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Visão do gestor

“Se as pessoas queriam um trader no Banco Central, conseguiram”, critica Rogério Xavier, da SPX

Para o sócio-fundador da SPX Capital, a decisão do Banco Central comandado por Roberto Campos Neto de trabalhar com juros reais negativos na economia brasileira “é uma loucura”

Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital
Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital - Imagem: Leo Martins

Um dos gestores de fundos mais respeitados do país, Rogério Xavier, da SPX Capital, não poupou críticas à condução da política monetária pelo Banco Central comandado por Roberto Campos Neto.

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“Se as pessoas queriam um trader no Banco Central, conseguiram”, disse o gestor, em uma referência ao currículo de Campos Neto, que antes de assumir o comando do BC atuou na tesouraria do banco Santander.

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Conhecido pela visão mais pessimista do mercado, principalmente quando se manifesta em público, Xavier disse que a decisão do Banco Central de trabalhar com juro real negativo na economia brasileira “é uma loucura”.

Com R$ 35 bilhões sob gestão, a SPX está tomada no mercado de juros, ou seja, aposta que o Banco Central terá de aumentar a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 2% ao ano, para conter as pressões inflacionárias.

“Eles foram longe demais com essa política, e quando perceberem isso vão ter que reverter”, disse Xavier, participou de uma live promovida pela empresa de análise Spiti.

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As posições da gestora estão concentradas na parte curta da curva de juros, porque nos juros mais longos o mercado já foi feito, segundo Xavier, em referência à forte inclinação da curva brasileira. O mercado trabalha hoje com taxas que embutem a possibilidade de o BC elevar as taxas para patamares próximos de 10% ao ano.

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O sócio-fundador da SPX também discorda da visão do BC de que o atual repique inflacionário é um choque temporário. “Está tendo demanda mesmo. Tudo o que as pessoas consomem de casa está explodindo, e os preços também.”

Ao manter os juros tão baixos, o BC está provocando uma "bagunça" e forçando uma mudança no portfólio dos investidores brasileiros de forma atabalhoada, segundo Xavier. “A confusão na marcação a mercado da LFT [Tesouro Selic] expulsou ainda mais rápido os investidores para produtos mais arriscados.”

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Dólar, bolsa americana e ouro

Além da posição tomada no mercado de juros no Brasil, a SPX tem posições compradas em dólar e na bolsa dos Estados Unidos. A gestora trabalha com um cenário de vitória de Joe Biden nas eleições de novembro.

A perspectiva de uma vitória dos democratas, que também devem levar a maioria da Câmara e do Senado, anima o mercado porque o partido é favorável ao aumento de gastos para estimular a economia.

Uma eventual reeleição de Donald Trump também seria bem recebida pelo mercado, mas como o republicano provavelmente não teria o controle das duas casas as negociações de medidas no Congresso devem ser mais duras.

Outra posição comprada da SPX é em ouro, que se beneficia do atual ambiente de juros reais negativos ao redor do mundo.

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A gestora também tem posições em commodities agrícolas, com a expectativa de maior desabastecimento em alguns segmentos e a crescente demanda chinesa, cujo PIB pode voltar a crescer na casa de dois dígitos no ano que vem.

Aliás, esse seria um cenário espetacular para a economia brasileira, segundo Xavier. “Basta a gente fazer o nosso dever de casa que tem cenário positivo, sim”, afirmou.

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