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Alguém poderia me responder por favor?

Será mesmo que os mercados se comportam em ciclos, em grandes ondas longas, que duram anos, em que a próxima onda sempre toca o máximo e/ou o mínimo anterior? E estariam mesmo as ações subindo nas últimas semanas ou seria o dinheiro que está caindo?

22 de abril de 2020
10:52 - atualizado às 13:26
Dúvida
Imagem: Shutterstock

Às vezes, quase sempre, acho meus textos longos demais. Talvez eu seja apenas prolixo. Talvez seja falta de tempo. Faço longo por falta de tempo de fazê-los curtos. Mais provável que a incompetência decorra da soma das duas coisas.

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Por conta do feriado, tive um pouco mais de tempo e, por isso, hoje vai ser mais curto. Com mais tempo na agenda, tenho espaço para mais reflexões. Sem a pretensão de que elas venham acompanhadas de respostas. Como diria meu professor Luizinho, importam as perguntas. Tenho pena daqueles portadores de tantas certezas, desprovidos da capacidade de questionar, inclusive a si mesmos.

Sabe, eu fico pensando… será mesmo que os mercados se comportam em ciclos, em grandes ondas longas, que duram anos, em que a próxima onda sempre toca o máximo e/ou o mínimo anterior? Eu tenho essa dúvida porque, conforme me lembrou o Pedro Cerize, que é um gênio, se nós estivermos na quinta onda do Ibovespa, vamos lá superar os 40 mil pontos em dólar. Mas — e esse é um grande mas — se nós ainda estivermos na quarta onda, devemos caminhar para os 9.000 pontos em dólar.

Pode parecer assustador, mas me vêm tantas combinações possíveis à mente. 60 mil com R$ 6,50 por dólar; 65 mil com R$ 6; e por aí vai. Claro que parece distante agora. Sempre parece ex-ante. Mas, objetivamente, 62 mil pontos bateu outro dia. Some a isso uma eventual crise institucional doméstica com o segundo teste da mínima lá fora, típica dos bear markets, e estaremos lá. Minha dor é perceber que, apesar de termos feito tudo o que fizemos, talvez ainda sejamos os mesmos. Depois de tudo, o risco é descobriremos que ainda somos o Brasil de sempre nas crises: juro de 6% e Bolsa a 10 mil pontos em dólares.

Uma outra provocação que tem sido perturbadora para mim: estariam mesmo as ações subindo nas últimas semanas ou seria o dinheiro que está caindo? Ora, o Ibovespa subiu da mínima dos 62 mil pontos para essa faixa atual dos 78 mil pontos. Mas se você colocar aí algum indexador a coisa não é tão simples assim. Veja você mesmo o gráfico do Ibovespa sobre o dólar, sobre o ouro e sobre o bitcoin. O Fed tem limites para o que ele pode comprar.

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Dois recados mais pragmáticos para terminar por hoje.

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1) Se você é acionista da PetroRio (PRIO3) — e eu me surpreendi com os milhares de acionistas disso —, por favor tome cuidado. Não brinque com fogo. Não subestime a probabilidade de uma junior oil company explodir do dia para a noite. O mercado de petróleo está simplesmente colapsando e isso vai matar gente pelo caminho. Quem está alavancado e pensava em tocar uma campanha exploratória, tinha isso em seu business plan, está em maus lençóis agora. Existe o risco de esse negócio dividir por três. Você não pode estar exposto a um downside desse tamanho.

2) A postura do controlador da AES Tietê em relação à proposta de fusão apresentada pela Eneva só corrobora a coluna de segunda-feira (20). Um absoluto desrespeito aos mais elementares princípios de governança corporativa. Com a carta-resposta ao BNDES negando a convocação de AGE e restringindo a votação da matéria de fusão aos ordinaristas (na verdade, em temas de fusão, o preferencialista deveria votar), a AES rasga seu estatuto e compra uma briga direta com a B3 e o BNDES. Uma vergonha. Perdem todos os demais stakeholders.

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