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No dia 2 de janeiro, primeiro pregão da bolsa em 2020, o Ibovespa marcou uma alta de 2,53% e atingiu a maior pontuação de fechamento até então, aos 118.573 pontos.
Era um começo promissor para um ano que tinha tudo para marcar o processo de retomada da economia (ainda que em ritmo de carro com motor 1.0).
Um investidor que tivesse aplicado R$ 1.000 na bolsa no último dia do ano teria ficado R$ 25,30 mais rico logo de cara.
E chegaria a acumular perto de R$ 1.035 no dia 23 de janeiro (os cálculos são todos aproximados), quando o Ibovespa bateu o recorde de 119.527 pontos.
Naquele momento, absolutamente ninguém esperava que quase toda a economia global estaria paralisada menos de dois meses depois afetada por uma pandemia.
Até mesmo quem ganhou dinheiro na crise o fez por outras razões – por achar que a bolsa estava cara, por exemplo. É o famoso "mirou no que viu e acertou no que não viu".
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E o investidor do nosso exemplo? Com o tombo histórico de 36,86% do Ibovespa no trimestre, os R$ 1.000 iniciais em ações hoje valem apenas R$ 630.
Acompanhar a derrocada da bolsa nas últimas semanas foi como assistir à goleada de 7 a 1 aplicada pela Alemanha. Foi um misto de incredulidade e perda total de referência.
A diferença do futebol para o choque do coronavírus é que ainda não sabemos em que tempo estamos dessa partida. Podemos tanto levar mais gols como iniciar uma reação a qualquer momento.
Para entender como a bolsa foi à lona tão rápido eu recomendo a leitura da cobertura de mercados do Victor Aguiar, que conta em detalhes as principais etapas da crise e os impactos para a bolsa e para o dólar.
Não está fácil para ninguém — nem para quem costuma fazer bem o seu dever de casa. A varejista Lojas Renner, celebrada como boa entregadora de resultados por analistas com frequência, foi mais uma a reconhecer os impactos do novo coronavírus nos seus negócios. A companhia decidiu cortar a distribuição de dividendos e também os investimentos previstos para este ano para preservar o caixa. O Felipe Saturnino traz todos os números para você.
Se você está sentindo falta do happy hour da firma, imagine a Ambev. A empresa já vinha sofrendo com o aumento da concorrência nos últimos anos, mas nada comparável aos efeitos do corona (o vírus, não a cerveja). Diante dos impactos negativos da pandemia nas vendas, o Credit Suisse decidiu reduzir a recomendação para as ações da cervejaria. Nesta matéria do Kaype Abreu você confere as projeções dos analistas do banco suíço.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu dar mais prazo para a apresentação das informações periódicas das companhias abertas. Entre as mudanças, o aumento de dois meses para a entrega dos balanços de 2019, que deveriam ser publicados até hoje. A xerife do mercado de capitais também esticou os prazos para a apresentação de outros documentos.
Para quem ainda tinha alguma dúvida sobre o estrago do coronavírus na economia global, o Goldman Sachs divulgou hoje uma projeção de arrepiar. O banco revisou a estimativa para o PIB dos Estados Unidos e agora espera uma contração de nada menos que 34% no segundo trimestre do ano — ainda maior que a anterior, de retração de 24%. Saiba nesta matéria por que os analistas ampliaram o tamanho do tombo projetado.
Uma frase de Chorão e uma discussão com Gregório Duvivier podem ensinar muito sobre o objeto fundamental da economia: a escassez. E, em tempos de coronavírus, não se deve esquecer nunca que o patrimônio — um recurso — também deve ser protegido para não se esgotar. Na coluna de hoje, Felipe Miranda discute o efeito “cada escolha, uma renúncia” na economia real e na sua vida, investidor.
Uma ótima noite para você!
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