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Se eu fosse desafiada a resumir o sentimento do mercado financeiro sobre o mais novo imbróglio para a aprovação da PEC dos precatórios, seria obrigada a evocar uma célebre frase da ex-presidente Dilma Rousseff. “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”.
Vai todo mundo perder. É mais ou menos assim que os analistas explicam o desconforto visto no Ibovespa nesta quinta-feira (04), mesmo após a PEC dos precatórios ter sido aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados na noite de ontem.
E foram inúmeros os motivos que ajudaram o principal índice da bolsa a fechar o dia em uma queda acentuada de 2,09%, aos 103.412 pontos, e dólar e juros terem mais uma sessão de alta.
O placar para a aprovação na Câmara foi apertado - 312 votos a favor e 144 contra. E tudo leva a crer que o segundo turno será ainda mais complicado. Isso porque alguns deputados que votaram a favor da PEC desrespeitaram o posicionamento geral de seus partidos, gerando um grande mal-estar político.
Além da oposição tradicional, o governo pode enfrentar resistência do PSDB no Senado e verá o PSB e o PDT tomando medidas para evitar que os deputados que votaram a favor do texto inicialmente repitam o comportamento na votação do segundo turno, que deve ocorrer na próxima terça-feira (09), de acordo com o presidente da Câmara, Arthur Lira.
Outro motivo de preocupação é que, para manter uma base de apoio, o governo deve abrir ainda mais a carteira para contemplar novas emendas parlamentares.
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Aprovado ou não, o texto não agrada em nada o mercado. No entanto, a aprovação é vista como o "menor pior" dos cenários, já que é a forma de ter pelo menos uma noção de qual será o limite de gastos do governo, ainda que a situação fique longe do ideal.
Não à toa o humor se deteriorou ao longo do dia, mesmo com o Nasdaq e o S&P 500 renovando mais uma vez suas máximas de fechamento. Além da queda do Ibovespa, o dólar à vista avançou 0,29%, a R$ 5,6061, também pressionado pela queda maior que a esperada dos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, e a curva de juros devolveu boa parte do alívio visto ontem.
Veja tudo o que movimentou os mercados nesta quinta-feira, incluindo os principais destaques do noticiário corporativo e as ações com o melhor e o pior desempenho do Ibovespa.
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