IGP-M poderá cair, com carnes e efeito de Coronavírus em commodities, diz FGV
A cotação das principais commodities têm sido afetada pelo temor com a infecção por coronavírus, que tende a impactar o desempenho da economia global

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) já mostrou em janeiro a descompressão do choque de carnes, tanto no atacado quanto no varejo, o que levou ao forte alívio para 0,48%, de 2,09% em dezembro, diz o economista André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV) - responsável pelo índice. Esse movimento tende a continuar em fevereiro, o que em conjunto com os preços contidos de commodities podem possibilitar uma deflação no IGP-M, avalia.
A cotação das principais commodities têm sido afetada pelo temor com a infecção por coronavírus, que tende a impactar o desempenho da economia global.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que passou de 2,84% no último mês de 2019 para 0,50% na primeira leitura deste ano, captou queda das proteínas, tanto no campo, quanto o alimento já industrializado.
Os bovinos, antes do abate, passaram de 19,57% em dezembro para queda de 5,83% em janeiro, enquanto as aves passaram de alta de 2% para deflação de 0,61%. Já os suínos subiram com menos ímpeto, de 9,30% para 3,19%.
Em 12 meses, contudo, continuam com aumentos elevados: de 28,98%, 14,33% e 48,92%, respectivamente, o que, segundo Braz, indica que há espaço para novas reduções nas próximas leituras do IGP-M.
O mesmo acontece com as carnes já processadas: carnes bovinas (20,37% para -3,15%), de aves (7,65% para -1,33%) e suína (5,71% para 0,26%). Em 12 meses, altas de 29,59%, 17,42%, e 31,19%, nessa ordem.
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O varejo também mostra esse comportamento, com as carnes bovinas mostrando alívio de 18,03% para 1,95%, mas acumulando alta de 27,24% no acumulado em 12 meses. "Ainda têm fôlego para continuar desacelerando. Já tínhamos a percepção de que o choque seria grande, mas temporário. Mas achávamos que a devolução começaria mais em fevereiro. No entanto, já começou a acontecer em janeiro."
Além da influência de baixa que as carnes devem continuar exercendo, Braz lembra que commodities como minério de ferro e também as agrícolas, como a soja, devem conduzir também o IGP-M a uma taxa menor em fevereiro. Da mesma forma, os preços de combustíveis devem ceder.
A Petrobras já reduziu duas vezes os preços de gasolina e diesel em janeiro e a perspectiva é de nova queda, com o recuo do petróleo. Todas essas commodities estão sendo afetadas pelo temor com o coronavírus, que deve reduzir o crescimento global e especialmente o chinês, lembra Braz. "Na China, por conta do coronavírus, tem uma desaceleração da atividade. Isso pode ajudar a descomprimir mais no índice os preços de carne, pela redução de embarques brasileiros, e também de outras commodities, como minério de ferro."
Em fevereiro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que passou de 0,84% para 0,52% entre dezembro e janeiro, deve continuar a perder força, principalmente porque o aumento sazonal de mensalidades escolares, captado no primeiro mês pela FGV, terá contribuição menor.
O IGP-M mostrou impacto dos 20 primeiros dias de janeiro do aumento dos cursos formais, de 2,84%. No segundo mês, Braz avalia que o IPC-M pode ficar em torno de 0,30%.
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