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Aversão ao risco lá fora dá o tom dos mercados, freando ímpeto do índice e elevando o preço do dólar; juros futuros curtos e intermediários devolvem um pouco da alta de ontem
Seguindo o sentimento de cautela que predomina no exterior, o Ibovespa opera em queda na última sessão da semana, nesta sexta-feira (11), perdendo o patamar de 115 mil pontos, reconquistado ontem.
Por volta das 15h30, o principal índice acionário da B3 recua 0,5%, aos 114.570 pontos.
O movimento ocorre na esteira da baixa das bolsas no exterior, que repercutem indefinições políticas tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.
O primeiro-ministro Boris Johnson disse que há uma grande possibilidade de que os esforços para se alcançar um acordo de comércio de última hora com a União Europeia, em meio ao Brexit, fracassem.
Enquanto isso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu hoje que "as posições permanecem distintas em questões fundamentais". A libra esterlina, deste modo, marcou baixa firme em relação ao dólar, e os principais índices acionários à vista em Londres, Paris e Frankfurt fecharam em queda de ao menos 0,8%, exatamente a queda marcada pelo FTSE 100, na Inglaterra.
Nos Estados Unidos, há renovadas frustrações acerca de um pacote de ajuda financeira, que continua sem um acordo decisivo. Após sinais de progresso em meio a uma pressão bipartidária por estímulo de cerca de US$ 900 bilhões, os republicanos do Senado sugeriram na quinta que não poderiam aceitar alguns aspectos das propostas.
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Assim, os principais índices em Wall Street caem — S&P 500 recua 0,7%; o Dow Jones, 0,2%, e o Nasdaq, 0,9%.
O mercado de câmbio tem um dia negativo, com a alta do dólar, uma sessão depois de o dólar repercutir o comunicado da última decisão do Copom e se aproximar do retorno à casa dos R$ 4.
Neste momento, a moeda sobe 0,5%, cotada aos R$ 5,0632 — o dólar também aponta valorização diante da maioria de pares emergentes do real e tem leve ganho frente a rivais fortes como euro, libra e iene, segundo aponta o Dollar Index (DXY).
O movimento no câmbio tem origem na cautela que toma conta dos mercados internacionais. Se uma vacina contra o coronavírus é cada vez mais certa, as preocupações ofuscam as perspectivas positivos no curtíssimo prazo.
Os juros futuros dos depósitos interbancários, por sua vez, recuam, com leves baixas nas taxas curtas, de 3 a 4 pontos-base (0,03 a 0,04 ponto percentual), e quedas mais firmes na parte intermediária, como nos juros para janeiro/2023 (de quase 0,1 ponto).
As taxas deste modo devolvem um pouco das altas vistas ontem, quando a curva reagiu ao comunicado do Copom mais duro sobre a situação dos núcleos de inflação.
Veja os juros dos principais vencimentos agora:
O comitê também fechou a porta para cortes de juros e estipulou que o "forward guidance" do comitê poderá ser removido conforme as projeções para inflação de 2022 ganham peso no horizonte relevante da política monetária.
Na frente da pandemia, o avanço do casos de covid-19 continua sendo uma realidade, voltando a fechar as economias e sobrecarregar os sistemas de saúde. Os Estados Unidos superaram ontem, pela primeira vez, a marca de mais de 3 mil mortes diárias pela doença. Na Alemanha, o número de casos confirmados também bateu novo recorde.
Enquanto isso, durante a madrugada, as bolsas asiáticas tiveram uma sessão mista. Índices de algumas praças avançaram, mas em Tóquio e Xangai o avanço do coronavírus falou mais alto e os índices recuaram.
No cenário doméstico, a alteração da data de apresentação da PEC Emergencial pode pesar ainda mais no mercado. A leitura é de que o atraso posterga ainda mais o andamento da agenda de reformas do governo.
Outro dado local digerido pelos agentes financeiros é o crescimento do volume de serviços em outubro no país. O índice veio acima da mediana das estimativas dos analistas, avançando 1,7% em outubro.
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