Esqueça um corte de juros ainda em 2025! Selic mais baixa só no ano que vem, sinaliza o Copom em ata
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou hoje a ata de sua última reunião, realizada na semana passada, quando os juros foram elevados a 15% ao ano

A taxa Selic vai parar de subir — pelo menos por enquanto — mas os juros vão permanecer em níveis extremamente restritivos por mais tempo do que se esperava anteriormente. É o que indica a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).
Os diretores do BC consideram que o ciclo de alta dos juros promovido até aqui foi “particularmente rápido e bastante firme”.
Ao mesmo tempo, “a economia ainda apresenta resiliência, o que dificulta a convergência da inflação à meta e requer maior aperto monetário”, informa o Copom no documento.
No entanto, devido à defasagem do impacto da política monetária sobre a economia, os efeitos mais intensos da alta dos juros ainda estão por vir.
É por isso que o Banco Central decidiu antecipar uma interrupção do ciclo de alta de juros e esperar para ver, afirma Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de macro e dívida pública da Warren Investimentos.
Ao mesmo tempo, o Copom informou que seguirá "vigilante" e "não hesitará" em subir novamente os juros caso considere necessário.
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Necessidade de juros altos por mais tempo é unanimidade no Copom
Na semana passada, o Copom elevou a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, para 15% ao ano. Foi a sétima alta seguida dos juros.
Agora, apesar de sinalizar a interrupção do ciclo de aperto iniciado em setembro do ano passado, o colegiado presidido por Gabriel Galípolo avisa que os juros vão ficar altos por um horizonte mais longo do que se imaginava anteriormente.
Essa necessidade de manter a taxa Selic em níveis tão restritivos por mais tempo é uma unanimidade entre os integrantes do Copom.
“A desancoragem das expectativas de inflação é um fator de desconforto comum a todos os membros do Comitê e deve ser combatida”, diz o Copom no 12º parágrafo do documento divulgado na manhã desta terça-feira (24).
Ata dura
Na avaliação de economistas consultados pelo Seu Dinheiro, o colegiado manteve na ata o tom duro observado no comunicado que acompanhou a mais recente decisão de elevar os juros.
“A ata reforça que a condução da política monetária está ocorrendo de maneira independente”, afirma André Muller, economista-chefe da AZ Quest.
Para ele, essa percepção tende a reduzir o prêmio de risco nos ativos brasileiros.
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Reancoragem da inflação antes de queda dos juros
O Copom considera que as expectativas inflacionárias seguem acima da meta de inflação em todos os horizontes analisados, tornando o cenário de inflação mais adverso.
Para Tatiana Pinheiro, da Galapagos Capital, o Copom deixa mais claro que a chave para um futuro ajuste dos juros para baixo está na reancoragem das expectativas de inflação.
Rafaela Vitória, economista-chefe do banco Inter, pondera que o Copom reconhece as surpresas baixistas observadas em dados recentes de inflação, mas sem deixar de levar em conta o risco fiscal.
“Tanto na interferência nos canais de crédito [...] quanto no fator pro-cíclico de estímulo à demanda, além do elevado prêmio de juros devido à incerteza”, afirma ela.
A economista considera que a desaceleração do crédito e da atividade econômica darão as caras com mais força no segundo semestre, o que pode abrir espaço para que o Copom logo comece a discutir a possibilidade de cortar os juros.
No entanto, um futuro ciclo de alívio monetário tende a ficar somente para 2026.
André Muller, da AZ Quest, estima o primeiro corte em janeiro do ano que vem.
Já Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para a América Latina, acredita que a Selic só deve começar a cair no segundo trimestre de 2026.
“O Copom parece disposto a ter paciência e esperar resolutamente", escreveu ele em relatório a clientes.
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