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2020-07-15T08:24:59-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Bolsa em alta

Petrobras e Vale têm ganhos firmes e puxam a recuperação do Ibovespa; dólar cai

Dados mais fortes na China deram forças ao setor de commodities, impulsionando as ações da Vale e da Petrobras e ajudando o Ibovespa como um todo

14 de julho de 2020
17:58 - atualizado às 8:24
Selo Mercados FECHAMENTO Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A sessão desta terça-feira (14) foi marcada por uma espécie de queda de braço no Ibovespa: de um lado, o avanço do coronavírus nos EUA e dados econômicos decepcionantes na Europa geravam cautela aos investidores; de outro, indicadores mais firmes na China e balanços animadores em Wall Street enchiam o mercado de coragem.

No começo do dia, o lado pessimista parecia disposto a vencer mais uma: ainda nos primeiros minutos de pregão, o índice brasileiro chegou a tocar os 98.288,81 pontos (-0,41%), fazendo coro ao tom mais cauteloso visto no exterior. Mas, conforme a sessão foi avançando, o bloco otimista foi virando o jogo.

E boa parte dessa virada se deve ao bom desempenho das ações do setor de commodities, em especial Vale ON (VALE3), Petrobras ON (PETR3) e Petrobras PN (PETR4) — papéis que tiveram ganhos expressivos hoje e que, dado o peso relevante na composição do Ibovespa, acabaram impulsionando o índice ao azul.

  • Eu gravei um vídeo para explicar um pouco melhor a dinâmica por trás dos mercados nesta terça-feira. Veja abaixo:

Com isso, o Ibovespa fechou em alta de 1,77%, aos 100.440,23 pontos, recuperando-se das perdas de segunda-feira e retomando o patamar dos três dígitos. Nos EUA, os mercados tiveram comportamento semelhante: o Dow Jones (+2,13%), o S&P 500 (+1,34%) e o Nasdaq (+0,94%) tiveram ganhos firmes após um início de dia no vermelho.

No câmbio, o dólar à vista acompanhou a tendência global e também passou por um alívio relevante ao longo da sessão, fechando o pregão em queda de 0,73%, a R$ 5,3490.

O que fez os investidores mudarem de ideia, deixando de lado toda a cautela em relação ao avanço da Covid-19 e à possibilidade de um novo fechamento da economia americana?

Ajuda vinda da China

Um dos motores por trás da recuperação do Ibovespa e das bolsas americanas foi o resultado positivo da balança comercial da China em junho: as exportações avançaram 0,5% em relação ao mês anterior, enquanto as importações cresceram 2,7% — em ambos os casos, os analisas projetavam contrações.

Esse bom desempenho anima os investidores por diversas razões: em primeiro lugar, como a China atravessou o pico da Covid antes do resto do mundo, seu processo de recuperação também começou mais cedo. Assim, boas notícias do gigante asiático fazem o mercado acreditar que uma retomada mais vigorosa também será vista no Ocidente.

Em segundo, uma demanda mais aquecida na China, conforme evidenciado pelo aumento nas importações, é uma boa notícia para os exportadores globais, sobretudo os de commodities: como os chineses são os grandes consumidores globais de produtos energéticos e metálicos, as empresas que atuam nesse setor tiveram um dia bastante positivo nos mercados.

É o caso de Vale ON (VALE3), que disparou 7,03% hoje — a China é o maior consumidor global de minério de ferro. As siderúrgicas, como CSN ON (CSNA3), Gerdau PN (GGBR4) e Usiminas PNA (USIM5), também tiveram um dia bastante positivo: avançaram 4,46%, 2,09% e 1,76%, nesta ordem.

O petróleo também se recuperou, obedecendo à mesma dinâmica: o WTI para agosto subiu 0,47% e o Brent para setembro teve alta de 0,42% — notícias sobre cortes menos intensos na produção da commodity pela Opep tiraram força do mercado. Ainda assim, Petrobras PN (PETR4) saltou 3,34% e Petrobras ON (PETR3) avançou 3,46%.

Balanços recomeçam

Outra notícia que ajudou a dar ânimo às bolsas americanas — e, consequentemente, contribuiu para a virada do Ibovespa — foi o início da temporada de balanços do segundo trimestre nos EUA. E, por mais que os números tenham mostrado baixas na comparação anual, eles não vieram tão ruins quanto o projetado.

Citi, Wells Fargo e J.P.Morgan abriram a rodada tida como crucial pelos mercados: o segundo trimestre é o período em que o impacto do coronavírus deve ser mais sentido pelas empresas e, assim, os investidores terão uma ideia mais precisa do tamanho dos problemas causados pela pandemia.

Cautela ainda elevada

Apesar dos fatores positivos terem prevalecido, ainda há muitos pontos de tensão no horizonte. Em primeiro plano, aparece a preocupação quanto ao forte aumento nos novos casos de coronavírus nos EUA — um cenário que, ontem, fez o estado da Califórnia determinar um novo fechamento de bares, restaurantes e outros estabelecimentos.

A medida aumenta os temores do mercado quanto a um retrocesso de grande porte nos esforços para reabertura da economia americana, o que, se concretizado, provocaria um forte impacto sobre o nível de atividade do país — e, consequentemente, do mundo.

Soma-se a esse panorama preocupante uma série de dados econômicos mais fracos que o esperado na Europa: a produção industrial na zona do euro e o PIB do Reino Unido avançaram num ritmo menos intenso que o projetado por analistas, o que reduz o entusiasmo em relação à recuperação rápida da economia do continente.

IBC-Br acelera, mas...

No Brasil, destaque para o resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que registrou alta de 1,31% em maio em relação a abril — um indicador de que o PIB do país voltou a crescer no mês. O dado, contudo, ficou muito aquém do esperado pelo mercado, que trabalhava com uma estimativa de avanço de mais de 4%.

Assim, o mercado de juros futuros fechou em baixa nesta terça, ajustando-se ao cenário de recuperação econômica mais lenta que a projetada — o que abre espaço para mais cortes na Selic no curto prazo e para a manutenção das taxas em níveis baixos por mais tempo:

  • Janeiro/2021: de 2,07% para 2,06%;
  • Janeiro/2022: de 3,03% para 3,01%;
  • Janeiro/2023: de 4,14% para 4,10%;
  • Janeiro/2025: de 5,65% para 5,59%.

Top 5

Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta terça:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
VALE3Vale ON61,70+7,03%
BRAP4Bradespar PN40,72+6,74%
UGPA3Ultrapar ON18,84+6,44%
CSNA3CSN ON12,19+4,46%
RENT3Localiza ON43,90+4,28%

Confira também as cinco maiores baixas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
CMIG4Cemig PN11,41-2,23%
LREN3Lojas Renner ON41,91-2,01%
QUAL3Qualicorp PN29,20-1,98%
EMBR3Embraer ON8,01-1,84%
WEGE3Weg ON53,99-1,73%
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