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filho do presidente

Investigação atinge outro advogado de Flávio Bolsonaro

Luis Gustavo Botto Maia é apontado pelo Ministério Público do Rio como elo que unia diversas atividades da organização criminosa supostamente liderada pelo parlamentar

Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro - Imagem: Wilson Dias/Agência Brasil

Luis Gustavo Botto Maia, advogado que também representa o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), é apontado pelo Ministério Público do Rio como elo que unia diversas atividades da organização criminosa supostamente liderada pelo parlamentar. “Ele extrapolou todos os limites do exercício da advocacia e passou a atuar de forma criminosa, em cumplicidade com funcionários da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), para obstruir a atuação da Justiça mediante adulteração de provas”, escreveram os promotores.

O advogado, conforme o MP, também teria servido de intermediário do grupo para contatar o miliciano Adriano Magalhães da Costa Nóbrega, foragido depois de ser acusado pelo MP de liberar a milícia Escritório do Crime - que foi morto em fevereiro em confronto com a Polícia na Bahia. O Estadão procurou ontem o advogado - um dos alvos da operação de anteontem que levou à prisão o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz -, mas não conseguiu localizá-lo.

O advogado é figura importante do grupo que gravita em torno de Flávio Bolsonaro. Ele atuou como advogado do parlamentar na campanha eleitoral de 2018, sendo um dos responsáveis pela prestação de contas do senador na Justiça Eleitoral, onde foi o autor do pedido de registro da candidatura. Botto Maia é também funcionário da Alerj desde julho de 2019.

Até abril, ele era chefe de gabinete da liderança do PSL. Após deixar a liderança, o advogado foi nomeado para o gabinete do deputado Renato Zaca (eleito pelo PSL e agora sem partido), como assessor parlamentar. Em nota, Zaca afirmou que Botto auxiliava na assessoria jurídica e parlamentar, mas será exonerado. “É um bom advogado, mas, diante dos fatos e medida judicial que determina o afastamento da função pública, será exonerado.” A exoneração ainda não foi publicada no Diário Oficial.

Fraude

Segundo o Ministério Público, o advogado teria orientado Luiza Souza Paes, a ex-assessora de Flávio, a fraudar registros de presença na Alerj depois que jornalistas buscaram informações na Assembleia sobre o registro de ponto dos funcionários do antigo gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro. “O grupo levantou os registros em branco e queria que a ‘assessora fantasma’ assinasse o ponto de forma retroativa antes da entrega dos documentos aos jornalistas”, afirmaram os promotores no pedido de prisão de Queiroz encaminhado à 27.ª Vara Criminal do Rio.

Luiza compareceu à Alerj, segundo o MP, depois de receber ordens de Botto Maia. Em 24 de janeiro de 2019, ela foi assinar “retroativamente os registros de pontos relativos a 2017, com a clara finalidade de embaraçar as investigações acerca da organização criminosa que desviava recursos públicos pelo esquema das rachadinhas”, diz a investigação.

O advogado ainda teria feito parte do esquema que manteve afastado do Rio alguns dos principais suspeitos no caso. Botto Maia teria contato com o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz, que estava escondido em Atibaia (SP). E fazia o mesmo com Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano Nóbrega.

Conforme o MP, foi o advogado que autorizou em dezembro de 2019 que Raimunda voltasse ao Rio - ela estava escondida em Astolfo Dutra (MG) desde que o escândalo veio à tona. Em Minas ele se reuniu com Raimunda e com Márcia Oliveira Aguiar, mulher de Queiroz, para mandar, segundo o MP, uma mensagem para o miliciano, que estava foragido. “Amanhã o Gustavo vai aí te procurar pra tu conversar com ele pessoalmente aí, tá? Aí ele vai te explicar. Aí tu faz os contatos pra ele pra mim. Na frente dele aí. É coisas que ele tem que falar pessoalmente”, escreveu Queiroz para a mulher.

Em razão de sua atuação, o juiz Flávio Itabaiana determinou a apreensão dos celulares, computadores e documentos na casa do advogado. Também determinou que ele deve comparecer uma vez por mês na Justiça e o proibiu de manter contato com os demais investigados.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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