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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Uma nova gigante tech

Infracommerce (IFCM3) dispara 10% com ‘aquisição transformacional’; outras techs sentem o baque e caem

A Infracommerce (IFCM3) acertou a compra da Synapcom, ganhando escala no B2B — e pagando um preço relativamente baixo pela rival

Victor Aguiar
Victor Aguiar
27 de setembro de 2021
14:19 - atualizado às 12:15
Centro de Distribuição da Infracommerce (IFCM3) em Extrema, em Minas Gerais
Centro de Distribuição da Infracommerce (IFCM3) em Extrema, em Minas Gerais. - Imagem: Infracommerce/Rafael Bernardo

A semana começou agitada no mundo tech: de um lado, a Infracommerce (IFCM3) sobe forte e desponta entre as maiores altas de toda a bolsa nesta segunda-feira (27); do outro, nomes como Locaweb (LWSA3) e Totvs (TOTS3) — as duas representantes do setor no Ibovespa — caem mais de 3%, aparecendo entre as maiores baixas do índice. O movimento tem relação com o noticiário corporativo, mas também passa por questões técnicas.

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Indo por partes: o gatilho foi a operação anunciada mais cedo pela Infracommerce, com a compra de 100% da Synapcom. Ambas as companhias têm mais ou menos o mesmo objetivo: fornecer todas as ferramentas para quem deseja entrar no e-commerce — desde a parte tecnológica da montagem dos sites até as questões operacionais, como o armazenamento de produtos e logística de entrega.

A diferença está no foco de cada uma: enquanto a Infracommerce atua mais no B2B (business to business, ou o comércio entre empresas), a Synapcom é forte no B2C (business to consumer, ou o varejo voltado ao consumidor final). Ou seja, a união vai criar um conglomerado do e-commerce com uma malha logística ampla e capacidade para atender clientes com diferentes perfis — isso sem falar nos potenciais ganhos de sinergia.

No lado qualitativo, o racional da operação é muito claro: juntas, as duas rivais atingem uma escala muito maior e podem capturar uma base de clientes mais ampla, ganhando participação de mercado no concorrido segmento do e-commerce. E, no lado quantitativo, os analistas gostaram do que viram; o R$ 1,2 bilhão que a Infracommerce vai pagar pela Synapcom foi considerado bastante atrativo.

Infracommerce (IFCM3): um novo patamar

Em relatório, os analistas Carlos Sequeira e Osni Carfi, do BTG Pactual, destacam que a Synapcom tem uma receita recorrente anualizada de R$ 275 milhões — assim, a operação foi fechada por cerca de 4,4 vezes essa cifra. É um múltiplo inferior ao valuation da própria Infracommerce, que é negociada a 7,1x EV/Vendas.

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"E isso por um player que está crescendo muito mais e tem margens muito maiores", escrevem os analistas, ressaltando que o crescimento orgânico da Synapcom entre 2018 e 2020 foi de 109% ao ano, uma taxa bem maior que os 54% da Infracommerce no mesmo período.

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Continuando: Sequeira e Carfi ainda ponderam que, com a aquisição, a Infracommerce se torna o player dominante na administração das operações de e-commerce de varejistas no Brasil — a compra da Synapcom vai aumentar a receita líquida da companhia em cerca de 65%.

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Também em relatório, os analistas Enrico Trotta, Cristian Faria e Gabriela Moraes, do Itaú BBA, classificam a compra da Synapcom como "um movimento sólido de consolidação", considerando as complementaridades com a rede da Infracommerce e os focos em B2C e B2B que cada uma possui.

Veja abaixo os preços-alvo e recomendações das duas instituições para Infracommerce ON (IFCM3):

  • BTG Pactual: Compra, preço-alvo de R$ 25,00 (potencial de alta de 42%)
  • Itaú BBA: Compra, preço-alvo de R$ 27,90 (potencial de alta de 58%)

Para Felipe Miranda, sócio-fundador e CIO da Empiricus, a Infracommerce já vinha entregando uma agenda de fusões e aquisições, mas a compra da Synapcom, por sua dimensão, é "transformacional" — e isso sem falar na carteira de 60 clientes de grande porte que será agregada.

Traz bastante escala, é um business de escala, é importante diluir custos fixos. [...] Posiciona a companhia muito favoravelmente.

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Felipe Miranda, CIO da Empiricus

Infracommerce (IFCM3): ações sobem, setor cai

Por volta de 14h, as ações ON da Infracommerce (IFCM3) disparavam 9,63%, a R$ 17,68. Com os ganhos de hoje, os papéis agora acumulam alta de 10,5% desde o IPO — a empresa chegou à bolsa cotada a R$ 16,00.

O bom desempenho das ações da Infracommerce, no entanto, destoa do restante do setor de tecnologia. Locaweb ON (LWSA3), por exemplo, cai 4,43%; Mosaico ON (MOSI3) recua 5,23%; Totvs ON (TOTS3) tem baixa de 2,97%; Bemobi ON (BMOB3) desvaloriza 1,91%.

Para um gestor de ações de uma asset paulista, a queda generalizada das ações do setor de tecnologia se deve ao mau desempenho do Nasdaq: famoso por concentrar as big techs globais, o índice americano recua 0,7% hoje. "IFCM3 sobe por causa da aquisição; se não tivesse feito esse deal, estaria caindo junto com as outras", diz ele.

Outro gestor, no entanto, pondera que há um movimento de rotação dentro do setor de tecnologia: ações de empresas mais consolidadas ou que tiveram um desempenho mais forte no passado recente estão dando lugar a Infracommerce ON e Desktop ON (DESK3) — que anunciou hoje a compra da LPNet e sobe 8,50%.

Gráfico de linha mostrando o comportamento das ações ON da Infracommerce (IFCM3) desde o IPO

Veja também: Vale (VALE3) está barata? Ação tem espaço para pagar mais dividendos

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