Menu
2020-06-23T10:22:04-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
juros históricos

BC reitera que eventual corte da Selic será residual, mostra ata

Na semana passada, o colegiado do BC reduziu a Selic pela oitava vez consecutiva, em 0,75 ponto porcentual, de 3,00% para 2,25% ao ano

23 de junho de 2020
8:54 - atualizado às 10:22
Copom
Reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, responsável por definir a Selic - Imagem: Raphael Ribeiro/BCB

O Banco Central reiterou nesta terça-feira, 23, por meio da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), que eventual ajuste futuro na Selic (a taxa básica de juros) será apenas "residual". Na semana passada, o colegiado do BC reduziu a Selic pela oitava vez consecutiva, em 0,75 ponto porcentual, de 3,00% para 2,25% ao ano.

Profissionais do mercado financeiro avaliaram, na ocasião, que a mensagem do BC deixava aberta a possibilidade de novo corte da Selic no encontro marcado para 4 e 5 de agosto. Porém, a mensagem do BC seria de que a taxa básica poderia recuar 0,25 ponto porcentual - este seria o "corte residual".

"Neste momento, o Comitê considera que a magnitude do estímulo monetário já implementado parece compatível com os impactos econômicos da pandemia da covid-19", registrou o BC na ata de hoje, em avaliação já publicada na semana passada.

"Para as próximas reuniões, o comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual."

O BC deixou claro, no entanto, que seguirá atento a revisões de cenário e expectativas de inflação. "O comitê reconhece que, em vista do cenário básico e do seu balanço de riscos, novas informações sobre a evolução da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos", registrou na ata agora divulgada.

Queda forte do PIB

Ao cortar a Selic, o Copom considerou que dados do segundo trimestre do ano corroboram a perspectiva de forte retração do Produto Interno Bruto (PIB) no período.

Na ata da última reunião do colegiado, o BC aponta que esses dados sugerem que a atividade chegou ao seu menor patamar em abril, com uma recuperação apenas parcial em maio e junho.

"O cenário básico considerado pelo Copom considera uma queda forte do PIB na primeira metade deste ano, seguida de uma recuperação gradual a partir do terceiro trimestre", reafirmou o documento.

A ata também reitera a avaliação do colegiado de que o impacto da pandemia de covid-19 sobre a economia brasileira será desinflacionário e associado a forte aumento do nível de ociosidade dos fatores de produção. "A elevação abrupta da incerteza sobre a economia deve resultar em aumento da poupança precaucional e consequente redução significativa da demanda agregada", repetiu o BC.

Trajetória de inflação

Na ata, o BC manteve, de um lado, a avaliação de que o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado.

"Esse risco se intensifica caso a pandemia se prolongue e provoque aumentos de incerteza e de poupança precaucional e, consequentemente, uma redução da demanda agregada com magnitude ou duração ainda maiores do que as estimadas".

Por outro lado, na visão do BC, "políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do País de forma prolongada, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco".

O BC avaliou que, "adicionalmente, os diversos programas de estímulo creditício e de recomposição de renda, implementados no combate à pandemia, podem fazer com que a redução da demanda agregada seja menor do que a estimada, adicionando uma assimetria ao balanço de riscos".

Esse conjunto de fatores, na visão do BC, "implica, potencialmente, uma trajetória para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária".

Potencial limite efetivo mínimo

O colegiado retomou a discussão sobre um "potencial limite efetivo mínimo" para o juro básico brasileiro. Na última quarta-feira (17), a diretoria do Banco Central (BC) reduziu a Selic de 3,00% para 2,25% ao ano.

"Para a maioria dos membros do Copom, esse limite seria significativamente maior em economias emergentes do que em países desenvolvidos devido à presença de um prêmio de risco. Foi ressaltado que esse prêmio é dinâmico e tende a ser maior no Brasil, dadas a sua relativa fragilidade fiscal e as incertezas quanto à sua trajetória fiscal prospectiva", detalhou o documento.

Desta forma, o colegiado entendeu que o atual ciclo já estaria próximo do nível a partir do qual novos cortes na Selic poderiam acarretar "instabilidade nos preços de ativos" com potencial para comprometer o desempenho de alguns mercados e setores econômicos.

"O Comitê também refletiu sobre a importância relativa dos componentes principais do custo de crédito, e ressaltou que o prêmio por liquidez parece prevalecer no momento. Por fim, o Comitê concluiu que esse conjunto de fatores e questões prudenciais justificam cautela na condução da política monetária", completou a ata.

*Com Estadão Conteúdo

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

vice da república

Com atual sistema, qualquer governo terá de se aliar ao Centrão, diz Mourão

Em live do Banco Credit Suisse Brasil, Mourão justificou a aproximação do governo com o grupo de cerca de 200 deputados que compõem os partidos do centro.

parada desde maio de 2019

Com dívidas de R$ 2,7 bi, Avianca Brasil entra com pedido de falência

Com dívidas que somam R$ 2,7 bilhões, a companhia aérea estava sem operar desde maio do ano passado

os dados da caderneta

Com pandemia, poupança tem captação líquida de R$ 20,5 bilhões em junho

A poupança captou R$ 84,434 bilhões no acumulado do ano. Foi o 4º mês seguido de depósitos na caderneta

Sem empolgação

Aura Minerals estreia na B3 em queda firme e com baixo volume de negociação

Os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) da canadense Aura Minerals começaram a ser negociados hoje na B3 — mas os investidores não se mostram muito entusiasmados com o papel

efeito coronavírus?

China confirma suspensão de exportação de carne suína de unidades da BRF e da JBS

Órgão não especifica o motivo do veto, mas as plantas suspensas têm em comum o fato de já terem registrado casos do novo coronavírus entre seus funcionários

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements