Infracommerce (IFCM3) dispara 10% com ‘aquisição transformacional’; outras techs sentem o baque e caem
A Infracommerce (IFCM3) acertou a compra da Synapcom, ganhando escala no B2B — e pagando um preço relativamente baixo pela rival
A semana começou agitada no mundo tech: de um lado, a Infracommerce (IFCM3) sobe forte e desponta entre as maiores altas de toda a bolsa nesta segunda-feira (27); do outro, nomes como Locaweb (LWSA3) e Totvs (TOTS3) — as duas representantes do setor no Ibovespa — caem mais de 3%, aparecendo entre as maiores baixas do índice. O movimento tem relação com o noticiário corporativo, mas também passa por questões técnicas.
Indo por partes: o gatilho foi a operação anunciada mais cedo pela Infracommerce, com a compra de 100% da Synapcom. Ambas as companhias têm mais ou menos o mesmo objetivo: fornecer todas as ferramentas para quem deseja entrar no e-commerce — desde a parte tecnológica da montagem dos sites até as questões operacionais, como o armazenamento de produtos e logística de entrega.
A diferença está no foco de cada uma: enquanto a Infracommerce atua mais no B2B (business to business, ou o comércio entre empresas), a Synapcom é forte no B2C (business to consumer, ou o varejo voltado ao consumidor final). Ou seja, a união vai criar um conglomerado do e-commerce com uma malha logística ampla e capacidade para atender clientes com diferentes perfis — isso sem falar nos potenciais ganhos de sinergia.
No lado qualitativo, o racional da operação é muito claro: juntas, as duas rivais atingem uma escala muito maior e podem capturar uma base de clientes mais ampla, ganhando participação de mercado no concorrido segmento do e-commerce. E, no lado quantitativo, os analistas gostaram do que viram; o R$ 1,2 bilhão que a Infracommerce vai pagar pela Synapcom foi considerado bastante atrativo.
Infracommerce (IFCM3): um novo patamar
Em relatório, os analistas Carlos Sequeira e Osni Carfi, do BTG Pactual, destacam que a Synapcom tem uma receita recorrente anualizada de R$ 275 milhões — assim, a operação foi fechada por cerca de 4,4 vezes essa cifra. É um múltiplo inferior ao valuation da própria Infracommerce, que é negociada a 7,1x EV/Vendas.
"E isso por um player que está crescendo muito mais e tem margens muito maiores", escrevem os analistas, ressaltando que o crescimento orgânico da Synapcom entre 2018 e 2020 foi de 109% ao ano, uma taxa bem maior que os 54% da Infracommerce no mesmo período.
Leia Também
Antes de prosseguir, informamos em nossa página do Instagram que a Bolsa brasileira está no melhor preço desde a crise global de 2008. Isso faz com que seja um ótimo momento para comprar ações. Clique no post abaixo e confira.
Aproveite pra nos seguir no Instagram (basta clicar aqui). Lá, você recebe gratuitamente análises de mercado, notícias relevantes para o seu patrimônio, oportunidades de compra na bolsa, insights sobre carreira, empreendedorismo e muito mais.
Continuando: Sequeira e Carfi ainda ponderam que, com a aquisição, a Infracommerce se torna o player dominante na administração das operações de e-commerce de varejistas no Brasil — a compra da Synapcom vai aumentar a receita líquida da companhia em cerca de 65%.
Também em relatório, os analistas Enrico Trotta, Cristian Faria e Gabriela Moraes, do Itaú BBA, classificam a compra da Synapcom como "um movimento sólido de consolidação", considerando as complementaridades com a rede da Infracommerce e os focos em B2C e B2B que cada uma possui.
Veja abaixo os preços-alvo e recomendações das duas instituições para Infracommerce ON (IFCM3):
- BTG Pactual: Compra, preço-alvo de R$ 25,00 (potencial de alta de 42%)
- Itaú BBA: Compra, preço-alvo de R$ 27,90 (potencial de alta de 58%)
Para Felipe Miranda, sócio-fundador e CIO da Empiricus, a Infracommerce já vinha entregando uma agenda de fusões e aquisições, mas a compra da Synapcom, por sua dimensão, é "transformacional" — e isso sem falar na carteira de 60 clientes de grande porte que será agregada.
Traz bastante escala, é um business de escala, é importante diluir custos fixos. [...] Posiciona a companhia muito favoravelmente.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEFelipe Miranda, CIO da Empiricus
Infracommerce (IFCM3): ações sobem, setor cai
Por volta de 14h, as ações ON da Infracommerce (IFCM3) disparavam 9,63%, a R$ 17,68. Com os ganhos de hoje, os papéis agora acumulam alta de 10,5% desde o IPO — a empresa chegou à bolsa cotada a R$ 16,00.
O bom desempenho das ações da Infracommerce, no entanto, destoa do restante do setor de tecnologia. Locaweb ON (LWSA3), por exemplo, cai 4,43%; Mosaico ON (MOSI3) recua 5,23%; Totvs ON (TOTS3) tem baixa de 2,97%; Bemobi ON (BMOB3) desvaloriza 1,91%.
Para um gestor de ações de uma asset paulista, a queda generalizada das ações do setor de tecnologia se deve ao mau desempenho do Nasdaq: famoso por concentrar as big techs globais, o índice americano recua 0,7% hoje. "IFCM3 sobe por causa da aquisição; se não tivesse feito esse deal, estaria caindo junto com as outras", diz ele.
Outro gestor, no entanto, pondera que há um movimento de rotação dentro do setor de tecnologia: ações de empresas mais consolidadas ou que tiveram um desempenho mais forte no passado recente estão dando lugar a Infracommerce ON e Desktop ON (DESK3) — que anunciou hoje a compra da LPNet e sobe 8,50%.

Veja também: Vale (VALE3) está barata? Ação tem espaço para pagar mais dividendos
Com invasão dos EUA na Venezuela, como fica o preço do petróleo e o que pode acontecer com a Petrobras (PETR3) e junior oils
Empresas petroleiras brasileiras menores, como Brava (BRAV3) e PetroRio (PRIO3), sofrem mais. Mas a causa não é a queda do preço do petróleo; entenda
Pão de Açúcar (PCAR3) tem novo CEO depois de meses com cargo ‘vago’. Ele vai lidar com o elefante na sala?
Alexandre Santoro assume o comando do Grupo Pão de Açúcar em meio à disputa por controle e a uma dívida de R$ 2,7 bilhões
Nem banco, nem elétrica: ação favorita para janeiro de 2026 vem do canteiro de obras e está sendo negociada com desconto
Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro
Ação da Azul (AZUL54) em queda livre: por que os papéis estão sendo dizimados na bolsa, com perdas de 50% só hoje (2)?
Papéis derretem na bolsa após o mercado precificar os efeitos do Chapter 11 nos EUA, que envolve conversão de dívidas em ações, emissão massiva de novos papéis, fim das preferenciais e forte diluição para os atuais acionistas
Dasa (DASA3): vender ativos por metade do preço pago foi um bom negócio? Analistas respondem
Papéis chegaram a disparar com a venda de ativos, mas perderam força ao longo do dia; bancos avaliam que o negócio reduz dívida, ainda que com desconto relevante
Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) caem forte com tarifas da China sobre a carne bovina brasileira
País asiático impôs uma tarifa de 55% às importações que excederem a cota do Brasil, de 1,1 milhão de toneladas
FIIs de galpões logísticos foram os campeões de 2025; confira o ranking dos melhores e piores fundos imobiliários do ano
Entre os destaques positivos do IFIX, os FIIs do segmento de galpões logísticos vêm sendo beneficiados pela alta demanda das empresas de varejo
Petrobras (PETR4): por que ação fechou o ano no vermelho com o pior desempenho anual desde 2020
Não foi só o petróleo mais barato que pesou no humor do mercado: a expectativa em torno do novo plano estratégico, divulgado em novembro, e dividendos menos generosos pesaram nos papéis
As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?
Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira
Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos
Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano
Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha
A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro
Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP
Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real
Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal
Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais
3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley
O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar
Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro
Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira
Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?
No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%
LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro
Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana
R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista
Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias
Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana
O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo
Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques
Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas
