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2020-11-25T17:23:46-03:00
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
subindo, de novo

Ibovespa ignora NY e vai acima dos 110 mil pontos; dólar cai 1% com fluxo estrangeiro

Índice renova máxima desde o início da pandemia. Enquanto isso, S&P 500 e Dow Jones seguem em queda, com número maior do que o esperado de pedidos de seguro-desemprego. Moeda americana e juros fecham em queda

25 de novembro de 2020
11:07 - atualizado às 17:23
Selo Mercados Touro Alta
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O Ibovespa passou a subir a partir das 14h50 nesta quarta-feira (25), tentando manter o rali recente do índice e ignorando o desempenho de queda dos índices à vista S&P 500 e Dow Jones em Nova York. O principal índice acionário da bolsa brasileira, só em novembro, acumula alta superior a 16%.

Ontem, foi visto um novo forte movimento de ganhos das ações globalmente com a transição de Donald Trump para Joe Biden autorizada nos Estados Unidos, a visão de mais estímulos na praça com a nomeação de Janet Yellen para o Tesouro do país e o otimismo com a vacina pela covid-19 — e o Ibovespa, ao fim da sessão, avançou fortes 2,24%.

Na mesma ocasião, o Dow Jones, em que estão listadas 30 ações de companhias de diversos segmentos da indústria, teve verdadeiramente uma sessão de gala, renovando a máxima histórica e rompendo pela primeira vez o nível de 30 mil pontos.

Os investidores chegaram a se aproveitar para realizar alguns lucros mais cedo, mas por volta das 17h20 o Ibovespa sobe 0,4%, para 110.180 pontos — na mínima, registrou recuo de 0,4%; na máxima, chegou a subir 0,74%, para 110.595,81 pontos.

Papéis como Vale e Magazine Luiza, que juntos representam participação de 14% do índice, sobem e guiam a alta do índice.

As maiores altas percentuais respondem pelas ações PetroRio ON e CVC ON, siderúrgicas como Usiminas e CSN, além de shoppings, como Iguatemi e BR Malls. Veja as maiores altas:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO
CVCB3CVC ON           17,77 8,69%
PRIO3PetroRio ON           48,73 7,57%
USIM5Usiminas PNA           13,25 6,17%
EQTL3Equatorial ON           21,78 5,22%
NTCO3Natura ON           50,00 3,54%

Enquanto isso, ações como as de bancos (com exceção para as units do Santander) e Petrobras, que tiveram uma sessão de ganhos elevados ontem, caem hoje. Confira as maiores baixas:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO
COGN3Cogna ON             4,90 -2,39%
ELET3Eletrobras ON           31,48 -1,90%
YDUQ3Yduqs ON           30,75 -1,60%
ITSA4Itaúsa PN           10,79 -1,37%
BBDC3Bradesco ON           22,65 -1,26%

Agentes financeiros também digerem a agenda econômica americana que detalha o estado da atividade do país em meio aos impactos persistentes do coronavírus.

No radar, a segunda leitura do PIB do terceiro trimestre dos Estados Unidos mostrou crescimento à taxa anualizada de 33,1% — dado idêntico à da primeira leitura.

Além disso, o número de pedidos de seguro-desemprego subiu acima das expectativas de analistas de 730 mil na semana passada, para 778 mil, levantando preocupações a respeito da lentidão da recuperação econômica em meio à segunda onda da covid-19.

Ainda pela manhã, dados de renda pessoal e sentimento do consumidor, por seu turno, recuaram mais do que o esperado, também pesando sobre o humor dos agentes.

À tarde, os investidores voltaram os seus olhos para a política monetária, com a ata do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) relativa à reunião realizada nos dias 4 e 5 de novembro.

O documento mostra que atividade econômica segue se recuperando, mas ainda está em níveis pré-pandemia no país. O coronavírus, segundo dirigentes do Fed, continua a impor consideráveis riscos à frente para a economia, e a sua disseminação e impactos na Europa afetam a economia do país americano, diz a autoridade monetária.

Os dirigentes do BC dos EUA julgam necessário manter o atual patamar de juros, na faixa entre 0% e 0,25%, enquanto não for atingido o objetivo máximo de emprego e de inflação média. Ata também mostra que Fed acha que é apropriado manter a compra de títulos.

Dólar cai com fluxo externo e juros se descomprimem de olho em fiscal

No mercado de câmbio, por sua vez, o dólar abriu em alta mas passou operar em queda nos primeiros 20 minutos de sessão, mantendo a trajetória mensal que já levou a moeda a acumular baixa de 7% em novembro.

A divulgação de dados das contas externas brasileiras e investimentos estrangeiro no país contribuiu com o movimento de depreciação da moeda. Por fim, o dólar recuou 1,03%, para R$ 5,3202.

O Dollar Index (DXY), índice que compara o dólar a moedas fortes como euro, libra e iene, também registra baixa, de 0,2%. Diante de moedas emergentes, o dólar apresenta agora levíssima queda diante de pares do real, como rand sul-africano e peso mexicano.

Os juros futuros dos contratos de depósitos interbancários, por fim, fecharam em queda nesta terça, motivados pela queda do dólar e monitorando a questão fiscal. Veja as taxas para os vencimentos agora:

  • Janeiro/2021: de 1,936% para 1,922%
  • Janeiro/2022: de 3,40% para 3,35%
  • Janeiro/2023: de 5,19% para 5,14%
  • Janeiro/2025: de 7,01% para 6,94%
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