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A eleição marcou a conquista de peças importantes, vitórias que serviram apenas para demarcar território e derrotas claras. Mas houve também avanços importantes mesmo de quem perdeu nas urnas
No grande jogo de xadrez da política, o resultado do segundo turno das eleições municipais consolidou as mudanças no tabuleiro rumo à grande rodada da disputa presidencial de 2022.
Tivemos a conquista de peças importantes, vitórias que serviram apenas para demarcar território e derrotas claras. Mas houve também avanços importantes mesmo de quem perdeu nas urnas
O governador de São Paulo, João Doria, parece um claro vencedor à primeira vista com a reeleição de Bruno Covas (PSDB) na capital.
De fato, ele aproveitou a vitória de seu candidato para mandar recados e manter o embate com o presidente Jair Bolsonaro. Mas o resultado em São Paulo pode ser encarado mais como um movimento de defesa, já que uma eventual perda seria desastrosa para os planos de Doria em 2022.
Vitória de verdade teve Rodrigo Maia, coroada com a eleição de Eduardo Paes (DEM) no segundo turno no Rio. A disputa municipal, aliás, marca o renascimento do partido do presidente da Câmara, que manteve suas principais prefeituras e ainda conquistou novas e importantes cidades.
O desafio para Maia será se manter relevante no jogo da política depois de deixar o comando do Legislativo. Isso, é claro, se ele não conseguir mudar o regimento para tentar um novo mandato. Seja como for, o DEM virou peça importante para qualquer candidatura de centro-direita que em 2022.
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O resultado no Rio também consolidou a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições municipais. Mas o presidente, que hoje está sem partido, pode virar a mesa e entrar na reeleição fortalecido pelas peças das legendas que desejam abrigá-lo na disputa, como o PP.
Do outro lado do tabuleiro, temos um candidato que pode ter perdido uma peça, mas segue firme no jogo. Ao passar para o segundo turno e conquistar mais de 2 milhões de votos em São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL) se credencia para se tornar a principal cara da esquerda nas eleições presidenciais.
A campanha de Boulos, aliás, deveria ser estudada por candidatos de todos os partidos pela capacidade de mobilização, principalmente pelas redes sociais. Resta saber se o candidato conseguirá manter o apoio até 2022.
O avanço de Boulos é uma má notícia para Ciro Gomes, que na última eleição presidencial tentou fazer o papel de via alternativa à esquerda. Mas o resultado das urnas pode ser considerado neutro para Ciro, que manteve sua influência em Fortaleza e Sobral (CE).
Resta saber como Lula e o PT, os grandes derrotados das eleições, vão reagir ao fenômeno Boulos. Depois do péssimo resultado em 2016 ainda na esteira da Lava-Jato e do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o partido conseguiu encolher em número de prefeituras.
Assim como aconteceu com Bolsonaro, o apoio de Lula de pouco ou nada adiantou aos petistas. A grande aposta do partido era a prefeitura de Recife com Marilia Arraes. Mas depois de liderar no primeiro turno, a candidata levou a virada do primo João Campos (PSB).
Lula chega com poucas peças e sequer poderá ser candidato em 2022 se não conseguir reverter a condenação penal em três instâncias na Justiça. Mas não se deve jamais subestimar o ex-presidente, que já demonstrou várias ocasiões ser um mestre do xadrez eleitoral.
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