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2020-04-02T15:16:57-03:00
Críticas

Presidente do BB tem de tratar de liquidez e não sobre isolamento, diz Maia

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia aproveitou a videoconferência que realizou hoje para criticar a postura do presidente do Banco do Brasil

2 de abril de 2020
15:16
Maia reforma tributária
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, durante instalação da Comissão Especial da reforma tributária - Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aproveitou a videoconferência que realizou na manhã desta quinta-feira, promovida pelo Santander, para criticar a postura do presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes. "O presidente do Banco do Brasil tem de tratar de liquidez e não sobre isolamento vertical", disse Maia nesta quinta-feira em "live".

Mais cedo, o presidente do BB encaminhou, via WhatsApp, a seguinte mensagem: "Caiam na real", acompanhada do vídeo postado pelo presidente Jair Bolsonaro com o apelo de uma apoiadora pela reabertura do comércio no País, em meio à pandemia da covid-19. Indagado sobre a postagem, disse que governadores e prefeitos deveriam "cair na real", pois "impedem a atividade econômica e oferecem esmolas, com o dinheiro alheio, em troca", e destacou que "esmolas atenuam o problema, mas não o resolvem". "E pessoas querem viver de seu esforço próprio", concluiu.

Antes de cobrar que o Banco do Brasil atue na questão de liquidez e não na defesa da linha defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, de flexibilização da quarentena, Maia falou sobre o Banco Central e sobre a Caixa. A respeito do BC, disse que é importante a autoridade monetária atuar na maior transparência neste momento de crise aguda provocada pelo coronavírus. "Neste momento espero que ele atue ajudando empresas, microcrédito e com a responsabilidade que seu corpo técnico sempre teve".

"Roberto Campos (presidente do BC) é experiente, tem bom diálogo, mas não pode entrar no mercado para quem especulou, óbvio que ele não vai entrar nisso, mas o BC precisa garantir liquidez que o sistema financeiro não tem conseguido para quem precisa do apoio para funcionar e prestar seus serviços", afirmou Maia.

Ao falar da Caixa, disse que a instituição está na linha correta, mas faltam ainda mais ações. "Ela tem tido alguma agilidade e trabalhado para garantir crédito para as Santas Casas."

Na videoconferência, o presidente da Câmara dos Deputados disse que liberar coisas a conta-gotas (falando do governo federal) causa muita confusão, cobrando novamente uma ação coordenada de todos os entes federativos. "Nossa preocupação (Parlamento) deve ser blindar nossa pauta para focar no que tem relação com a crise, no que é provisório e no que é preciso para ter os melhores resultados, isso é o que temos de ter em mente."

Maia citou e elogiou o poder moderador do presidente do STF, Dias Toffoli, e num recado ao mandatário do País, disse que este momento de crise aguda não é de "tensionamento nas relações, mas de moderação e trabalho conjunto".

'Governadores e prefeitos impedem atividade'

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, encaminhou na manhã desta quinta-feira, 2, via WhatsApp, a mensagem: "caiam na real" acompanhada do vídeo postado pelo presidente Jair Bolsonaro com o apelo de uma apoiadora pela reabertura do comércio no País, em meio à pandemia da covid-19.

"Pode ter certeza que a senhora fala por milhões de pessoas", respondeu o presidente à mulher, que o aguardava em frente ao Palácio da Alvorada, residência oficial, acompanhada dos dois filhos. Além da retomada dos serviços, ela também solicitou a presença do Exército nas ruas.

A mulher se identificou como professora da rede privada e mãe de família. "Não quero dinheiro do governo, eu quero trabalho", disse ela.

Ao ser questionado pela reportagem sobre o vídeo, o presidente do BB disse que "governadores e prefeitos impedem a atividade econômica e oferecem esmolas, com o dinheiro alheio, em troca". "Esmolas atenuam o problema, mas não o resolvem. E pessoas querem viver de seu esforço próprio", disse.

Segundo Novaes, depois que se monta um "grande Estado assistencialista" fica difícil desmontá-lo. "Crises instigam os piores instintos intervencionistas e estatizantes. Não podemos deixar que esta crise médica, por mais séria que seja, destrua as bases de nossa sociedade", ressaltou.

O governo já divulgou que o auxílio emergencial dado a trabalhadores informais terá impacto de R$ 98 bilhões aos cofres públicos. O programa para a manutenção de empregos com carteira assinada durante a crise custará outros R$ 51,2 bilhões em compensações aos trabalhadores.

Desde a semana passada, quando convocou cadeia nacional de rádio e TV para defender o fim do "confinamento em massa", Bolsonaro tem feito críticas a medidas adotadas por governadores e prefeitos para conter o avanço do novo coronavírus, como o fechamento de escolas, shoppings e lojas.

As restrições seguem orientações de organismos de saúde, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), que aponta o isolamento social como o método mais eficaz de se evitar a propagação da doença, que já causou 37 mil mortes em todo o mundo e 241 no Brasil até ontem, 1º de abril.

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