Grandes bancos concedem R$ 266 bilhões em crédito novo no 1º mês da crise
Desde o início da crise gerada pela covid-19 no Brasil, os bancos passaram a oferecer carência de 60 dias para as dívidas existentes, suportados por medidas do Banco Central

Os cinco maiores bancos brasileiros liberaram R$ 266 bilhões em crédito novo para pessoas físicas e jurídicas no primeiro mês das medidas de isolamento social, que colocaram os brasileiros dentro de suas casas para conter a propagação do novo coronavírus no País, conforme levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Os empréstimos, concedidos por Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, entre os dias 16 de do mês passado e 17 de abril, representam uma elevação de 22% na comparação com março de 2019, quando o montante foi de R$ 218 bilhões.
O levantamento divulgado nesta segunda-feira, 27, pela Febraban contempla as operações de crédito novo contratado no período, renovações e também parcelas suspensas, que foram reintegradas ao saldo devedor durante a crise.
"Não há represamento de crédito ou empoçamento de liquidez. Ao contrário, os bancos estão dando vazão às demandas dos consumidores e empresas por crédito", avalia o presidente da Febraban, Isaac Sidney, em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
"Tanto é que já concederam 22% de crédito a mais na comparação com março de 2019 apesar do aumento do risco do crédito e do custo de captação", acrescenta.
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Desde o início da crise gerada pela covid-19 no Brasil, os bancos passaram a oferecer carência de 60 dias para as dívidas existentes, suportados por medidas do Banco Central. Nesse sentido, o regulador flexibilizou regras de provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, e classificação de risco e injetou cerca de R$ 1,2 trilhão em liquidez para apoiar o sistema financeiro.
No primeiro mês da crise, os cinco maiores renegociaram 3,8 milhões de contratos com operações em dia, que representam um saldo devedor da ordem de R$ 230,6 bilhões, segundo a Febraban. As parcelas das operações repactuadas somam, por sua vez, R$ 22,2 bilhões.
De acordo com o presidente da entidade que representa os bancos, esses valores trazem alívio financeiro imediato para empresas e pessoas físicas atravessarem a turbulência. "É uma disponibilidade adicional, uma injeção de recursos novos", enfatiza Sidney.
Os bancos, conforme ele, continuam monitorando o cenário e aproveitando a janela regulatória aberta por parte das medidas do BC no intuito de aumentarem o prazo de carência aos seus clientes. Antes estabelecido em 60 dias, o limite já começa a ser estendido. Na semana passada, o Itaú Unibanco anunciou um programa de suporte financeiro durante a crise e estendeu a carência para até 120 dias no caso de pessoas físicas e 180 dias para empresas.
Crédito novo
As pessoas físicas tomaram mais de R$ 70 bilhões entre contratação, renovação e suspensão de parcelas junto aos cinco grandes bancos no primeiro mês da crise gerada pela covid-19, conforme a Febraban.
Somente o total de parcelas suspensas gerou um alívio de quase R$ 14 bilhões aos consumidores em um cenário de aumento de incertezas diante do risco de desemprego e perda de renda por conta das medidas de isolamento social, necessárias para conter a propagação da doença no País.
Do lado da pessoa jurídica, a concessão de crédito alcançou R$ 189,3 bilhões no primeiro mês da crise, segundo a Febraban. Desse volume, grandes empresas tomaram R$ 116 bilhões enquanto o grupo de micro, pequenas e médias acessou R$ 42,6 bilhões em novos recursos, renovações e suspensão de prestações.
O primeiro mês da crise do novo coronavírus no Brasil foi marcado por uma corrida de empresas e pessoas físicas aos bancos em busca de alívio financeiro durante a pandemia. A demanda concentrada e que turbinou a procura diária por crédito nos grandes bancos ecoou uma queixa generalizada em torno das instituições financeiras por restringirem o crédito e mudarem o rating dos clientes diante da deterioração do cenário econômico, o que sustentou o aumento dos juros.
O presidente da Febraban reforça que a demanda de crédito tem sido atendida e atribui as queixas quanto ao empoçamento de liquidez e represamento de crédito à falta de compreensão em torno da atuação do sistema bancário no Brasil.
Para rebater as críticas, além de medidas de apoio e doações, os bancos têm reforçado que são a 'solução' e não a origem da crise, desencadeada na saúde, diferentemente de 2008, quando o setor foi o ator principal da turbulência. "Estávamos e continuamos fazendo (crédito). Não houve nem está havendo represamento de crédito", rebate Sidney.
Em relação às condições praticadas pelos bancos na crise, o presidente da Febraban reforça que as renovações de crédito têm ocorrido mantendo as mesmas taxas, uma vez que o objetivo do setor é dar fôlego às pessoas e empresas na crise. No crédito novo, explica, os juros cobrados estão 'estáveis' no varejo, mas sofrem 'alguma oscilação' no atacado, ou seja, para médias e grandes empresas por conta da mudança do cenário, com a deterioração econômica, aumento do risco e do custo de captação de recursos para os bancos.
Quanto à necessidade de novas medidas por parte do setor e do próprio BC em meio à crise, o presidente da Febraban afirma que o cenário segue sendo monitorado. "O BC e os bancos continuam monitorando os efeitos da crise e tendo a todo tempo interlocuções como é comum na regulação entre regulador e regulados", conclui Sidney.
*Com Estadão Conteúdo
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