Ibovespa sobe com disparada da Petrobras, enquanto dólar fecha em queda
Coronavírus no exterior, eleições nos EUA e na Câmara dos Deputados prosseguem no radar de investidores; na reta final da sessão, no entanto, melhora na busca por risco com salto do petróleo estimulou bolsas e pesou sobre moeda americana

A sessão desta terça-feira (5) dos mercados financeiros se iniciou com cautela, à medida que os investidores adotavam uma postura defensiva com os riscos associados à expansão dos casos de coronavírus e à eleição na Geórgia para o Senado dos Estados Unidos, além de monitorarem a situação fiscal do Brasil e as eleições do Congresso.
Quem olhar para o estado dos negócios por volta das 17h — ou seja, agora —, terá, no entanto, uma visão muito diferente: os ativos locais melhoraram, empurrados pela alta das commodities, deixando de lado, ao menos temporariamente, crescentes riscos relacionados à solvência do país e o pleito na Câmara dos Deputados.
O Ibovespa opera em alta de 0,4%, cotado aos 119.300 pontos, impulsionado pelas ações da Petrobras, que disparam quase 4% com a perspectiva de não só manutenção, mas de ampliação dos cortes na produção do petróleo.
Os papéis da gigante estatal viraram para o campo positivo a partir de 11h30, acompanhando o preço do barril do Brent no mercado internacional, que sobe fortemente — os contratos futuros para março disparam 5%, acima dos US$ 53.
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A Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) decidiu pelo aumento nos cortes na produção da commodity energética.
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Será a Arábia Saudita, uma das maiores produtoras de petróleo, quem reduzirá o seu nível de produção em 1 milhão de barris por dia (bpd) em fevereiro e março, informou o cartel hoje.
A medida tem teor "preventivo" e foi tomada voluntariamente pelo reino, devendo assim compensar o aumento da produção de Rússia e Cazaquistão em 75 mil bpd, autorizada pela Opep+. O ministro de Energia saudita informou em coletiva de imprensa que não está preocupado com a demanda global pelo petróleo.
Enquanto isso, papéis de siderúrgicas passaram a operar em alta, depois que o minério de ferro encerrou a sessão novamente em alta na China.
Vale ON também sobe e faz o índice buscar as máximas do dia.
Ação de peso-pesado, Itaú PN diminuiu as quedas e opera perto da estabilidade no mesmo horário, o que contribui com certo alívio do índice, ainda que papéis Bradesco PN e Banco do Brasil ON continuem com perdas.
As ações de companhias que sofreram com as medidas de isolamento social, como de aéreas e shoppings, e que amargavam perdas firmes hoje, mudaram de sentido e sobem.
Wall Street sobe, Europa fecha em queda
Nos mercados acionários no exterior, as principais índices das bolsas americanas operam em alta — a maior fica por conta do índice Nasdaq, que lista ações de empresas de tecnologia. Os índices ganham ao menos 0,7%.
Enquanto isso, na Europa, os índices acionários à vista fecharam dando sinais mistos.
O DAX, em Frankfurt, caiu 0,55%, e o CAC-40, em Paris, 0,4%. Enquanto isso, o FTSE 100, da bolsa de Londres, foi o único dos principais índices a operar no azul, fechando em ganhos de 0,6%.
O movimento de alta vem após um pacote de estímulos no valor de 4,6 bilhões de libras em meio ao lockdown anunciado pelo premiê britânico, Boris Johnson, ontem. A medida é válida para a Inglaterra até pelo menos meados de fevereiro, em face do número recorde de casos da de covid-19 no fim de semana.
O aumento dos casos de covid-19 foi um dos focos de atenção dos investidores globais.
Se ontem foi o Reino Unido que decidiu por um lockdown nacional, hoje foi a Alemanha quem decretou a mesma medida de restrição, válida por lá até 31 de janeiro. Na Grécia, um lockdown breve foi decretado até 11 de janeiro.
Agentes financeiros também acompanharam com atenção as eleições para o Senado americano. Se os democratas ganharem as duas cadeiras, o governo do presidente eleito, Joe Biden, terá mais facilidade para aprovar novas leis.
De um lado, estímulos fiscais adicionais seriam ainda mais prováveis se os democratas controlassem o Congresso e a Casa Branca, o que favoreceria as bolsas — mais liquidez propicia uma alocação maior dos recursos em ativos de risco.
De outro, a perspectiva de aumento de impostos sobre empresas e mais regulamentação sobre "big techs" cria incertezas nos mercados com a predominância da mão do governo sobre "a mão invisível".
Dólar fecha dia em queda após disparada e juros reduzem alta
O velho risco do coronavírus contribui com alguma incerteza a respeito da retomada da economia global e faz com que os investidores tirem o pé da compra de bolsas e optem por mais proteção, como o dólar.
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No entanto, a melhora no sentimento dos investidores ao longo da sessão alterou a história do dia nos mercados e, por fim, acabou pesando — se bem que de leve — no dólar.
No fim do dia, o dólar operava em queda de 0,15%, aos R$ 5,2603, já bem distante da sua máxima intradiária. No pico, a divisa superou os R$ 5,35, em disparada de 1,63%.
O movimento de baixa ficou em linha com o enfraquecimento do dólar contra divisas emergentes. Dentre elas, o real é o que mais perdia frente ao dólar anteriormente.
A percepção é de que o problema fiscal do país ainda pesa sobre a moeda do país em dias de aversão ao risco, piorando o desempenho da moeda em comparação com as de pares emergentes — esta era a situação que se via mais cedo na sessão.
Mas, no fim das contas, o melhor apetite ao risco, com altas mais firmes em Nova York e a recuperação do Ibovespa com a alta do petróleo estimularam uma busca por bolsa e uma venda de dólar.
Do ponto de vista local, outro fator também inspirou cautela: as eleições para a Câmara dos Deputados. O apoio do PT ao candidato de Rodrigo Maia, Baleia Rossi, do MDB.
Isto porque o partido se opõe a medidas favoráveis ao mercado, como reformas e privatizações, e a sua bancada é a maior da casa legislativa, um importante apoio para o candidato. De outro lado, o candidato do governo Jair Bolsonaro no pleito é Artur Lira, do PP.
Em troca do apoio, o PT quer que Rossi defenda a renda básica e também "empresas estratégicas para o desenvolvimento do país que se encontram ameaçadas de extinção", segundo carta de siglas de oposição ao governo.
"Em outras palavras, a vida do governo será bem dura com a vitória de Rossi", escreveu a consultoria Wagner Investimentos em relatório.
Enquanto isso, os juros futuros tiveram fortes altas, em um cenário de aumento de risco, contribuindo para a inclinação da curva de taxas futuras.
Mais cedo, o Tesouro Nacional vendeu 1,3 milhão de NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional série B), títulos públicos com rentabilidade atrelada ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
Foram ofertados 750 mil NTN-Bs com vencimento em agosto de 2026, 500 mil para agosto de 2030 e 50 mil para maio de 2055.
Os juros de médio prazo, para janeiro/2024, disparam 10 pontos-base (quase 0,1 ponto percentual). As taxas longas, por exemplo as para janeiro/2026, subiram em mesmo magnitude, já distantes do pico, indicando uma evolução positiva no sentimento do investidor com a alta das bolsas americanas lá fora e do Ibovespa.
As taxas curtas, para janeiro de 2022, tiveram alta firme, de 7 pontos-base, fechando perto das máximas.
Veja abaixo os juros dos principais vencimentos:
- Janeiro/2022: de 2,83% para 2,90%
- Janeiro/2023: de 4,18% para 4,30%
- Janeiro/2024: de 5,080% para 5,185%
- Janeiro/2026: de 6,06% para 6,16%
FUTURO NEBULOSO
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