Prévia para amanhã? Bolsas de NY fecham em queda e ativos brasileiros sentem o baque no exterior
Nem mesmo os dados mais animadores da economia americana foram capazes de impedir que os mercados acionários terminassem o dia no vermelho

Dormir sem ser assombrada pelo fantasma do despertador, ler alguns capítulos de um bom livro, pedir uma pizza e maratonar alguma série antes de voltar para a cama. Essa é a programação perfeita de um feriado para mim.
Em outros tempos, acrescentaria uma visita à família e amigos ou uma ida ao parque também. Porém, com a pandemia ainda a todo vapor, me contento apenas em garantir que seja um dia tranquilo.
[captacao]
Assim como eu, com as negociações locais fechadas, os mercados brasileiros tiveram um calmo feriado de Corpus Christi nesta quinta-feira (3). Porém, os investidores que voltaram suas atenções para o exterior viram que, lá fora, o dia passou longe da tranquilidade.
As bolsas dos Estados Unidos e Europa operaram majoritariamente em queda ao longo do pregão e nem mesmo os dados mais animadores da economia americana foram capazes de impedir que os mercados acionários terminassem o dia no vermelho.
Dados econômicos de lado
O Departamento do Trabalho dos EUA divulgou que 385 mil novos pedidos de seguro-desemprego foram registrados na semana encerrada em 29 de maio — é a primeira vez que o indicador fica abaixo de 400 mil desde o início da pandemia.
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O índice de atividade do setor de serviços dos EUA também trouxe perspectivas otimistas para a retomada econômica e ficou em 70,4 em maio, o maior nível desde o início da série histórica do indicador, iniciada em 2009.
Mas o Dow Jones, que chegou a ensaiar altas tímidas mais cedo, recuou 0,07% ao final da sessão, enquanto o S&P 500 caiu 0,36%. O Nasdaq, que concentra empresas de tecnologia, foi quem mais sentiu os efeitos da aversão ao risco, com queda de 1,03%.
Os novos atritos comerciais entre EUA e China podem ter ajudado a azedar o humor dos mercados. Segundo a Bloomberg, o presidente Joe Biden planeja aumentar a lista de restrições às companhias chinesas, mirando nas empresas com alguma conexão às forças armadas do gigante asiático.
Além disso, os investidores aguardam ansiosamente pelo relatório de empregos norte-americano (payroll), que será divulgado amanhã e pode modificar os rumos da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
E o Brasil com isso?
Resta saber se o pessimismo continuará reinando amanhã e prejudicará os mercados locais. É de se esperar que, com o retorno das negociações por aqui, os papéis negociados na B3 sofram algum ajuste referente ao comportamento dos ativos internacionais.
Vale lembrar que o Ibovespa, principal índice acionário do Brasil, vem alcançando marcas históricas nos últimos dias. Ontem (2) o índice teve alta de 1,04%, aos 129.601,44 pontos — sua sexta sessão consecutiva de ganhos e o quarto dia seguido de recordes de fechamento.
O EWZ, principal fundo de índice (ETF) de ações do país em Nova York — e que, em linhas gerais, replica a carteira do Ibovespa —, recuou 0,95% hoje.
Ativos brasileiros sofrem
Além do índice, veja também como foi o desempenho dos principais recibos de ações (ADRs) de companhias brasileiras nas bolsas americanas:
- Petrobras (PBR): -0,18%;
- Vale (VALE): -1,19%;
- Gerdau (GGB): -2,12%;
- CSN (SID): -2,18%;
- Itaú Unibanco (ITUB): -0,16%;
- Bradesco (BBD): -1,21%;
- Ambev (ABEV): -0,52%.
Europa e Ásia
O contexto mais cauteloso também foi verificado nos mercados da Europa, que fecharam majoritariamente em baixa — destaque para a bolsa de Londres, que teve perdas mais firmes:
- Alemanha (DAX): +0,19%;
- Reino Unido (FTSE 100): -0,61%;
- França (CAC 40): -0,21%;
- Espanha (IBEX 35): -0,42%;
- Itália (FTSE MIB): +0,29%
- Euro Stoxx 600: -0,12%.
Os mercados asiáticos mostraram desempenhos mistos: no Japão, o índice Nikkei 225 fechou em alta de 0,35% e, na Coreia do Sul, o KOSPI avançou 0,72%. Na China, a bolsa de Xangai recuou 0,36%.
Commodities, câmbio e outros mercados
Entre as commodities, o petróleo reverteu a tendência dos últimos dias e fechou em leve baixa: o Brent para agosto caiu 0,06%, a US$ 71,31, enquanto o WTI para julho recua 0,03%, a US$ 68,81.
No câmbio, o dólar se valoriza em escala global: o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta com as principais divisas do mundo, sobe 0,66%; a tendência é a mesma em comparação com as moedas de países emergentes.
E, falando em emergentes: o EEM, principal ETF desse tipo de mercado em Nova York, caiu 1,07% — mais um sinal de que, ao menos por hoje, os investidores globais não estão com apetite ao risco.
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