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Com tanto dinheiro girando no mundo, quem tem pede muito quem não tem pede mais. Os versos de Zé Ramalho não poderiam resumir melhor a encruzilhada na qual vive o mundo econômico em meio à crise do coronavírus.
Quem tem pede muito. Nos Estados Unidos, a falta de um acordo para a aprovação de um novo pacote trilionário de estímulos aumenta a tensão nos mercados às vésperas das eleições na maior economia do mundo.
Quem não tem pede mais. Por aqui, é a indefinição sobre como o governo vai lidar com a situação fiscal depois da crise que pesa na bolsa e nos demais ativos financeiros.
Ainda não sabemos como o governo pretende financiar o programa social que deve substituir o bolsa família, muito menos como e se ele será compatível com o cumprimento do teto de gastos.
Na peleja da bolsa com a crise fiscal, qualquer sinal de fumaça é o suficiente para levar a uma nova onda de aversão a risco. Foi o que aconteceu hoje, depois que Rodrigo Maia voltou a cobrar publicamente o governo sobre o andamento das reformas.
Em dias assim, os investidores correm para o dólar e deixam a bolsa. A moeda norte-americana subiu forte e o Ibovespa voltou a ficar abaixo dos 100 mil pontos.
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