Menu
2020-12-15T18:50:59-03:00
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
o futuro da taxa básica

Mercado reduz aposta em alta da Selic no curto prazo após ata do Copom

Documento reduz percepção de mudança iminente na trajetória do juro básico; leilão do Tesouro Nacional de títulos indexados à inflação, que teve oferta menor do que a de pleitos anteriores, pesa em taxas futuras

15 de dezembro de 2020
14:30 - atualizado às 18:50
Fachada do Banco Central do Brasil (BC)
Imagem: Arnaldo Jr./Shutterstock

Os juros futuros dos depósitos interbancários (DI) recuam com força nesta terça-feira (15), refletindo a ata do Copom que reduziu o risco de uma alta de juros no curto prazo, segundo analistas, mostrando conforto do Banco Central com a inflação corrente e, mais importante, as projeções para 2021.

A ata, assim, vai sustentando a queda das taxas futuras com a perspectiva de Selic parada no curto prazo, após "um mercado afoito" reagir na semana passada ao comunicado "hawkish" do comitê, disse o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

"O mercado estava muito dovish para 2021 e aí, na semana passada, veio um BC mudando a comunicação para 2021 e sinalizando uma alteração mais rápida nos juros", diz Vale.

"Mas o BC sinalizou que a mudança, ou seja, uma alta da Selic não será rápida, não será em janeiro, não será no 1º trimestre", afirma o economista.

Em relatório assinado pelo economista-chefe, Mario Mesquita, o Itaú Unibanco avalia que, segundo as projeções do banco para a inflação do primeiro trimestre de 2021, o forward guidance deva ser abandonado apenas no outono (março a junho), que a alta de juros comece em agosto e que a taxa Selic encerre o ano em 3,5% ao ano.

Por isso, o título do relatório do Itaú é "forward guidance durante o verão", uma referência à conservação da prescrição futuras para o rumo da Selic nos três primeiros meses de 2021.

Na ata, o Copom disse que considera deixar de usar a prescrição para a trajetória da taxa básica "em breve", mas ainda diz que a aceleração recente da inflação é resultante de choques temporários.

As expectativas para 2021 também indicam uma folga em relação à meta, embora as de 2022, ano que ganha peso no horizonte relevante do BC, estejam perto ou exatamente no centro da meta nos cenários apontados no documento.

"Com a inflação de 2021 ele está tranquilo, o ponto agora é que ele vai ter que aumentar o juro ano que vem de olho em 2022, e eu acho que vai ter que subir mais cedo do que a média do mercado acha", diz Eduardo Velho, sócio e economista-chefe da gestora JF Trust, que vê chance de alta de juros no primeiro semestre do ano que vem.

Segundo Velho, o mercado reduziu para menos de 50% as chances de uma alta de 0,25 ponto na Selic em janeiro.

O economista também cita a fixação da meta fiscal em R$ 247,1 bilhões para 2021 como um fator que reduz a percepção de risco fiscal e afeta os juros dos DIs hoje, principalmente os de médio e de longo prazo.

O Ministério da Economia, no começo do ano, trabalha com a possibilidade de uma meta fiscal flexível, mas foi proibido pelo Tribunal de Contas da União de seguir com essa ideia.

Além disso, novo leilão do Tesouro Nacional que ofertou — e vendeu integralmente — 1,25 milhão de NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional série B), títulos públicos com rentabilidade atrelada ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), também pesou sobre as taxas.

A leitura do mercado é que houve uma queda na oferta desses papéis após sucessivas ofertas de NTN-Bs, como a de 8 milhões no dia 3 de dezembro, que tinham muita procura em um contexto de aceleração da inflação no curto prazo.

"Havia se ampliado a demanda por títulos indexados ao IPCA naquela ocasião com a aceleração dos preços em dezembro por conta da bandeira vermelha da Aneel", diz Breno Martins, operador de renda fixa da MAG Investimentos.

Segundo Martins, a oferta reduzida é também explicada pela liquidez reduzida do fim de ano, a inflação de curto prazo que deve arrefecer após o efeito da bandeira vermelha e o grande número de NTN-Bs "já inundando o mercado".

Um forte movimento de queda se vê especialmente nos juros para janeiro/2023 — o vencimento para os títulos oferecidos hoje é em maio/2023. Os juros para janeiro/2022 têm queda similar, de 0,1 ponto percentual, aproximadamente.

Veja as taxas dos DIs para os principais vencimentos agora:

  • Janeiro/2021: de 1,908% para 1,904%
  • Janeiro/2022: de 3,03% para 2,95%
  • Janeiro/2023: de 4,37% para 4,27%
  • Janeiro/2025: de 5,95% para 5,85%
Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Prévia operacional

Vendas de incorporação da JHSF crescem 228,5% em 2020; prévias fortes impulsionam ações

Segmento de incorporação teve vendas contratadas de R$ 1,2 bilhão em 2020; ações da companhia reagem positivamente

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta sexta-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

Exile on Wall Street

Comece (e termine) pelos porquês

Não pude deixar de notar o paradoxo — possível e brilhantemente proposital — que há nas escolhas da Pixar.

Prévia operacional

Com avanço em vendas e lançamentos em 2020, Mitre divulga prévias operacionais fortes

Houve crescimento nos números da construtora tanto no trimestre quanto no ano. BTG Pactual considerou resultados “excepcionais”

ambições

Prestes a colocar mais R$ 2,5 bi no caixa, BTG prepara aquisições na área digital

Banco deve fazer novas aquisições para fortalecer plataforma e viabilizar crescimento orgânico de área digital, diz fonte

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies