🔴 ONDE INVESTIR 2026: ESTRATÉGIAS DE ALOCAÇÃO, AÇÕES, DIVIDENDOS, RENDA FIXA, FIIS e CRIPTO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Pearl Harbor: isso não é uma correção, é um bear market

A mensagem que gostaria de transmitir é que o comportamento dos mercados desde fevereiro não é uma simples correção. É um bear market. E isso muda tudo.

6 de abril de 2020
10:38 - atualizado às 13:27
Bear market bolsa Ibovespa crise
Imagem: Shutterstock

Você vai estar empregado daqui a dois meses? Ah, entendo. Você é um empresário. Então, seu negócio estará aberto em julho? Se sim, vendendo quanto? Como estarão seus gastos pessoais ali na frente? Se, por alguma razão ainda desconhecida, as coisas ficarem piores, você estará preparado? Como ficaria seu patrimônio diante da potencial materialização de um quadro mais negativo?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quando ouço coisas como “os EUA viverão seu momento Pearl Harbor do século 21” ou “as próximas semanas serão muito duras em termos de mortes”, ou mesmo quando leio sobre o fechamento de 700 mil postos de trabalho norte-americano contra uma expectativa de 100 mil e sobre 9,9 milhões de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA em duas semanas, penso que as perguntas pertinentes para o momento são as colocadas acima.

Ao observar certos comportamentos e estatísticas, porém, infiro que as preocupações — ou, ao menos, boa parte delas — são de outra natureza: as pessoas ainda estão focadas em rapidamente capturar a primeira oportunidade que aparece e multiplicar seu capital com algum atalho que lhes foi apresentado.

Essa dinâmica ganha contornos mais marcados em dias positivos para as Bolsas mundiais, como — ao menos até agora (e essa tem sido uma ressalva importante diante de tanta volatilidade) — parece ser esta segunda-feira. Interpretações sobre uma suposta superação da crise e uma iminente supervalorização do preço dos ativos começam a pipocar, a partir do primeiro dado favorável.

Não quero aqui diminuir a importância dos dados do fim de semana. A situação mais delicada na Europa começa a ser superada, e Nova York emitiu o primeiro sinal favorável, com diminuição notável do número de mortes no domingo. Contudo, há muitas adversidades ainda sobre a mesa e precisamos ponderar mais pesadamente sobre a possibilidade de materialização de um cenário mais negativo. Sabe por quê? Porque se vier o cenário positivo, então estaremos tautologicamente em situação positiva — ninguém precisa estar preparado para uma surpresa boa. É assimétrico, entende?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Deixe-me tentar colocar as coisas sob outro ângulo. A mensagem que gostaria de transmitir é que o comportamento dos mercados desde fevereiro não é uma simples correção. É um bear market. E isso muda tudo.

Leia Também

Como em “O Sonho de Cassandra”, de Woody Allen, também gostaria de estarmos todos num barco velho que nos levasse aos dias felizes de uma juventude longínqua e, infelizmente, superada. Com certo desgosto, não sei se vendo um momento Pearl Harbor ou a guerra de Troia, suspeito ser o portador de más notícias. Como a Cassandra original, incorro no risco de ser desacreditado e considerado louco, mas entendo que muitos analistas, gestores e investidores ainda estão em “denial mode”, querendo uma rápida e vertiginosa recuperação que não combina com comportamentos típicos de bear market — confesso um gosto amargo na boca quando soube do crescimento de 15% do número de pessoas físicas em março na base de cadastros da B3, para 2,24 milhões; são investidores que chegam numa hora muito dura, com extrema volatilidade e que, possivelmente, foram atraídos por um discurso de “oportunidade por barganhas”.

Na Folha, ontem, li um raciocínio tão simplista quanto: “segundo a Global Chief Investment Officer (CIO) do HSBC, Joanna Munro, em entrevista para o Financial Times nesta semana, a recuperação dos preços máximos anteriores demora cerca de duas vezes o tempo do declínio na crise. Como ela afirma, se isto se mantiver, podemos ver os preços voltando, ao patamar anterior, em menos de seis meses”.

Existem dois problemas óbvios com a construção. O primeiro é que a estatística em questão é construída para a média das recuperações — e pode sempre haver uma enorme dispersão em torno da média. Mas o pior sinceramente não é isso. Poderíamos até esquecer esse ponto. A questão central é que se parte de uma premissa de que o mercado já fez seu fundo. E isso não encontra qualquer sustentação epistemológica. Só conhecemos fundos de movimentos já realizados no passado; jamais podemos afirmar que os mercados já fizeram suas mínimas diante de um movimento ainda em construção. A História está sendo vivida.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com efeito, se essa História não se repete, mas rima, como afirma Mark Twain, podemos (e devemos) viver novos fundos. Na recessão de 2000-01, por exemplo, antes de fazer sua “verdadeira mínima”, os índices de ações norte-americanos passaram por quatro altas superiores a 20%. Em 2008-09, a Lehman quebrou em 15 de setembro e o mercado só foi fazer um fundo em março do ano seguinte. 

Afirmar que o mercado já fez um fundo é uma mera torcida, sem qualquer validade empírica ou mesmo da lógica. Nós não sabemos e precisaremos esperar para saber, só o benefício da retrospectiva poderá resolver essa questão. Há vários analistas, inclusive, alertando para a possibilidade de o S&P 500 fazer novos fundos no mês de abril, beliscando os 2.000 pontos — a Goldman Sachs tem sido bastante vocal nessa direção, André Esteves falou algo assim no papo comigo na sexta-feira, o Citi lembrou da regra de bolso sobre ações que acompanham a evolução dos lucros corporativos (enquanto projeta uma queda de lucros de 50%; ou seja, ainda teria bom espaço para desvalorização do S&P 500).


Há duas grandes ondas na crise atual. A primeira é humanitária, de saúde. Ainda que a curva de mortes pareça ter superado sua situação mais grave, há muitas dúvidas sobre sua volta. Em Nova York, tivemos um único dia de queda de mortes — infelizmente, um dado numa amostra não quer dizer muita coisa e, para desespero dos ansiosos, precisaremos de mais informação antes de pularmos diretamente para as conclusões (ainda que seja uma tendência enorme, queremos concluir antecipadamente sobre as coisas; a paciência é uma virtude).

A segunda é econômica e, sobre essa, temos pouca informação ainda sobre a profundidade e a extensão do problema, bem como sobre a forma de sua recuperação lá na frente. Com efeito, os poucos números disponíveis até agora foram alarmantes. Por conta do tuíte sobre o petróleo do jornalista especializado em furos Donald Trump, acabamos deixando o Initial Claims em segundo plano na quinta-feira passada, mas foram 6,6 milhões de pedidos de auxílio-desemprego numa única semana, muito além da pior estimativa. Na sexta, veio outra porrada com o Relatório de Emprego, que nem pegou ainda em cheio os dados da crise. Na esteira, os analistas do Morgan Stanley, que já estavam entre os pessimistas ao prever uma redução trimestral do PIB dos EUA de 30%, atualizaram sua projeção para uma queda de 38%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Isso é absolutamente brutal e, no meu entendimento, engana-se quem projeta uma recuperação rápida, porque houve, de fato, uma destruição enorme de valor intrínseco propriamente dito. Muitos hábitos de consumo serão simplesmente postergados, mas outros mudarão mesmo, de forma definitiva e estrutural, com várias pequenas e médias empresas ficando pelo caminho.

Se esse for mesmo um bear market típico, teremos superada essa fase inicial de volatilidade mais aguda — dificilmente teremos altas e baixas como aquelas de 10% na sequência. A parte de ajuste agudo nos portfólios e de desalavancagem já aconteceu, evitando-se problemas maiores a partir da importante atuação dos bancos centrais e Tesouros Nacionais. Agora, iniciaremos um segundo momento, em que as notícias sobre economia e lucros corporativos passam a dominar os movimentos, com o enfrentamento de uma dura realidade. Em sendo essa a verdade, o jeito de se operar bear markets é aproveitar as altas para fazer novas vendas, e não encará-las como o início de uma tendência positiva vigorosa. 

Eu, como Riobaldo, “ave, vi de tudo neste mundo! Já vi até cavalo com soluço — o que é a coisa mais custosa que há”. Mas bear market que não testa ao menos duas vezes o fundo ainda não vi. O jogo é longo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Prepare-se para um corte da Selic ainda hoje

28 de janeiro de 2026 - 15:03

Por isso, deveríamos estar preparados para um corte da Selic nesta SuperQuarta — o que, obviamente, é muito diferente de contar com isso

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

BC não tem pressa, bolsa dispara e dólar afunda: veja o que move os mercados hoje

28 de janeiro de 2026 - 8:32

Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central, explica por que a Selic não deve começar a cair hoje; confira a entrevista ao Seu Dinheiro

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A mensagem que pode frear o foguete do Ibovespa, mais tarifas de Trump e o que mais os investidores precisam saber hoje

27 de janeiro de 2026 - 8:23

A primeira Super Quarta do ano promete testar o fôlego da bolsa brasileira, que vem quebrando recordes de alta. Alianças comerciais e tarifas dos EUA também mexem com os mercados hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Super Quarta sob os holofotes: juros parados, expectativas em movimento

27 de janeiro de 2026 - 7:08

A expectativa é de que o Copom mantenha a Selic inalterada, mas seja mais flexível na comunicação. Nos EUA, a coletiva de Jerome Powell deve dar o tom dos próximos passos do Fed.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os investimentos na tabela periódica, tensões geopolíticas e tarifas contra o Canadá: veja o que move os mercados hoje

26 de janeiro de 2026 - 8:28

Metais preciosos e industriais ganham força com IA, carros elétricos e tensões geopolíticas — mas exigem cautela dos investidores

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O corre de R$ 1 bilhão: entre a rua e a academia premium, como a imensa popularidade das corridas impacta você

24 de janeiro de 2026 - 9:02

Sua primeira maratona e a academia com mensalidades a R$ 3.500 foram os destaques do Seu Dinheiro Lifestyle essa semana

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O melhor destino para investir, os recordes da bolsa e o que mais você precisa saber hoje

23 de janeiro de 2026 - 8:24

Especialistas detalham quais os melhores mercados para diversificar os aportes por todo o mundo

PARECE QUE O JOGO VIROU

Onde não investir em 2026 — e um plano B se tudo der errado

23 de janeiro de 2026 - 6:45

Foque sua carteira de ações em ativos de qualidade, sabendo que eles não vão subir como as grandes tranqueiras da Bolsa se tivermos o melhor cenário, mas não vão te deixar pobre se as coisas não saírem como o planejado

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A batalha da renda fixa, o recorde da bolsa, e o que mais move os mercados hoje

22 de janeiro de 2026 - 8:30

A disputa entre títulos prefixados e os atrelados à inflação será mais ferrenha neste ano, com o ciclo de cortes de juros; acompanhe também os principais movimentos das bolsas no Brasil e no mundo

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Menos cabeças, mais PIB para a China?

21 de janeiro de 2026 - 20:13

No ritmo atual de nascimentos por ano, a população chinesa pode cair para 600 milhões em 2100 — menos da metade do número atual

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Veja onde investir em 2026, o que esperar das reuniões em Davos e o que mais afeta as bolsas hoje

21 de janeiro de 2026 - 8:28

Evento do Seu Dinheiro tem evento com o caminho das pedras sobre como investir neste ano; confira ao vivo a partir das 10h

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A batalha pelas compras do Brasil, a disputa pela Groenlândia e o que mais move os mercados hoje

20 de janeiro de 2026 - 8:34

Mercado Livre e Shopee já brigam há tempos por território no comércio eletrônico brasileiro, mas o cenário reserva uma surpresa; veja o que você precisa saber hoje para investir melhor

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

A diplomacia gelada: um ano de Trump 2.0, tensão na Groenlândia e o frio de Davos

20 de janeiro de 2026 - 7:58

A presença de Trump em Davos tende a influenciar fortemente o tom das discussões ao levar sua agenda centrada em comércio e tarifas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Queda da Selic não salva empresas queimadoras de caixa, dados econômicos e o que mais movimenta seu bolso hoje

19 de janeiro de 2026 - 8:34

Companhias alavancadas terão apenas um alívio momentâneo com a queda dos juros; veja o que mais afeta o custo de dívida

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação certa para a reforma da casa, os encontros de Lula e Galípolo e o que mais você precisa saber hoje

16 de janeiro de 2026 - 8:17

O colunista Ruy Hungria demonstra, com uma conta simples, que a ação da Eucatex (EUCA4) está com bastante desconto na bolsa; veja o que mais movimenta os mercados hoje

SEXTOU COM O RUY

Eucatex (EUCA4): venda de terras apenas comprova como as ações estão baratas

16 de janeiro de 2026 - 6:04

A Eucatex é uma empresa que tem entregado resultados sólidos e negocia por preços claramente descontados, mas a baixa liquidez impede que ela entre no filtro dos grandes investidores

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O fantasma no mercado de dívida, as falas de Trump e o que mais afeta seu bolso hoje

15 de janeiro de 2026 - 8:30

Entenda a história recente do mercado de dívida corporativa e o que fez empresas sofrerem com sua alta alavancagem; acompanhe também tudo o que acontece nos mercados

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Fiscalização da Receita fica mais dura, PF faz operação contra Vorcaro, e o que mais movimenta seu bolso

14 de janeiro de 2026 - 8:46

Mudanças no ITBI e no ITCMD reforçam a fiscalização; PF também fez bloqueio de bens de aproximadamente R$ 5,7 bilhões; veja o que mais você precisa saber para investir hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que a Azul (AZUL54) fez para se reerguer, o efeito da pressão de Trump nos títulos dos EUA, e o que mais move os mercados

13 de janeiro de 2026 - 8:38

Entenda o que acontece com as ações da Azul, que vivem uma forte volatilidade na bolsa, e qual a nova investida de Trump contra o Fed, banco central norte-americano

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Governo Trump pressiona, e quem paga a conta é a credibilidade do Federal Reserve

13 de janeiro de 2026 - 7:46

Além de elevar o risco institucional percebido nos Estados Unidos, as pressões do governo Trump adicionam incertezas sobre o mercado

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar