Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Value ou growth, nova ou velha economia: o que comprar?

A pergunta de um milhão de dólares agora: devemos sair dos casos da Nova Economia e migrar para bancos, petróleo e coisas parecidas?

11 de novembro de 2020
10:25 - atualizado às 13:22
comprar
Imagem: Shutterstock

As pessoas se preocupam com a possibilidade de alta dos juros longos no Brasil, mesmo diante de seu patamar já bastante elevado. Acho legítimo. Dado o panorama fiscal brasileiro, é razoável ficar vigilante. De minha parte, porém, estou mesmo preocupado é com o juro longo americano.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Explico.

Nesta semana, tivemos uma importante elevação do yield (remuneração) do Treasury de 10 anos, saindo de 0,83% na sexta-feira para 0,98% ontem. As notícias de vacina iminente e eficaz, com consequente recuperação das economias, impõem pressão sobre as taxas de juro mais longas. Os bancos centrais não poderiam ser tão expansionistas em meio ao crescimento econômico, o que implicaria taxas subindo lá na frente.

0,98% ainda é um nível baixo se comparado ao histórico. Contudo, a velocidade do movimento e a possibilidade de que isso continue subindo, talvez para a casa de 1,25%–1,3%, representam um dos grandes catalisadores para a rotação setorial observada nos últimos dias e mesmo entre classes de ativos.

O yield do Treasury de 10 anos, por exemplo, é o grande inimigo do ouro. Quando você tem taxas de juros maiores, você aumenta o custo de oportunidade dos ativos que não pagam yield, como é o caso do ouro. Some a isso overshooting técnico amplificado pelos fundos quant e entendemos a queda de 5% do ouro na segunda-feira.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O metal precioso, que é o grande vencedor de 2020 até aqui ao lado do bitcoin, poderia encontrar sérias dificuldades de continuar subindo em meio à escalada dos yields norte-americanos, forçando uma adequação importante de portfólios em âmbito global. 

Leia Também

Setorialmente, também encontraríamos potencial inversão entre ganhadores e perdedores. Até aqui, 2020 tem favorecido bastante nomes de crescimento e da nova economia, muitos deles beneficiados pela dinâmica do “stay at home” (fique em casa). Tecnologia, e-commerce, empresas verticalizadas de saúde são talvez a maior representação desse pódio.

Enquanto isso, nomes associados ao value investing clássico e da velha economia são, até aqui, os grandes perdedores. Bancos, petrolíferas, educacionais, shoppings e varejo compõem o grupo.

As taxas de juro muito baixas são elementos fundamentais nesse processo. Note que esse é um movimento racional e alinhado às técnicas de valuation e à teoria econômico-financeira tradicional.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O valor de um ativo é determinado pela soma dos seus fluxos de caixa de hoje até o infinito, trazidos a valor presente por uma taxa de desconto apropriada. Obviamente, quanto maiores as taxas de juro de mercado, maior será essa taxa de desconto. 

Os nomes de crescimento, como são tipicamente percebidos os casos de tecnologia, e-commerce e empresas verticalizadas de saúde, que negociam com múltiplos sobre os resultados atuais muito altos, têm a maior parte do seu valor vinda dos fluxos de caixa lá do futuro — muitas vezes até além do horizonte de projeção, ou seja, lá na perpetuidade. Se você sobe a taxa de desconto (por conta de um aumento das taxas de juro de mercado), esses fluxos lá no futuro chegam ao presente muito menores. Ou seja, diminui o valor justo de um ativo de alto crescimento. No relativo, os nomes de value passam a ficar mais atraentes frente aos casos de growth. 

Se você sai de um yield de 10 anos de 0,7%, como tivemos recentemente, para algo como 1,4%, você dobrou. O impacto disso sobre o valuation de nomes cujos fluxos de caixa estão muito no futuro é brutal.

Essa é uma questão fundamental hoje, porque boa parte do smart money local — os grandes ganhadores de dinheiro em Bolsa — está justamente alocada em nomes de nova tecnologia. A continuidade do movimento dos últimos dois dias poderia trazer uma underperformance importante para esse pessoal, catalisando, no limite, um processo de resgate dos fundos, que intensificaria o movimento de venda sobre nomes de tecnologia e nos jogaria num ciclo vicioso.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A pergunta de um milhão de dólares agora: devemos sair dos casos da Nova Economia e migrar para bancos, petróleo e coisas parecidas? 

Minha visão é de que este movimento encontra boas chances de continuar no curto prazo. Há realmente coisas muito boas nesses setores, que foram apreçadas como se o mundo fosse acabar. Destaco, por exemplo: Yduqs, cujos resultados me surpreenderam positivamente (dado o contexto); Banco Pan, que ainda goza da opcionalidade de se tornar um banco digital; e Jereissati, com desconto sobre Iguatemi, que, por sua vez, também soltou resultados indicando uma recuperação mais intensa do que as projeções apontavam. Existem outras, claro.

Contudo, não me parece o caso de deixarmos as carteiras estruturalmente mais concentradas em nomes da velha economia, abandonando os casos de tecnologia, e-commerce, financial deepening e afins. Primeiro por uma razão quase etimológica: é muito difícil lutar contra uma tendência estrutural e secular. Para onde o mundo está indo? É nesses nomes em que precisamos estar. Se estivéssemos caminhando na direção da velha economia e não da nova, a primeira seria nova, e a segunda, velha; não o contrário. Independentemente de vacina ou pandemia, o cenário para bancos e petróleo a médio e longo prazo é bastante desafiador.

Em paralelo, ainda que possamos ter o yield de 10 anos dos EUA subindo alguns pontos-base a mais, não me parece provável uma extensão muito grande do movimento. Ainda temos meses, talvez trimestres, até que as economias voltem a operar “normalmente" (seja lá o que isso queira dizer, mas aqui no sentido mais simples do termo: de livre circulação de pessoas sem máscara e com a possibilidade de se reunirem inclusive em ambientes fechados — well, did I ask too much, more than a lot?). Mesmo quando retornarmos, ainda teremos uma grande ociosidade no mercado de fatores, tanto de capital quanto de trabalho. Estruturalmente, o problema global é de baixo crescimento, não de alta inflação. Isso, inclusive, serve para o caso brasileiro também, mas aí é assunto para outro dia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para completar, ainda que possa haver uma distorção ou outra em nomes de tecnologia em termos de valuation, não me parece uma bolha generalizada. Apple negocia a 30 vezes lucros. É uma pechincha? Claro que não, mas sejamos sinceros: também não dá para comprar Apple muito mais barata do que isso. Se Apple estiver mesmo muito cara, então precisamos avisar Warren Buffett, pois é uma de suas principais posições. Google também parece bem barato se você o modela pela soma das partes. E assim vamos. Temos, sim, questionamentos internos importantes. Felizmente, duvidamos de nós mesmos e temos autocrítica. Mas são situações pontuais, não algo sistêmico como o mercado quis tratar nos últimos dois dias. Posso entender o questionamento sobre nomes como Tesla, Magazine Luiza, Weg, XP. Mas acho muito prematuro estender o mesmo racional para Natura, B3, BTG Pactual, Lojas Americanas, cujos valuations são bastante razoáveis mesmo para patamares maiores de taxas de desconto. Aliás, com esse tanto de loja física, LAME é um caso da nova ou da velha economia? Não seria um pouco dos dois, o que a torna bem preparada para enfrentar qualquer um dos cenários? Como pode isso estar tão barato?

P.S.: Preciso agradecer a adesão além de qualquer expectativa ao nosso MBA com a Estácio. Se você ainda não se inscreveu, aproveite hoje, que conta com benefícios exclusivos. Reitero o que disse: Yduqs está muito barata e merecia um melhor apreçamento em Bolsa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Quando Ormuz trava, o mundo sente: como se proteger da alta das commodities e de um início de um novo ciclo

24 de março de 2026 - 7:25

O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O problema de R$ 17 bilhões do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o efeito da guerra nos mercados, e o que mais você precisa saber para começar a semana

23 de março de 2026 - 8:20

O Grupo Pão de Açúcar pode ter até R$ 17 bilhões em contas a pagar com processos judiciais e até imposto de renda, e valor não faz parte da recuperação extrajudicial da varejista

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação vencedora no leilão de energia, troca no Santander (SANB11), e o que mais mexe com a bolsa hoje

20 de março de 2026 - 7:56

Veja qual foi a empresa que venceu o Leilão de Reserva de Capacidade e por que vale a pena colocar a ação na carteira

SEXTOU COM O RUY

Eneva (ENEV3) cumpre “profecia” de alta de 20% após leilão, mas o melhor ainda pode estar por vir

20 de março de 2026 - 6:03

Mesmo após salto expressivo dos papéis, a tese continua promissora no longo prazo — e motivos para isso não faltam

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ruptura entre trabalho e vida pessoal, o juízo final da IA, e o que mais move o mercado hoje

19 de março de 2026 - 8:21

Entenda por que é essencial separar as contas da pessoa física e da jurídica para evitar problemas com a Receita

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ainda sobre hedge — derivadas da pernada corrente

18 de março de 2026 - 20:00

Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A corrida do Banco Central contra a inflação e o custo do petróleo, a greve dos caminhoneiros e o que mais afeta os mercados hoje

18 de março de 2026 - 8:18

Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como o petróleo mudou o jogo para o Copom e o Fed, a vantagem do Regime Fácil para as empresas médias, e o que mais move as bolsas hoje

17 de março de 2026 - 8:46

O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Do conflito no Oriente Médio ao Copom: como o petróleo mudou o jogo dos juros

17 de março de 2026 - 7:35

O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

VISÃO 360

A classe média que você conheceu está morrendo? A resposta é mais incômoda

15 de março de 2026 - 8:00

Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia