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O Ibovespa e o dólar à vista fecharam em alta nesta segunda-feira, numa sessão marcada por um noticiário cheio de incertezas no front doméstico e uma postura mais cautelosa no exterior
Na filosofia chinesa, o Yin-yang é o princípio que exprime a dualidade da existência. Ele parte do princípio de que todos os elementos do universo são compostos por duas energias opostas e complementares — e a interação dessas forças é responsável por gerar transformação.
É um conceito que pode ser aplicar a tudo: desde questões filosóficas, como a paz interior, até temas mais concretos, como a cotação do dólar à vista ou o comportamento do Ibovespa — e a sessão desta segunda-feira (13) deixou clara a inclinação taoista do mercado financeiro.
Por um lado, tivemos uma ala otimista e que mostra confiança numa recuperação relativamente rápida da bolsa. Por outro, vimos um grupo mais pessimista e que busca proteção para dias mais duros adiante.
Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, a interação entre Yin e Yang não resulta em zero. O Ibovespa, por exemplo, fechou em alta de 1,49%, aos 78.835,82 pontos, na máxima do dia — dando vazão à postura confiante. Já o dólar à vista avançou 1,75%, a R$ 5,1833, extravasando a descrença.
Essa é uma estratégia clássica em tempos de forte incerteza: os investidores continuam posicionados na bolsa, mas, ao mesmo tempo, correm para a segurança do dólar. A ideia é diversificar a carteira, de modo a estar bem alocado independente do que acontecer no futuro.
Se o cenário mais duro se concretizar, a tendência é de queda nas bolsas e alta no dólar; caso o panorama mais tranquilo se consolide, é provável que o comportamento dos mercados seja o oposto: bolsa em alta, câmbio em baixa.
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Ou seja: quem não quer vender ações e correr o risco de perder um rali no futuro, faz essa manobra. Se tudo der errado, o dólar se valoriza e as perdas na bolsa são parcialmente amenizadas; se a alta no mercado acionário ocorrer como planejado, os ganhos vão se sobrepor à desvalorização do câmbio.
Yin-yang. A interação das forças gera fluidez — e o Ibovespa e o dólar à vista não ficaram parados hoje.
Pode-se dividir a sessão de hoje em dois fronts, o externo e o doméstico — e ambos trouxeram elementos preocupantes à mesa. Por aqui, os olhos e ouvidos estiveram atentos a Brasília, buscando qualquer informação de bastidor referente ao governo e ao Congresso.
Em primeiro plano, há a discussão acalorada em relação ao auxílio emergencial aos Estados e municípios. Um projeto em tramitação na Câmara pode destinar bilhões aos governadores e prefeitos sem a exigência de contrapartida — e, por isso, vem sendo chamado de 'bomba fiscal'.
No entanto, o governo tenta reverter a situação: já encaminhou às lideranças partidárias no Congresso uma contraproposta que destinaria até R$ 40 bilhões em recursos diretos aos Estados e municípios — uma quantia relevante, mas menor que a do projeto que pode ser votado pela Câmara.
Ao longo do dia, não houve grandes avanços nesse front: o cenário permanece incerto e não é possível cravar qual será o desfecho da questão — o que abre espaço para projeções otimistas e pessimistas por parte do mercado.
E esse não foi o único foco de apreensão em Brasília nesta segunda-feira. Há também a nova escalada nos atritos entre o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o presidente Jair Bolsonaro — ontem, Mandetta deu entrevista à TV Globo e voltou a criticar a falta de alinhamento nos discursos oficiais do governo.
Informações de bastidores dão conta de um descontentamento por parte do governo em relação à postura do ministro. No entanto, nenhuma declaração oficial nesse sentido foi dada até o fechamento dos mercados — o que apenas contribuiu para aumentar a incerteza no ar.
Lá fora, o tom foi de maior prudência: no front do coronavírus, 1,9 milhão de pessoas já foram infectadas no mundo, com 118 mil mortes, de acordo com dados da universidade americana Johns Hopkins.
Além disso, o rápido avanço da doença nos EUA colocou o país no topo da lista de contaminações, com mais de 570 mil pessoas diagnosticadas com a Covid-19, e de óbitos, com cerca de 22 mil falecimentos em decorrência da doença — informações que, embora esperadas, diminuíram o ânimo dos investidores.
A cautela no front da pandemia se sobrepôs ao otimismo em relação ao acordo fechado pelos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que decidiu cortar a produção da commodity em 9,7 milhões de barris ao dia, por dois meses, a partir de 1º de maio.
No entanto, relatos de que a Arábia Saudita reduziu os preços da commodity vendida no exterior reduziram a animação dos investidores em relação ao acordo da Opep. E, nesse contexto, o petróleo fechou sem direção única: o Brent subiu 0,95%, mas o WTI caiu 1,54%.
Além disso, há a percepção de que muitos países aumentaram os estoques ao longo de março e, assim, a demanda internacional deve continuar fraca — o que, na prática, reduz os efeitos do corte de produção anunciado pela Opep, ao menos no curto prazo.
No mercado de juros futuros, o dia foi de pouca movimentação. Os investidores seguem apostando em novos cortes na Selic para estimular a economia — e a projeção de recuo mais intenso do PIB em 2020 pelo boletim Focus dá sustentação a essa tese.
Mas, considerando os níveis já bastante baixos dos DIs, o espaço para novas correções negativas nas curvas é limitado. Veja abaixo como ficaram os contratos mais líquidos nesta segunda-feira:
Confira as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| COGN3 | Cogna ON | 4,87 | +6,33% |
| MRFG3 | Marfrig ON | 9,39 | +5,98% |
| VVAR3 | Via Varejo ON | 5,43 | +5,44% |
| BRAP4 | Bradespar PN | 30,37 | +5,10% |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau PN | 4,96 | +5,08% |
Saiba também quais são as maiores baixas do índice:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| SMLS3 | Smiles ON | 13,51 | -5,52% |
| BPAC11 | BTG Pactual units | 40,00 | -4,19% |
| LAME4 | Lojas Americanas PN | 20,69 | -2,86% |
| YDUQ3 | Yduqs ON | 26,30 | -2,77% |
| HGTX3 | Cia Hering ON | 14,06 | -2,70% |
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