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2020-04-14T18:05:54-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Subiu, mas frustrou

O Ibovespa recebeu um empurrão do exterior, mas não conseguiu romper os 80 mil pontos

O tom positivo visto lá fora deu força ao Ibovespa e fez o índice subir mais de 1%. No entanto, a turbulência no cenário doméstico inspirou cautela aos investidores e fez a bolsa ficar longe das máximas

14 de abril de 2020
18:04 - atualizado às 18:05
Selo Mercados FECHAMENTO Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Durante boa parte da sessão desta terça-feira (14), o Ibovespa exibiu ganhos de mais de 2% e, com isso, vinha se sustentando na casa dos 80 mil pontos. E a expectativa era grande — afinal, já faz mais de um mês que o índice não termina um pregão acima desse nível.

E tudo parecia bem encaminhado para que a quebra da marca: desde o início do dia, o Ibovespa vinha pegando carona no bom humor das bolsas globais — e, lá fora, os mercados acionários continuavam firmes e fortes, sem sinal de desaceleração.

Só que, na reta final da sessão, o índice brasileiro começou a perder intensidade. Ainda terminou em alta de 1,37%, mas frustrou quem já estava comemorando: no encerramento, o Ibovespa marcava 79.918,36 pontos — é o maior nível de fechamento desde 13 de março, mas, ainda assim, deixou um gosto amargo na boca.

  • Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica dos mercados nesta terça-feira. Veja abaixo:

Essa redução na alta do Ibovespa, no entanto, não foi de todo surpreendente. Por mais que o exterior mostrasse força, o noticiário doméstico trazia elementos preocupantes — e, ao fim do dia, os investidores preferiram tirar o pé do acelerador, cautelosos com as turbulências em Brasília.

Considerando esse cenário, o mercado de câmbio assumiu um comportamento muito mais compatível nesta terça-feira: o dólar à vista passou boa parte da sessão perto da estabilidade, fechando em ligeira alta de 0,13%, a R$ 5,1901.

Afinal, por mais que o exterior mostrasse sinais animadores, o front local continuava estressado, impedindo um alívio mais firme no mercado de moedas.

Esperança chinesa

O principal elemento de sustentação às bolsas internacionais veio da China, com dados animadores da balança comercial em março: as exportações caíram 6,6% e as importações recuaram 0,9%, resultados melhores que os projetados pelos analistas.

Por mais que a economia chinesa ainda sinta os impactos do surto de coronavírus — por lá, o pico foi registrado em janeiro e fevereiro —, o nível de atividade do país parece estar se recuperando num ritmo mais rápido que o esperado. Assim, aumenta a esperança quanto a uma retomada igualmente veloz na Europa e nos EUA após a fase crítica da pandemia.

Na Europa, as notícias de que os países mais afetados pela Covid-19, como Espanha e Itália, já começam a planejar o retorno gradual das atividades e um leve relaxamento na quarentena também ajudaram a melhorar o humor dos investidores, dando força aos mercados do velho continente.

Ao fim do dia, tivemos ganhos firmes em Wall Street: o Dow Jones subiu 2,39%, o S&P 500 subiu 3,06% e o Nasdaq fechou em alta de 3,95%. Na Europa, o dia foi majoritariamente positivo nas principais praças acionárias.

Cautela doméstica

O otimismo internacional acabou ofuscando os focos de preocupação vistos no Brasil. Ontem, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o projeto emergencial de ajuda financeira aos Estados e municípios — o texto, que não exige maiores contrapartidas por parte de governadores e prefeitos, agora segue para votação no Senado.

Segundo uma nota técnica divulgada pelo ministério da Economia durante o fim de semana, a pauta pode causar um impacto de, ao menos, R$ 105 bilhões às contas públicas — e, por isso, a pauta é considerada uma 'bomba fiscal'. O relator do projeto, no entanto, estima um custo inferior à R$ 100 bilhões.

A aprovação do texto pela Câmara pode ser considerada uma derrota do governo, que tentou emplacar uma contraproposta que viabilizaria o envio direto de cerca de R$ 40 bilhões a governadores e prefeitos. A iniciativa, contudo, não foi bem sucedida.

No entanto, por mais que a 'bomba fiscal' tenha avançado no Congresso, a percepção de que a PEC conhecida como 'Orçamento de Guerra' será aprovada ajudou a acalmar os nervos do mercado, de acordo com avaliação do UBS.

Em relatório, o banco destaca que, com a PEC, o Banco Central poderá comprar títulos privados e do Tesouro — e a possibilidade de atuação mais intensa do BC neutralizou a potencial piora nas contas públicas.

Essa hipótese, inclusive, ajuda a explicar os novos ajustes negativos vistos no mercado de juros futuros — e o avanço de apenas 0,35% no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em fevereiro também ajudou a manter os DIs controlados.

O resultado do IBC-Br fortaleceu a visão de que, mesmo antes do impacto do coronavírus, a atividade doméstica já estava bastante fraca — e, nesse cenário, os investidores continuaram apostando em novos cortes na taxa Selic, de modo a fornecer estímulo à economia brasileira:

  • Janeiro/2021: de 3,09% para 3,04%;
  • Janeiro/2022: de 3,70% para 3,76%;
  • Janeiro/2023: de 4,89% para 4,73%;
  • Janeiro/2025: de 6,54% para 6,31%;
  • Janeiro/2027: de 7,40% para 7,25%.

Top 5

Confira abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta terça-feira:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
BRKM5Braskem PNA21,63+28,67%
IRBR3IRB ON11,98+15,30%
VVAR3Via Varejo ON6,09+12,15%
GNDI3NotreDame Intermédica ON56,07+9,94%
CVCB3CVC ON14,28+9,01%

Veja também as cinco maiores baixas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
UGPA3Ultrapar ON14,10-2,96%
CIEL3Cielo ON4,83-2,42%
CRFB3Carrefour Brasil ON20,31-1,88%
EMBR3Embraer ON9,62-1,43%
PETR4Petrobras PN16,73-1,18%

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