Save the date: a alma do investidor imoral
Assim como a vida, o investimento também é um ato de equilibrar forças ambivalentes, a intuição de Dionísio com as técnicas de valuation nas planilhas de Apolo

Uns diriam que é cedo para o convite. Talvez seja. Eu, no entanto, prefiro pecar pela cautela. O investidor sabe o valor da previsibilidade para os negócios.
Daqui a exatamente um mês, estaremos reunidos no Jockey, com nossos principais assinantes e convidados, para uma apresentação drive-in da peça “A Alma Imoral”. Tudo, claro, respeitando as regras de distanciamento social.
Será a coroação do nosso aniversário, sempre comemorado em novembro. Desta vez, com uma evolução importante: a festa será da Universa, ou seja, uma celebração conjunta da Empiricus e da Vitreo. O sonho é grande e sinto orgulho ao dizer que o evento, que vai durar a semana toda, entre os dias 23 e 27 de novembro, obedece à proporção da atividade onírica.
Arriscaria afirmar que, dentro do ecossistema do mercado financeiro, só Empiricus e Vitreo poderiam fazer um evento dessa natureza. O que “A Alma Imoral” tem a ver com investimentos?
Bom, poderia começar dizendo que, diferententemente do que se vê por aí, nós temos alma. Somos o que você vê. Corpos escolhidos por almas — ou daimons — que já sabiam o que queriam depois de seu retorno do Hades, tal como no mito de Er. Não dormimos de um determinado jeito e, depois de um rápido greenwashing, acordamos ESG. Não somos heróis nacionais enrolados à bandeira verde e amarela que celebram o próprio sucesso no exterior. Somos apenas humanos, convivendo com nossas ambivalências, tentando encontrar um jeito de ser e estar no mundo. Como encerra o texto dos nosso Princípios, “estamos aqui tentando conviver com os nossos graves defeitos”. Nas leituras sinuosas de “Poema em linha reta”, também verificamos que não temos par nisto tudo neste momento. Só há príncipes na Faria Lima e no Leblon. Onde é que há gente neste mundo?
O que será o investidor senão um humano?
Essa é a grande lição que quis transmitir ao encerrar nosso evento de final de ano com “A Alma Imoral”, uma das coisas mais lindas que já vi na vida. E posso imaginá-la apoteótica no Jockey, com a espetacular Clarice Niskier ocupando os telões anteriormente já estampados por gente como Marlon Brando, na vez em que pude ver “O Poderoso Chefão” no Vivo Open Air.
Assim como a vida, o investimento também é um ato de equilibrar forças ambivalentes, a intuição de Dionísio com as técnicas de valuation nas planilhas de Apolo. A capacidade de olhar o seu lado escuro e saber que você vai errar, mas que precisará ter competência até nos erros. Não se trata de negá-los, e sim de fazê-los conviver com os acertos. O médico e o monstro juntos num só. A arte em encontrar a linha fina entre a teimosia e a persistência, a disposição ao risco e a devida prudência, a agressividade e a cautela.
O bom investidor é também um ser imoral, no sentido de que ele não obedece a um conjunto de regras prescritas pelos grandes defecadores de sapiência. Não pode permitir que suas atitudes estejam sob a égide de uma determinada ideologia ou religião. Ele se adapta às condições do ambiente.
“Eu não compro estatais.” “Não gosto de turnaround.” “Só topo boa governança.” “Empresa endividada não rola.” “Evito nomes ilíquidos.” Então você compra o quê? Num ambiente de poucos nomes disponíveis e com tanta competição, criar uma conjunto de regras fixas e rígidas apenas diminui a chance do próprio sucesso.
Seguido da apresentação da peça, faremos um debate sobre o enredo e seus desdobramentos sobre a vida cotidiana. Minha posição ali será de levar isso ao contexto dos investimentos. Afinal, não é a mesma coisa?
Este será o maior evento que já fizemos. Por favor, não me tome por pretensioso. Não há nada aqui de “o maior evento da história do mercado financeiro”. Deixo aos nossos heróis, cujo resultado já conhecemos, as falácias do “nunca antes na história deste país…”. Sou capaz apenas de nos comparar a nós mesmos. Não tínhamos até hoje alcançado tão amplo e profundo conteúdo, sempre com o foco de ajudar o investidor. É ele quem está no centro e comanda esta celebração. E quando falamos em ajudá-lo não se trata necessariamente de falarmos apenas e tão somente de finanças diretamente. Sou um grande defensor de que a erudição e o repertório diverso ajudam muito na capacidade de construir analogias, conectar os pontos e identificar boas teses de investimento. Portanto, entre outros objetivos, está o de tentar provocar a capacidade de questionamento. O ato mais puro e simples de se pensar com a própria cabeça.
A reunião presencial drive-in no Jockey apenas encerra uma semana inteira de apresentações online.
Começamos no dia 23 de novembro cedo pela manhã, com uma live com o ministro Paulo Guedes. Será um grande privilégio podermos ouvir aquele que mais representa o bastião do ajuste fiscal brasileiro. Podemos ter críticas quanto a essa ou aquela declaração, questionar se o “execution” não poderia ter sido melhor. Mas me parece inegável que, como brasileiros, devemos muito ao ministro Paulo Guedes. Acho que a coisa já teria ido para o saco há algum tempo se não fosse por ele. Se temos um herói nessa nossa triste história, é ele. O verdadeiro liberal.
Na sequência, teremos um papo entre o Jojo, CIO da Vitreo, e os analistas da Empiricus. Para completar o dia, Murillo de Aragão, da Arko Advice, traz um panorama prospectivo para as reformas brasileiras — para mim, Murillo é o principal analista político do Brasil e ouvi-lo sobre o que deve ou não ser aprovado no final deste ano e em 2021 será muito rico. Encerramos o dia com um papo com o sempre mais do que competente Eduardo Giannetti e Joel Pinheiro da Fonseca.
Já no dia 24, faremos um painel da pesada com grandes gestores de ações: às 10h, eu e Jojo conversamos com André Ribeiro (Brasil Capital), Florian Bartunek (Constellation) e Maurício Bittencourt (Velt). Uma espécie de “audiência obrigatória” para todos aqueles que se interessam por ações. À tarde, teremos uma palestra do professor Hendrik Bessembinder, para dar detalhes dos períodos de drawdowns da Bolsa e nos ensinar a como percorrer os momentos mais adversos da renda variável. Seguimos com uma conversa entre a turma da Vitreo e os analistas da Empiricus. Terminamos o dia com um bate-papo muito interessante entre Luiz Felipe Pondé e Fernanda Torres, discutindo a relação entre ansiedade e felicidade — não perco por nada, porque sou fã incondicional dos dois.
Abrimos o dia 25 com os melhores gestores multimercados do Brasil. Confesso sinceramente que isso não seria possível sem a Vitreo. É total mérito do Jojo. Eu não fiz nada aqui. Uma grande honra reunir André Jakurski (JGP), Rogério Xavier (SPX) e Carlos Woelz (Kapitalo). Vamos para mais um papo do Jojo com os analistas da Empiricus e, subsequentemente, às 16h, eu faço uma conversa sobre Ouro & Vinho com Paulo Brito. O que essas coisas têm a ver? Eu poderia dizer que o vinho é o ouro em forma de bebida, mas não é isso. Paulo é da família controladora da Aura Minerals, a empresa brasileira mineradora de ouro, com BDRs na B3, e também da vinícola Guaspari, do premiado Syrah Vista da Serra. Fechamos o pregão com Amyr Klink e José Roberto Guimarães debatendo o que o esporte pode ensinar sobre disciplina e foco — desnecessário demarcar a importância dos atributos para o investidor, não é mesmo?
Vamos para o dia 26: abrimos com uma conversa minha com Abilio Diniz, que dispensa apresentações. Lições de varejo, investimento, empreendedorismo, bem-estar e mais qualquer outra coisa que ele quiser falar, porque só temos a aprender com ele. Às 14h, eu e Jojo conseguimos arrastar o Rodolfo para um vídeo, o que talvez seja o maior milagre dessa história toda! E para fechar o dia com chave de ouro, um papo meu com o espetacular Sergio Rial — já olhou o resultado do Santander hoje?
Para o último dia, guardamos as ideias de inovação e tecnologia de Simon Mulcahy, da Salesforce, uma grande referência no setor. E nosso CEO, Caio Mesquita, conversa às 13h com Daniel Bergamasco. À tarde, rumamos para o Jockey, para nosso evento presencial.
Ainda há uma chance de surpresinhas aos 45 minutos do segundo tempo. Além de Day One, outro nome possível para esta newsletter seria: last-minute stamina. Só acaba quando termina. Se o impulso inicial dionisíaco não encontrar a persistência apolínea, não adianta nada. O investidor com muita iniciativa não será nada sem terminativa. Já vi muita gente assim. Claro que nosso objetivo sempre foi e será torná-los melhores investidores. No final, porém, acho que isso é ser também um melhor ser humano.
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