Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Por que recomendamos fundos sistemáticos

Bruno Merola
12 de fevereiro de 2021
11:40 - atualizado às 13:21

Nos últimos dias, investidores receberam a notícia de que o fundo multimercado Giant Zarathustra reabrirá para captação, pela última vez, no dia 1º de março.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Após a breve janela que pode se encerrar a qualquer momento, a estratégia será fechada de forma definitiva, de acordo com a gestora Giant Steps.

Como um dos três leitores desta newsletter que assina o Melhores Fundos sabe, o fundo é um dos mais pedidos pelos assinantes da série há muito tempo. Eles têm razão: o Zara, que completa nove anos no mês seguinte, tem a rara combinação de retornos elevados (acima de 16% ao ano, ou CDI + 7,4%), consistência de longo prazo e baixa correlação com a indústria.

Para dar uma ideia de consistência, se sorteássemos aleatoriamente um investidor do fundo que tenha ficado pelo menos dois anos investido, há 97% de probabilidade de o escolhido ter ganhado do CDI. Na média, o retorno em janelas de dois anos alcançou CDI + 8,4%.

Mas os quatro sócios-fundadores da casa vão nos desculpar, porque o intuito aqui não é divulgar o fundo. De fato, há outras casas excelentes que também estão abrindo para captação entre fevereiro e março, como Verde (com boa chance de fechar hoje na Vitreo), Kinea e Kadima.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Acontece que a notícia da reabertura reaqueceu a discussão sobre fundos sistemáticos — e já explico o porquê de preferirmos o termo a quantitativos —, então o tema merece um aprofundamento maior.

Leia Também

Fundos sistemáticos são aqueles em que um grupo de pessoas extremamente inteligentes desenvolve modelos matemáticos, estatísticos e comportamentais para identificar ineficiências de mercado. Esses modelos são testados exaustivamente de maneira robusta ao longo do tempo e, se aprovados, começam a operar para o fundo usando dados quantitativos para comprar e vender ativos de modo automatizado. Simples assim.

O que faria o parágrafo acima descrever também fundos tradicionais, discricionários, representados pela figura de um gestor? Sendo pragmático, apenas trocar o fim: em vez de automatizado, o processo de gestão tradicional conta com a experiência do gestor, seu conhecimento tácito e alguma carga emocional.

Verde, SPX, Kapitalo, JGP, Dynamo, Atmos, Bogari, Brasil Capital e outros gestores brilhantes também se baseiam em dados quantitativos, também criam modelos de arbitragem, valuation ou projeções para variáveis de mercado que sustentam suas decisões. Todos, é claro, sistemáticos ou não, usam dados passados — Minority Report ainda não é uma realidade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em relatórios, reforçamos que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Independentemente de o passado ser um bom ou mau professor, a verdade é que ele é o mesmo professor para todos. E, embora falho em identificar cisnes negros — um paradoxo, por natureza —, isso também não difere a gestão discricionária da sistemática.

Em carta trimestral de dezembro de 2017, a Kadima, tradicional gestora sistemática carioca, testou o desempenho de seu principal fundo em eventos raros contra a média da indústria nos dez anos anteriores. Na metodologia aplicada, foram considerados cisnes negros aqueles eventos que tinham retorno absoluto acima de quatro desvios-padrão e que aconteciam quando o mercado não estava em regime de volatilidade elevada.

O resultado é o oposto do senso comum: em 81% dos eventos, o fundo da gestora acumulou resultado positivo três dias após o evento, frente a 52% da média da indústria. A média de ganhos no período também ficou em extremos: 0,63% para o fundo e -0,27% para o IFMM, índice de multimercados do BTG Pactual.

Dados passados por si só não garantem nenhum poder mágico de previsibilidade, mas a diferença hoje está na velocidade de análise. Em uma fração de segundo, modelos sistemáticos podem ler milhares de cotações de centenas de ativos, analisar tendências, identificar padrões de comportamento e tomar uma decisão. Para não limitar a análise ao campo matemático, também são capazes de analisar e interpretar portais de notícias e atas de bancos centrais pelo mundo, em diferentes línguas, para ajudar na tomada de decisão.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Tempo é dinheiro. E se você pudesse ter antes do mercado uma estimativa melhor de números que só serão divulgados daqui a três meses? Que tal drones monitorando o número de caminhões por dia que saem do galpão de uma varejista listada ou modelos proprietários que medem, em tempo real, o grau de isolamento social causado pela Covid-19 e seu impacto na atividade?

Não basta, porém, desenvolver um modelo e aguardar seus resultados. Os melhores fundos estão constantemente testando suas próprias convicções e trazendo o estado da arte na teoria acadêmica para a prática.

Em maio de 2017, quando vazou o áudio da delação da JBS, o próprio Giant Zarathustra teve uma queda (sua pior até hoje) de quase 18% em um dia. Esse foi o gatilho para o time de gestão desenvolver um modelo de risco que mitigasse o risco de liquidez causado pelo evento. Em 2020, a queda de apenas 4% em março mostra o resultado dessa evolução.

O processo de “financial deepening” também trará o aumento do uso de tecnologia e dados para o centro da discussão na gestão de fundos de investimento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Hoje, são quase R$ 11 bilhões investidos em fundos sistemáticos no Brasil, 0,18% da indústria. No extremo oposto, estima-se que a gestora sistemática Renaissance tenha algo próximo a US$ 166 bilhões sob gestão (cerca de R$ 900 bilhões), tamanho correspondente a 15% do nosso mercado. Aliás, seu fundo Medallion é considerado por muitos como o melhor da história, com retorno de 30% ao ano líquido de taxas nos últimos 22 anos.

Outra dúvida comum é quanto ao peso dado à análise quantitativa em detrimento da qualitativa. O conhecimento de mercado das cabeças por trás da criação dos modelos, seus processos mentais e, na ponta final, como as diferentes ideias interagem entre si, continuam sendo de extrema importância. Porém, não há dúvidas de que os números ganham valor: é mais fácil de explicar as causas de resultados que estão parametrizados do que os que vieram puramente de feeling. O oposto também é verdadeiro: é muito mais fácil retirar a sugestão de um multimercado sistemático que está em uma janela perdedora em cinco anos, não condizente com o esperado pelo modelo, do que de um gestor que pode estar passando por alguma questão pessoal.

Fundos sistemáticos não tornam obsoletos os discricionários, mas os complementam e se misturam a eles. De um lado, velocidade, imparcialidade na execução e pragmatismo são impossíveis de serem replicadas pelos seres humanos sem o apoio da tecnologia. Do outro, décadas de experiência de mercado e o melhor computador que já existiu, nosso cérebro e todas suas emoções.

Recentemente, várias gestoras têm incluído books sistemáticos em seus próprios fundos multimercados ou criado estratégias separadas para se aproveitarem dessas vantagens, como Kinea, Garde, Canvas e Claritas, o que torna a diferença entre “quants” e “não quants” cada vez mais cinza.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Se até os grandes gestores de mercado estão passando a reconhecer o valor dessas estratégias em seus portfólios, não somos nós que ficaremos presos a dogmas do passado sobre a classe.

“Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião. E o senhor, o que faz?”

Um abraço.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Quando Ormuz trava, o mundo sente: como se proteger da alta das commodities e de um início de um novo ciclo

24 de março de 2026 - 7:25

O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O problema de R$ 17 bilhões do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o efeito da guerra nos mercados, e o que mais você precisa saber para começar a semana

23 de março de 2026 - 8:20

O Grupo Pão de Açúcar pode ter até R$ 17 bilhões em contas a pagar com processos judiciais e até imposto de renda, e valor não faz parte da recuperação extrajudicial da varejista

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação vencedora no leilão de energia, troca no Santander (SANB11), e o que mais mexe com a bolsa hoje

20 de março de 2026 - 7:56

Veja qual foi a empresa que venceu o Leilão de Reserva de Capacidade e por que vale a pena colocar a ação na carteira

SEXTOU COM O RUY

Eneva (ENEV3) cumpre “profecia” de alta de 20% após leilão, mas o melhor ainda pode estar por vir

20 de março de 2026 - 6:03

Mesmo após salto expressivo dos papéis, a tese continua promissora no longo prazo — e motivos para isso não faltam

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ruptura entre trabalho e vida pessoal, o juízo final da IA, e o que mais move o mercado hoje

19 de março de 2026 - 8:21

Entenda por que é essencial separar as contas da pessoa física e da jurídica para evitar problemas com a Receita

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ainda sobre hedge — derivadas da pernada corrente

18 de março de 2026 - 20:00

Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A corrida do Banco Central contra a inflação e o custo do petróleo, a greve dos caminhoneiros e o que mais afeta os mercados hoje

18 de março de 2026 - 8:18

Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como o petróleo mudou o jogo para o Copom e o Fed, a vantagem do Regime Fácil para as empresas médias, e o que mais move as bolsas hoje

17 de março de 2026 - 8:46

O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Do conflito no Oriente Médio ao Copom: como o petróleo mudou o jogo dos juros

17 de março de 2026 - 7:35

O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

VISÃO 360

A classe média que você conheceu está morrendo? A resposta é mais incômoda

15 de março de 2026 - 8:00

Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia