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Kaype Abreu

Kaype Abreu

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros.

perspectivas

Howard Marks, ‘guru’ de Warren Buffett, nega bolha de ativos, mas vê crescimento lento como desafio

Cofundador da Oaktree Capital diz ver mundo mais desafiador para investidores; para quem planeja mais precaução, gestor recomenda aumento de caixa e mudança em sortimento de ativos

Kaype Abreu
Kaype Abreu
19 de abril de 2021
17:21 - atualizado às 19:20
Imagem: Divulgação

A intensa alta dos ativos globais de maior risco, com dinheiro jorrando pelos bancos centrais e as economias ainda em recuperação, levou parte do mercado financeiro a questionar se não estaria sendo formada uma "bolha de liquidez".

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Para Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital e uma das referências para grandes investidores como o bilionário Warren Buffett, ao menos nos Estados Unidos a atividade econômica apoiará a alta dos ativos.

Especialista em ciclos de mercado, o gestor foi uma das vozes que defendeu a compra de ativos no auge do pânico entre os investidores provocado pela pandemia do coronavírus, em março do ano passado.

Agora, o executivo da gestora que administra US$ 110 bilhões em ativos entende que, apesar da forte valorização dos ativos, incluindo as bolsas, o forte desempenho da economia sustenta a avaliação positiva. Para este ano, a previsão é de que o PIB dos Estados Unidos cresça até 7%.

"A economia pode virar pela 'psicologia' das pessoas, com influência de alguma variante [da covid-19], mas não acho que seja esse o caso", disse Marks em entrevista ao estrategista-chefe da Empiricus, Felipe Miranda, transmitida ao vivo nesta segunda-feira (19).

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O gestor também lembrou que o Fed, o banco central dos EUA, indicou que manterá a taxa básica de juros em patamares baixos por bastante tempo — hoje está entre 0% e 0,25%.

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Conhecido pelos famosos "memos", cartas aos investidores que se tornaram leitura obrigatória pelo mercado, Marks disse que, apesar do desempenho acima da média neste ano, a economia deve crescer em ritmo menor em relação a décadas anteriores à da crise de 2008, quando a atividade foi puxada pelo aumento da globalização, avanço da tecnologia e ausência de grandes guerras.

"As pessoas que viveram esse período podem se perguntar quando voltaremos ao normal. Acho que não voltaremos a ter isso", disse Marks. "Teremos crescimento lento, o que criará desafios para todos".

Para os investidores o desafio diria respeito a ganhar dinheiro em um mundo com farta informação. Marks lembrou que no início de sua carreira, no final dos anos 1960, investir não era popular e não havia computadores ou uma grande base de dados sobre as empresas.

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"Hoje todo mundo sabe de tudo. Ter toda a informação não pode ser a definição do sucesso. O mercado é mais competitivo", disse. "Para encontrar barganhas, você tem que fazer um trabalho superior em analisar e interpretar a informação".

A outra opção de busca por bons investimentos seria tentar prever o futuro, mas "não é um bom caminho", comentou o "guru" de Buffett.

Para o gestor, todo investimento se trata de um julgamento sobre o futuro, mas com desafios, como o de saber se o fluxo de caixa de uma empresa vai se manter com as mudanças tecnológicas.

Como se proteger

O executivo da Oaktree Capital deu ao menos duas dicas para o investidor que deseja ser mais precavido diante das incertezas: aumentar o caixa e mudar o sortimento de ativos na carteira.

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"Bonus [títulos de dívida] são mais seguros que ações, baixas aspirações são mais seguras que a busca por alto crescimento", disse. "No curto prazo, as empresas [do setor de] alimentos são de menor risco se comparadas às de tecnologia".

Marks seguiu com o exemplo de ações de países desenvolvidos, que seriam mais seguras que as de países emergentes. "Mesmo sem mudar a sua alocação de ativo, você pode ir para táticas mais seguras", disse.

Segundo ele, há poucos gestores que tem grande potencial para lidar com cenários agressivos e defensivos. "Em geral, sou um gestor defensivo de alto nível", disse.

O americano fundou a Oaktree com mais quatro sócios em 1995, aplicando ao longo do tempo principalmente em investimentos alternativos, como títulos de dívidas problemáticas. "O mais importante é ser realista e ter uma expectativa razoável", disse.

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Ele também deu uma dica preciosa para quem pretende ter sucesso no mercado financeiro:

"Tem que investir começando cedo, ser disciplinado, manter as despesas contidas e deixar esse dinheiro sem perturbá-lo. O investidor individual não deve achar que ele vai ser melhor que todo mundo."

Marks vê poucas chances de um investidor bater o mercado operando sozinho, ainda mais sem se dedicar inteiramente a essa atividade.

"A maioria das pessoas não se medica sozinha, não conserta seu carro por conta própria. Você tem que ser ajudada por quem sabe fazer isso — ou entrar em um fundo de índice", disse o gestor da Oaktree, cujos fundos podem ser encontrados pelos investidores em plataformas de investimento, como BTG Digital, Vitreo e XP.

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