Menu
2020-09-29T17:58:35-03:00
Ricardo Gozzi
Fiador sem crédito

Investidores veem omissão de Guedes no Renda Cidadã e mostram cansaço com “Posto Ipiranga”

Agentes do mercado financeiro questionam voto de confiança no ministro da Economia como fiador da disciplina fiscal

29 de setembro de 2020
16:44 - atualizado às 17:58
Ministro da Economia, Paulo Guedes
Ministro da Economia, Paulo Guedes - Imagem: Isac Nóbrega/PR

Desde a pré-campanha de Jair Bolsonaro à presidência, Paulo Guedes era apresentado à opinião pública como a alma liberal de um governo disposto, entre outras coisas, a ‘privatizar tudo’ e a ‘tirar o Estado do lombo do contribuinte’.

Mais que isso, Guedes emergia como o suposto esteio ultraliberal ao qual se atribuía a capacidade de colocar sob controle um candidato outsider visto com desconfiança por amplos setores da sociedade.

De Beato Salu, Guedes passou a Posto Ipiranga e transformou Bolsonaro no candidato dos mercados financeiros nas eleições de 2018.

Quase dois anos depois da posse de Guedes na condição de 'superministro', os players do mercado financeiro dizem estar cada vez mais cansados com a desorientação econômica do governo.

Do pacote prometido com privatizações, reformas e redução do tamanho do Estado a Previdência foi praticamente a única 'conquista' da equipe econômica comandada pelo 'superministro' até o momento.

Peixes graúdos do mercado financeiro vinham se declarando 'desiludidos' com o chefe da Economia nos últimos tempos. Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital, já havia afirmado que Paulo Guedes é hoje mais "bolsonarista do que um economista liberal.

O desgaste na relação aumentou depois da apresentação do Programa Renda Cidadã - aspirante a sucessor do Bolsa Família -, a ponto de agentes do mercado financeiro começarem a questionar o voto de confiança no ministro da Economia como fiador da disciplina fiscal.

A proposta de uso de recursos destinados ao pagamento de precatórios e do Fundeb, sem nenhum compromisso de redução de gastos, foi classificada como uma peça de "contabilidade criativa" prenunciando uma "pedalada fiscal" e até mesmo um "calote".

No entendimento dos investidores, a intenção do governo é adiar despesas e, ao mesmo tempo, dar um drible no teto de gastos. "Todas as propostas, até aqui, incluem aumento de impostos ou medidas que buscam tergiversar a constituição", afirmou Dan Kawa, diretor financeiro da TAG Investimentos.

Victor Guglielmi, economista da Guide Investimentos, não escondeu sua surpresa com o 'endosso' de Guedes à proposta. “O fato de o ministro, visto como garantidor da responsabilidade fiscal, estar presente durante o anúncio potencializou a decepção do mercado e maculou a imagem do ministro.”

Ontem à noite, diante da repercussão negativa, quem tentou apagar o incêndio junto aos investidores foi o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), e não o ministro Paulo Guedes.

Hoje, enquanto aguardavam comentários da equipe econômica e – por que não? – um possível desmentido do Posto Ipiranga, os analistas se depararam com um Jair Bolsonaro em tom queixoso.

Ainda assim, os investidores pareciam dispostos a dar um voto de confiança ao presidente, que declarou-se 'aberto a sugestões' e empenhado na busca por uma 'solução racional'.

O Ibovespa até brincou um pouco no azul depois disso. Mas foi só aquela saidinha sem máscara pro parquinho antes da bronca da mãe.

A paciência foi para as cucuias quando o senator Márcio Bittar (MDB-AC), relator do proposta de orçamento para 2021, saiu em defesa do uso dos precatórios e do Fundeb como fonte de financiamento do Renda Cidadã.

O comentário de Bittar sepultou qualquer ímpeto de recuperação do Ibovespa nesta terça-feira, apesar da queda acentuada da véspera.

Segundo Dan Kawa, da TAG, a esperança de que o ajuste fiscal avance ainda não pode ser abandonada, mas os últimos sinais são preocupantes. “Não por acaso, nossa moeda é uma das de pior performance no mundo este ano, assim como nosso índice de bolsa em dólares.”

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

uma bolada

Bradesco paga R$ 5 bilhões em juros sobre capital próprio

Valor representa R$ 0,416 por ação ordinária e R$ 0,458 por ação preferencial, após o desconto do Imposto de Renda

seu dinheiro na sua noite

Dólar abaixo de R$ 5, Selic de volta aos 7% e o investimento da Petz em página de gatinhos

Apesar dos avanços na vacinação e do relaxamento nas medidas de distanciamento social, o fato de ainda estarmos convivendo com o coronavírus e uma elevada mortalidade pela covid-19 faz com que 2021 tenha um sabor de 2020 – parte 2. Assim tem sido, pelo menos para mim. Imagino que também seja assim para todas as […]

atenção, acionista

Weg e Lojas Renner anunciam juros sobre capital próprio; confira valores

Empresa de fabricação e comercialização de motores elétricos paga R$ 86,1 milhões; provento da varejista chega a R$ 88 milhões

Alívio no câmbio

Dólar fica abaixo dos R$ 5,00 pela primeira vez em mais de um ano — e o empurrão veio dos BCs

O dólar à vista terminou o dia em R$ 4,96, ficando abaixo dos R$ 5,00 pela primeira vez desde 10 de junho de 2020. O Ibovespa caiu

Constitucionalidade em xeque

Autonomia do Banco Central: STF retoma julgamento no dia 25, mas recesso pode estender votação até agosto

A lei em análise restringe os poderes do governo federal sobre a autoridade máxima da política monetária do País

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies