Economistas veem risco de alta de juros com aprovação da “bomba fiscal”
Pacote de ajuda a Estados e municípios sem contrapartidas é criticado e traz receio de que o governo perca o controle dos gastos com medidas para conter coronavírus

O pacote de ajuda a Estados e municípios em discussão no Congresso e já aprovado na Câmara dos Deputados pode cobrar seu preço com o aumento da taxa básica de juros (Selic) no médio prazo. Essa é a opinião de economistas ouvidos pelo Seu Dinheiro.
O projeto prevê que a União terá de compensar os governos estaduais e municipais pela queda de arrecadação do ICMS e do ISS deste ano, sem qualquer tipo de contrapartida. A estimativa é que a conta para os cofres públicos seja de pelo menos R$ 80 bilhões.
A medida, em conjunto com outras ações de aumento de gastos necessários para conter os efeitos do coronavírus na economia, vai aumentar a dívida pública do país. O receio é que o governo perca o controle das despesas e torne permanente o que deveria ser temporário.
Com isso, a tendência é que o governo seja obrigado em algum momento a oferecer juros mais vantajosos para atrair credores, segundo André Marques, coordenador do Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper.
Marques defende que deve haver, sim, um suporte por parte do governo federal aos entes da Federação, mas que não é possível resolver todos os problemas fiscais de longa data em apenas uma tacada.
"Tem várias possibilidades, como a suspensão de dívida durante um período, mas é preciso verificar se os recursos vão para a saúde, por exemplo, para suprir ou demanda pontual, ou se estarão virando uma despesa contínua."
Leia Também
De acordo com Marques, é necessário uma "governança colaborativa" entre os envolvidos, com discussões que gerem consenso, já que a falta de diálogo entre as partes acaba gerando "eventuais distorções".
Na visão de Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos, o projeto aprovado é uma "verdadeira bomba fiscal", dado que não existe contrapartida por parte de Estados e municípios. O congelamento de salários do setor público, por exemplo, deveria ter sido uma dessas concessões.
"O projeto é mal desenhado e incentiva os Estados a dar isenções e postergações", diz a economista da ARX. "O país ficou mais pobre e essa realidade precisa ser incorporada nos Estados também."
Mercado 'nem aí' (por enquanto)
Para a Selic no curto prazo, segundo os economistas, não deverá haver um efeito causado pela aprovação do projeto. A grande questão refere-se aos médio e longo prazos, tendo em vista a evolução da dívida pública.
"Se o prêmio de risco do Brasil subir muito, haverá impacto no câmbio e em algum momento isso pode virar inflação", afirma Srour.
No caso de a dívida também entrar no que ela chama de "trajetória explosiva", que depende de projetos como esse "pipocarem" no Congresso, em algum momento poderá haver desancoragem das expectativas de inflação em médio prazo.
Por ora, o mercado não dá sinais de preocupação. Ontem, a bolsa subiu e os juros futuros — o lugar em que a aprovação do projeto deveria ter sido mais sentida, em tese — em sua maioria caíram. O UBS explicou essa realidade aparentemente contraditória, como nós mostramos aqui.
"O mercado está completamente correlacionado com o exterior", diz a economista da ARX. "Não está dando importância para piora fiscal, mas isso ocorrerá em algum momento."
Qual será a ocasião em que isso acontecerá? Provavelmente, diz ela, quando os países desenvolvidos deslancharem e o Brasil, não.
A VISÃO DO DONO
Inquilino não paga o aluguel? Veja o que você pode ou não fazer e como evitar que a dívida se torne problema seu
1 de outubro de 2026 - 6:34OS ENDIVIDADOS
Não conseguiu pagar o aluguel? Entenda os riscos que você corre e como não deixar a dívida virar uma bola de neve
1 de outubro de 2026 - 6:02BENEFÍCIO NA CONTA
Bolsa Família será maior em outubro de 2026: veja quando reajuste começa a ser pago e quem poderá se beneficiar
1 de outubro de 2026 - 5:06DESTAQUES DA BOLSA
Tenda (TEND3) vai na contramão do Ibovespa e fecha em queda, mas Itaú BBA ainda tem motivos para considerar a ação atrativa
30 de setembro de 2026 - 18:45COMEÇOU A TRANSIÇÃO
‘Pense em um mundo sem imposto’: o recado de Bernard Appy para as empresas na reta final da reforma tributária
30 de setembro de 2026 - 13:50OLHO NO PIX
IRPF 2026: dinheiro de lote de restituição da malha fina do imposto de renda cai hoje na conta
30 de setembro de 2026 - 8:42SEM DESCONTO
Greve na Caixa: Justiça do Trabalho toma decisão e banco anuncia quando as agências reabrem
30 de setembro de 2026 - 7:55BOLA DIVIDIDA
Lotofácil 3792 tem 37 ganhadores, mas só dois ficam a meio caminho do primeiro milhão de reais; Mega-Sena 3064 acumula e prêmio vai a R$ 75 milhões
30 de setembro de 2026 - 6:49ATENÇÃO, BENEFICIÁRIOS!
Bolsa Família com novo valor, Gás do Povo, Pé-de-Meia e mais: confira o calendário completo dos programas sociais para outubro de 2026
30 de setembro de 2026 - 5:05DESTAQUES DA BOLSA
Ação da Tupy (TUPY3) atinge máxima nesta terça-feira (29) e fecha com alta de mais de 3%. O que animou os investidores?
29 de setembro de 2026 - 18:30TAG SUMMIT 2026
De olho no marco de R$ 1 trilhão, Nu Asset coloca ETFs no centro da estratégia; entenda o que está por trás da aposta
29 de setembro de 2026 - 15:49NOVO OBSTÁCULO
El Niño pode atrapalhar queda da Selic em 2027 — mas há uma saída para os juros voltarem a cair, diz CEO da Bradesco Asset
29 de setembro de 2026 - 15:08ASSUNTO 'PROIBIDO'?
“Isso não ganha voto”: por que o ajuste fiscal deve ficar para depois da eleição, segundo Bruno Funchal, ex-secretário do Tesouro
29 de setembro de 2026 - 14:45CORTOU PROJEÇÕES
Maior queda do Ibovespa hoje, CSN (CSNA3) derrete 11% e divisão de mineração (CMIN3) vai junto: o que preocupa os investidores?
29 de setembro de 2026 - 13:35CHEGOU AO TST
Greve na Caixa: Justiça do Trabalho julga dissídio em meio a impasse entre banco e funcionários
29 de setembro de 2026 - 9:59PÉ NA AREIA
Lotofácil 3791 premia bolão no Nordeste; Mega-Sena corre hoje valendo R$ 52 milhões
29 de setembro de 2026 - 7:25E AGORA, PETROBRAS?
EUA podem fechar a torneira do diesel e deixar o Brasil mais vulnerável, segundo Citi; é hora de rever a carteira de BDRs?
28 de setembro de 2026 - 18:10CASAS DE APOSTAS
R$ 1,7 bilhão na mesa: bets terão de devolver dinheiro a 22,9 milhões de apostadores após MP de Lula
28 de setembro de 2026 - 17:16O PREÇO DAS ELEIÇÕES
Sem rali eleitoral? Gatilho para a bolsa brasileira fica para depois das eleições; saiba qual é, segundo o JP Morgan
28 de setembro de 2026 - 12:00INSEGURANÇA