Guedes é contestado por entidade de domésticas após fala polêmica
Guedes disse na quarta que, com o dólar em menor patamar, a empregada doméstica estava indo para a Disney, "uma festa danada"

O presidente da ONG Instituto Doméstica Legal, Mario Avelino, contestou por meio de nota, nesta quinta-feira, 13, a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, a respeito das domésticas. A nota diz que "nos últimos anos a empregada doméstica passou a ter os mesmos direitos do trabalhador de uma empresa", "o trabalhador doméstico não tem ido à Disney a passeio" e chama "atenção para o aumento da informalidade no setor".
Na quarta-feira, Guedes avaliou como positivo o patamar alto do dólar, que fechou o pregão cotado a R$ 4,35, um recorde nominal. Nesta quinta, a moeda opera em baixa, sendo negociada a R$ 4,34, após ter ido a R$ 4,38 como reação à fala do ministro e ao coronavírus.
Guedes disse que, quando a moeda norte-americana estava em menor patamar, todo mundo estava indo para Disneylândia, inclusive empregada doméstica, "uma festa danada". A fala do ministro repercutiu e chegou a estar entre os trending topics do Twitter mais cedo.
O instituto diz na nota que a garantia de igualdade de direitos à categoria veio com a aprovação da PEC das Domésticas, que ajudou a diminuir "a cultura escravagista e patriarcal que infelizmente ainda existe" no País.
"Sr. Ministro Paulo Guedes, gostaríamos também de chamar atenção para um equívoco na sua fala. Infelizmente, o trabalhador doméstico não tem ido à Disney a passeio. Muitas trabalhadoras viajam a trabalho, a maioria são babás, com a passagem custeada por seus empregadores, ganhando adicional de viagem, que hoje é garantido por lei. Ficaríamos felizes se essa fosse a realidade de todos os brasileiros", escreve Avelino. A entidade auxilia mais de 50 mil empregadores e 70 mil trabalhadores domésticos no cumprimento de deveres e na garantia dos direitos.
Avelino diz que o setor tem batalhado pela volta da dedução do INSS no Imposto de Renda do empregador doméstico, que foi extinta no ano passado. A dedução foi instituída em 2006 para incentivar a formalização de empregados domésticos e tinha caráter temporário, com validade até 2019, podendo ser prorrogada, mas nem o governo nem o Congresso renovaram o benefício.
Em outubro de 2019, o Senado chegou a aprovar um projeto de lei que estendia o benefício até 2024, mas a proposta não foi votada na Câmara antes do recesso parlamentar - mudanças no Imposto de Renda precisam ser aprovadas no ano anterior para valer no exercício seguinte.
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Levantamento do instituto mostra que, somente em 2019, 700 mil empregadores utilizaram o benefício. "Com o fim da dedução, esse empregador perdeu em 2020 aproximadamente R$ 1.250 anuais. A não prorrogação da declaração do INSS no IR pode provocar a demissão de até 100 mil empregados domésticos formais, já que aumentará o custo para o empregador e pior, fazer com que muitos optem pela informalidade", aponta a instituição.
A renúncia fiscal estimada com o benefício era de R$ 674 milhões segundo o Ministério da Economia. Com o fim da dedução, devem entrar R$ 700 milhões adicionais aos cofres do governo este ano.
*Com Estadão Conteúdo
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