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2020-03-25T10:08:45-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
Esquenta dos mercados

Pacote trilionário nos EUA anima investidores, mas volatilidade volta a predominar nos mercados

Ao todo, as medidas do Federal Reserve e de Trump somam US$ 6 trilhões. Com o bom humor predominando, os investidores decidiram ir às compras, puxando a alta das bolsas globais. No Brasil, alta não se sustenta

25 de março de 2020
8:02 - atualizado às 10:08
Federal Reserve
Federal Reserve - Imagem: shutterstock

O megapacote trilionário prometido pelo Federal Reserve embalou o dia de recuperação das bolsas globais ontem. Antes mesmo de ser aprovado, o bom humor já predominava nos negócios.

Nesta quarta-feira (25), o Ibovespa futuro cai 0,14%, aos 68.758 pontos, por volta das 9h, de olho no que acontece em Brasília, conforme conto mais adiante. Mas agora vamos falar do que aconteceu lá fora.

Após duas rejeições no Senado dos EUA, o pacote finalmente foi aprovado e a economia americana tem quase US$ 2 trilhões extras para combater o coronavírus. A ajuda vem em momento crucial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem que os Estados Unidos se tornem o novo epicentro da pandemia. Já são mais de 44 mil casos registrados, com 544 mortes.

Ao todo, as medidas do Federal Reserve e de Trump somam US$ 6 trilhões. Com o bom humor predominando, os investidores decidiram ir às compras, após semanas de descontos.

As bolsas asiáticas fecharam em alta, reverberando a aprovação do pacote fiscal americano. Em Tóquio, o índice Nikkei teve a maior alta desde outubro de 2008, subindo mais de 8%.

Após ganhos expressivos na sessão de ontem, com o Dow Jones subindo mais de 11%, caracterizando o maior ganho porcentual diário desde 1933, os índices futuros chegaram a operar em forte alta, mas perderam a força durante a manhã e passaram a apresentar grande volatilidade, alternando entre o campo positivo e negativo.

Na Europa, o pregão registrou alta expressiva na abertura, com até mesmo o setor aéreo se destando dentro das negociações. Mas, assim como nos Estados Unidos, os índices passaram a refletir uma alta volatilidade e perderam força.

Crise doméstica

Ontem, a bolsa brasileira seguiu o dia de recuperação visto no exterior e operou no campo positivo.

O bom humor no exterior fez o Ibovespa ter forte alta de 9,69%, aos 69.729,30 pontos, se reaproximando dos 70 mil pontos. O principal índice da bolsa brasileira já acumula uma alta de 3,97% na semana.

No exterior, o principal ETF brasileiro negociado em Nova York, o EWZ, chegou a operar com alta de mais de 12%, mas com a piora do humor, passou a apresentar uma queda de3,47% no pré-mercado.

A postura e novo pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro deve repercutir hoje entre os investidores.

Depois de tentar estabelecer um tom apaziguador com os governadores do Nordeste, Bolsonaro voltou a atacar João Doria e Wilson Witzel, criticando as medidas de quarentena estabelecidas nos estados.

A crise se agrava com as falas do presidente Jair Bolsonaro em pronunciamento em rede nacional, que contrariou todas as recomendações das autoridades internacionais de saúde.

As respostas de políticos não demoraram para chegar. Davi Alcolumbre foi o primeiro a se manifestar após as falas, dizendo que o país precisa de uma liderança 'séria e responsável'.

Rodrigo Maia também fez coro às críticas. Maia assegurou que o Congresso irá trabalhar para votar medidas para conter e aliviar a pandemia. No Brasil, a doença já conta com 2.201 casos confirmados e 47 mortes.

Por aqui, expectativa também para a votação do pacote de socorro aos Estados e municípios, na Câmara, que deve acontecer nos próximos dias.

Aliviando a barra

Pela primeira vez desde o dia 16 de março, o Banco Central não interviu no câmbio. Mesmo assim a moeda americana conseguiu interromper a escalada e terminou com queda de 1,03%, aos R$ 5,0820.

Hoje, 10h20, o Banco Central realiza dois leilões de linha, de até US$ 3 bilhões.

Medidas preventivas

  • Contra o novo coronavírus, o Itaú decidiu suspender as demissões no banco por tempo indeterminado e antecipar o 13º salário dos colaboradores.
  • Aliar vai suspender atividades por 45 dias.
  • Centauro aprovou o fechamento de suas lojas físicas por tempo indeterminado.
  • Natura focará na produção de produtos de higiene pessoal nos próximos dias. As demissões também estão suspensas pelos próximos 60 dias.

Agenda

Hoje será divulgada a prévia da inflação, o IPCA-15 (9h). IBGE também divulga, no mesmo horário, pesquisa sobre o setor de serviços. O dia ainda tem o fluxo cambial semanal (14h40) e relatório do Tesouro da dívida pública (16h30).

Lá fora, os ministros de Relações Exteriores do G7 voltam a se reunir por teleconferência.

Fique de olho

  • MRV aprovou programa de recompra de até 15 milhões de ações para aumentar a geração de valor para os acionistas.
  • BMG também aprovou programa de recompra de até 10,7 mihlões de ações PN, correspondente a 10% do total em circulação.
  • GPA aprovou plano de investimentos de R$ 1,5 bilhão para 2020.
  • Hypera aprovou pagamento de juros sobre capital próprio no valor de R$ 0,2939 por ação, totalizando R$ 185,497 milhões.
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