O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
O Ibovespa saiu do nível dos 100 mil pontos e encerrou o mês perto dos 70 mil, fortemente impactado pela crise do coronavírus e pela guerra de preços do petróleo. O dólar disparou e foi a R$ 5,19, renovando mais recordes nominais

Como era a vida em 28 de fevereiro? Bem, o Carnaval ainda estava fresco na memória, as eleições nos EUA geravam tensão nas redes sociais, o Ibovespa marcava 104.171,57 pontos e o coronavírus começava a se espalhar pela Itália — o que desencadeou uma correção nas bolsas globais, mas sem tirar o sono dos investidores.
Um mês depois, o Carnaval é apenas uma lembrança distante, as eleições americanas sumiram do noticiário e o Ibovespa despencou numa velocidade vertiginosa: fechou o pregão desta terça-feira (31) em queda de 2,17%, aos 73.019,76 pontos. No mês, o índice acumulou incríveis 29,9% de baixa — o pior desempenho mensal desde agosto de 1998, quando caiu 39,55%.
Quanto ao coronavírus, os casos que se concentravam na China e na Itália se espalharam pelo mundo: mais de 800 mil pessoas já foram diagnosticadas com a doença, das quais 41 mil morreram; no Brasil, já são 5.717 pessoas infectadas, com 201 óbitos.

Trata-se de uma mudança de cenário poucas vezes vista na história, e eu não me refiro apenas aos mercados financeiros. Em um mês, o mundo precisou se adaptar a uma nova rotina, com isolamento social e uma paralisação quase completa das atividades econômicas.
E, com a roda da economia travada por fatores externos, a percepção de solidez das empresas desmoronou como um castelo de cartas. Sem ter qualquer visibilidade quanto ao futuro, os investidores passaram a vender ações em massa, causando um frenesi nas bolsas globais.
Basta ver a evolução do Ibovespa ao longo do mês para ter uma dimensão do estrago. No dia 6, o índice perdeu o nível dos 100 mil pontos e, no dia 9, ficou abaixo dos 90 mil. No dia 12, foi a vez de o patamar dos 80 mil ser perdido — no dia 18, a bolsa cedeu ainda mais e passou a marcar menos de 70 mil pontos.
Leia Também
Nesse meio tempo, tivemos pregões turbulentos e com quedas acentuadas — tão volumosas que o chamado 'circuit breaker', mecanismo que interrompe as negociações quando o Ibovespa atinge os 10% de baixa, precisou ser acionado mais de uma vez ao longo de março.
Para ser mais preciso, o botão do pânico foi apertado seis vezes no mês — marca idêntica à vista em 2008, durante a crise financeira global.

O que explica todo esse pânico?
Bem, em primeiro lugar, é preciso lembrar que o Ibovespa e as bolsas globais estavam muito perto de suas máximas históricas, em meio ao otimismo quanto aos rumos da economia global e às taxas de juros cada vez mais baixas no mundo todo.
Tanto é que muitos analistas e investidores já se mostravam um pouco incomodados com o bull market, acreditando que os níveis de preço das ações estavam esticados demais — nesse cenário, um movimento de correção não seria de todo mal.
No entanto, não tivemos um simples ajuste de preços. Com o coronavírus avançando mais e mais pelo globo — e com países inteiros entrando em quarentena para tentar conter a dissipação da doença —, a economia global foi praticamente tirada da tomada.
Assim, as projeções de crescimento da atividade em 2020, antes pujantes, se esvaziaram: a maior parte das casas de análise agora trabalha com um cenário de retração econômica global neste ano — no Brasil, as estimativas já são de PIB negativo, até mesmo no boletim Focus.
Afinal, em meio ao caos provocado pela pandemia, a prioridade é garantir que pequenas e médias empresas não quebrem e que as pessoas tenham condições de atravessar o período de crise. A máquina pública global entrou num modo de sobrevivência.
Em meio ao turbilhão do coronavírus, ainda tivemos um segundo foco de incêndio: a guerra de preços do petróleo, com Arábia Saudita e Rússia disputando o controle da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
O embate entre sauditas e russos derrubou a cotação da commodity — o barril de petróleo, que chegou a superar os US$ 70 em 2019, agora está abaixo de US$ 25. Um cenário que aumentou ainda mais a tensão dos mercados globais e afetou especialmente as petroleiras, como a Petrobras.
A cautela também tomou conta do mercado de câmbio — e olha que o dólar à vista já vinha numa escalada bastante intensa desde o começo do ano. Sem saber os rumos da economia global, os investidores correram para a moeda americana, em busca de proteção.
Como resultado, o dólar à vista fechou a sessão de hoje em alta de 0,31%, a R$ 5,1966 — um novo recorde nominal de encerramento. Somente em março, a divisa acumulou valorização de 16,03%; no trimestre, o salto foi de 29,53%.

Em paralelo à escalada no dólar, também tivemos um movimento de baixa nas curvas de juros. Com as incertezas geradas pelo coronavírus e a perspectiva de retração econômica, o mercado passou a apostar em mais cortes na Selic, de modo a tentar estimular o nível de atividade.
E, de fato, a estratégia de afrouxamento monetário foi colocada em prática por diversos bancos centrais do mundo: nos Estados Unidos, o Federal Reserve promoveu dois cortes extraordinários nas taxas do país, levando-as para o nível de 0% a 0,25% ao ano — ao todo, a redução foi de 1,5 ponto.
Na Europa e na Ásia, diversas outras autoridades seguiram caminhos semelhantes, o que praticamente obrigou o Copom a ir na mesma direção, com um corte de 0,5 ponto na Selic, para 3,75% ao ano.
Por mais que o BC tenha se mostrado conservador no comunicado que acompanhava a decisão de juros, os investidores continuam firmes na aposta de mais reduções na Selic. Em primeiro lugar, a ata do Copom deixou a porta aberta para novas baixas; em segundo, a baixa pressão inflacionária, mesmo em meio à alta do dólar, abre espaço para mais quedas.
Nesse sentido, veja como ficaram os principais DIs nesta terça-feira:
OPORTUNIDADE À VISTA
NOVO TARIFAÇO
BOTÃO DE CAUTELA
AVANÇANDO NO SETOR DE SAÚDE
NEGOCIAÇÕES EM FOCO
BALANÇO DO MÊS
MERCADOS HOJE
UMA NOVA ERA
MERCADO IMOBILIÁRIO
NO CENTRO DA TEMPESTADE
TRÉGUA NO RADAR
POTENCIAL
INQUILINO NA ÁREA
NO BOLSO DO COTISTA
HORA DE COMPRAR?
O QUE FALTA?
AGORA VAI?
A SEMANA NA BOLSA
RENDA RECORRENTE
POTENCIAL NA TERCEIRIZAÇÃO