moedas de cada país, mas continuou a ser amplamente usado como alternativa de investimento por aqueles que tenham dúvidas quanto à estabilidade macroeconômica ou geopolítica mundial ou aqueles que querem diversificar o risco de suas carteiras e melhorar a relação risco e retorno.

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O ouro no mundo pós-pandemia

O momento atual é de incertezas. Ainda que em menor velocidade no Brasil, as vacinas contra a covid mostram-se eficazes o que indica que a pandemia vai passar, porém os seus efeitos macroeconômicos ainda estão no início.

Ate o momento, foram injetados mais de US$ 20 trilhões de estímulos nas economias. Como referência, todo o ouro minerado até hoje cabe em duas piscinas olímpicas e vale pouco mais de US$ 10 trilhões, cerca da metade dos incentivos econômicos criados pelos países nos últimos 12 meses.

Recentemente, o governo dos EUA discute mais um pacote de US$ 2 trilhões em novos investimentos, em um cenário em que o endividamento americano atinge seu pico sem precedentes de 130% do Produto Interno Bruto (PIB) e um déficit de US$ 3 trilhões de dólares em 2020, três vezes maior do que 2019 e o maior desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Assim sendo, é muito difícil prever, hoje, qual será o caminho que a economia nos Estados Unidos tomará após a pandemia. Tudo pode voltar às altas taxas de crescimento conforme Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan, recentemente comentou em sua carta aos acionistas.

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Entretanto, uma severa piora de as contas públicas somada à pressão inflacionária não pode deixar de também ser considerada. Com isso, uma possível deterioração dos Estados Unidos terá efeitos sobre todo o mundo e, em especial, sobre o Brasil, que já se encontra bem fragilizado pela pandemia.

Conforme escreveu Ray Dalio, gestor fundador do maior hedge fund do mundo, “Cash is Trash.” Ele prevê a possibilidade de o dólar perder o valor com a inflação e ou sua desvalorização. Neste cenário de incertezas, a diversificação e a procura por ativos reais, entre eles o ouro, devem ser seriamente consideradas.

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