Menu
2020-03-19T14:02:47-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Títulos públicos

Salto nas taxas de juros abriu oportunidade de compra no Tesouro Direto; se você conseguir comprar, claro

Taxas subiram a patamares atrativos em momento de estresse, mas juros altos não se justificam, dizem especialista

19 de março de 2020
5:40 - atualizado às 14:02
Ilustração de homem encontrando tesouro representa oportunidade de investimento
Imagem: POMB/Seu Dinheiro

Com a grande aversão a risco que temos visto no mês de março e a disparada do dólar, as taxas de juros futuros no mercado brasileiro deram um saldo, mesmo com a perspectiva, agora concretizada, de novo corte na Selic pelo Banco Central.

Embora a volatilidade do mercado de juros nos últimos dias esteja intensa, se você der uma olhada nos gráficos das taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto vai ver que elas realmente mudaram de patamar de fevereiro para março.

Você pode conferir os gráficos interativos de preços e taxas desses títulos públicos no próprio site do Tesouro Direto.

Basicamente, as taxas voltaram a patamares de mais ou menos um ano atrás. Ao longo de 2019, os juros recuaram, valorizando os títulos prefixados e atrelados à inflação, que se beneficiam das quedas nos juros. Afinal, quando a taxa cai, o preço sobe, e vice-versa.

Os títulos prefixados, que vinham pagando uma remuneração entre 6% e 7% ao ano, agora voltaram a pagar acima de 7%, tendo chegado até a casa dos 8%.

Os papéis atrelados à inflação (Tesouro IPCA ou NTN-B) de prazos curtos estavam pagando na casa de 2% mais IPCA, e agora subiram para o patamar de juro real de 3%. Já os de longo prazo, que remuneravam 3% e alguma coisa mais IPCA, agora estão pagando juros reais superiores a 4%.

Veja os preços e taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto ao final desta quarta-feira:

Oportunidade

Só que num mundo com perspectiva de recessão, juro zero nos EUA e juros negativos em outros países ricos, é improvável que o Banco Central brasileiro aumente juro tão cedo. Pelo menos essa é a opinião de gente de mercado com quem eu conversei nos últimos dias.

Sendo assim, esse movimento de alta nos juros parece ser pontual. Passado esse pânico inicial do mercado com o avanço do coronavírus - o que ainda não sabemos quando vai ocorrer -, as taxas devem voltar a cair, valorizando esses papéis.

"A classe dos títulos prefixados está com uma baita oportunidade. Os juros estarem subindo agora não faz sentido algum", diz Dennis Kac, CIO Brasil e sócio da gestora de fortunas Brainvest.

Ele recomenda títulos públicos prefixados com vencimento em 2023 e atrelados à inflação com vencimento em 2028. Não há NTN-B para 2028 disponível para compra no Tesouro Direto atualmente, apenas no mercado secundário. No Tesouro Direto, os vencimentos mais próximos são em 2026 ou 2031.

Alexandre Hishi, responsável pela gestão de investimentos da Azimut Brasil Wealth Management, destaca que, neste momento, nem é preciso comprar títulos muito longos para ter uma boa chance de ganho.

Em geral títulos de longo prazo têm mais "gordura", possibilitando ganhos maiores com a queda nos juros futuros, mas a volatilidade - e, portanto, o risco - também é bem maior.

Só que, para Hishi, as melhores oportunidades no momento estão nos vencimentos de 2026 e 2028, no caso das NTN-B, e 2022, 2023 e 2025, no caso dos prefixados. Para quem tem um pouco mais de apetite para risco, as NTN-B 2035 também são interessantes.

"Neste momento, muitos fundos estão sendo obrigados a encerrar posições para atender a pedidos de resgate ou por disciplina de risco mesmo. Às vezes precisam se desfazer do ativo a qualquer preço. Mas esses são movimentos técnicos", diz Hishi, ao explicar por que os juros subiram de forma aparentemente irracional.

O gestor de investimentos da Azimut acredita, ainda, que a compra de títulos públicos prefixados e atrelados à inflação neste momento pode ser uma boa pedida para aqueles investidores que ainda não migraram para a renda variável, permanecendo ultraconservadores em ativos de renda fixa tradicional.

Lembrando que estamos falando da possibilidade de ganhar com a valorização desses títulos públicos com uma futura queda de juros. Para embolsar o ganho, o investidor precisará vender o título depois que ele tiver se valorizado.

No entanto, para quem é mais conservador, também pode ser uma boa pedida comprar esses títulos não tão longos para levá-los ao vencimento a taxas relativamente atrativas, a fim de ganhar um pouco acima das aplicações atreladas à Selic e ao CDI.

O problema é conseguir comprar

O mercado de juros, no entanto, está em clima de montanha-russa, e das mais radicais. A volatilidade está tão forte que frequentemente o Tesouro Direto, plataforma on-line de negociação de títulos públicos pela pessoa física, tem ficado com as negociações suspensas.

Ontem mesmo, a plataforma ficou fechada durante todo o pregão. Apenas a negociação de Tesouro Selic (LFT) funcionou normalmente.

A suspensão do Tesouro Direto é praxe quando o mercado de juros futuros está muito volátil. Acontece que, nessas horas, são justamente os títulos prefixados e os atrelados à inflação que não podem ser negociados.

Devido à alta volatilidade, é bom que o investidor que deseje se posicionar nesses tipos de título público não perca tempo. O problema é que o Tesouro Direto precisa estar aberto para que as negociações ocorram. Se a forte volatilidade continuar, provavelmente será difícil negociar.

O pequeno investidor precisa ficar bem ligado para os momentos - às vezes pontuais - em que o Tesouro Direto tem ficado aberto para compra e venda de todos os tipos de títulos.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

em Minas Gerais

Notre Dame Intermédica compra Grupo Serpram por R$ 170 milhões

Aquisição marca avanço da empresa em Minas Gerais; mais cedo, companhia anunciou compra de outra empresa, no Sul do País

forte expansão

Unidas reporta lucro líquido de R$ 124 milhões, alta de 44,4% e melhor da história

Empresa registrou uma forte retomada no segmento de Terceirização de Frotas, que apresentou recordes de contratação

desinvestimentos

Compass apresenta proposta para adquirir participação da Petrobras na Gaspetro

Empresa, que chegou a desistir de abrir capital, não revelou valor pela fatia; processo é mais um desinvestimento da Petrobras, que desembarca de vez da companhia

Dinheiro na conta

Santander pagará R$ 1 bilhão em juros sobre capital próprio

O valor líquido por ação será de R$ 0,10859906709 por ON, com retenção de IR na fonte.

PLANOS

Agora parte do BTG, Necton vai em busca de pequenos investidores

Corretora pretende lançar iniciativas e produtos para a base dos investidores, para quem tem entre R$ 10 mil e R$ 15 mil aportados no mercado

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies